O dia em que a torre Eiffel teve as luzes apagadas em sinal de luto

Às vezes, me permito dominar pela desesperança. Ao pensar nos ataques ocorridos em Paris esta noite, visualizo o desespero das vítimas, o pânico enquanto terroristas executavam friamente reféns indefesos na casa de shows e, claro, o sofrimento das famílias que perderam seus amores.

E, chocado, vejo como perfis reacionários aqui no Brasil imediatamente foram ao Twitter espalhar ódio dizendo coisas como “Que pena que o Chico Buarque não estava dando show em Paris” ou “‘Brasil está de braços abertos para refugiados’. DE BRAÇOS ABERTOS PRA LEVAR UM TIRO NO PEITO SÓ SE FOR.” – dois exemplos horrendos que expus em minha conta no outro site. (Uma posição que, inclusive, demonstra imenso desconhecimento político, ignorando – como apontei em um RT – que é justamente destes monstros que os refugiados estão tentando escapar quando buscam asilo em outros países.)

Porém, quando o pessimismo completo começa a me tomar, lembro-me de que taxistas parisienses se ofereceram para transportar pessoas de graça; que centenas ofereceram seus lares como abrigo; e que manifestações de solidariedade dominaram a Internet. Sim, ataques como o de hoje podem ter grupos de malucos odiosos por trás, mas a solidariedade humana é algo que me mantém esperançoso: para cada sociopata incapaz de expressar algo além do ódio, há 500 postando pensamentos amorosos.

(E não, não sou um grande fã de religião, mas é importante lembrar que se fundamentalistas estiverem mesmo por trás disso, são minoria.)

Sei que é difícil ser otimista com relação à Humanidade em dias como hoje, mas não permitam que o valor dos gestos generosos seja ignorado.

Fiquem bem. E se forem publicar algo hoje em redes sociais, tentem exercer a empatia e a compaixão.

Já há ódio demais por aí.

Texto de Pablo Villaça, escritor.

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