45 filmes brasileiros que farão você defender o cinema nacional

Numa dessas sexta-feiras, dirigi-me ao bar de sempre, com os amigos de sempre, fazer o de sempre. Após algumas rodadas de felicidade líquida – que em algumas tribos costumam chamar de “cerveja” –, começamos a discutir sobre cinema.

É interessante perceber que as pessoas adoram falar sobre o que assistem. Adoram indicar os filmes que lhe são significantes. Fico com a sensação de que os filmes sempre transmitem algo que não conseguimos expor – seja por escolha própria, incapacidade ou por dúvida.

Então, alguém fala de Tarantino numa ponta da mesa, na outra alguém invoca Scorsese, enquanto o mais tímido, sussurrando, lembra de Woody Allen (erguei a voz, fãs do Woody).

Alguém cita o trabalho do Wagner Moura em Narcos (que, aliás, você deve começar a assistir) e balbucia que “brasileiro só faz sucesso em produção americana mesmo”, porque – completa – “cinema no Brasil não presta e os filmes só mostram putaria”.

Eu tive que contra-argumentar citando títulos não tão conhecidos da grande massa e que não perdem em nada para os americanos ou europeus. Claro que o rapaz não tinha sequer ouvido falar da maioria dos que citei. Talvez a culpa nem seja dele… Nem daquele 20º copo de felicidade líquida (ou cerveja?) que ele tomava. Talvez a culpa seja nossa mesmo. Sim, culpa minha e sua que, por vezes, deixamos de prestigiar e dar o devido valor aos competentes artistas que possuímos por aqui.

A discussão continuou e eu, naquele momento, desejei ter em mãos uma bela lista com os principais filmes do nosso cinema. Então, se em algum momento você se deparar com alguém atirando contra nosso cinema, pega teu celular, acessa esta lista e mostra o quanto ele está errado

1. Lavoura Arcaica (2001, de Luiz Fernando Carvalho)

“O tempo … esse algoz às vezes suave, às vezes mais terrível; demônio absoluto conferindo qualidade a todas as coisas.”

Um dos grandes filmes brasileiros da década de 2000, cheio de poesia visual.

André (Selton Mello) é um filho desgarrado, que saiu de casa devido à severa lei paterna e o sufocamento da ternura materna. Pedro (Leonardo Medeiros), seu irmão mais velho, traz ele de volta ao lar a pedido da mãe. André aceita retornar, mas irá irromper os alicerces da família ao se apaixonar por sua bela irmã Ana.

2. Terra Estrangeira (1996, de Walter Salles e Daniela Thomas)

Anos 90. Sem perspectiva de vida num Brasil tomado pelo caos em plena era Collor, Paco (Fernando Alves Pinto) decide viajar para Portugal após a morte da mãe, levando uma misteriosa encomenda. Em Lisboa, ele conhece Alex (Fernanda Torres), brasileira namorada de Miguel (Alexandre Borges), todos envolvidos num esquema de contrabando, que vai tornar suas vidas em um pesadelo.

3. Noite Vazia (1964, de Walter Hugo Khouri)

“Por mim, você pode até se afogar!”

Um filme sobre o desencanto e o vazio da vida.

Dois amigos contratam os serviços de uma dupla de prostitutas. O que seria uma noite de prazer acaba se transformado em um embate entre os quartos, revelando pouco a pouco suas angústia e ressentimentos e aflorando seus sentimentos mais íntimos e profundos.

4. O Pagador de Promessas (1962, de Anselmo Duarte)

“Parece que estão vendo as coisas ao contrário do que elas são: o céu no lugar do inferno, o demônio no lugar do santo.”

Primeiro e único filme brasileiro ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes.

Zé do Burro (Leonardo Villar) e sua mulher Rosa (Glória Menezes) vivem em uma pequena propriedade a 42 quilômetros de Salvador. Um dia, o burro de estimação de Zé é atingido por um raio e ele acaba indo a um terreiro de candomblé, onde faz uma promessa a Santa Bárbara para salvar o animal. Com o restabelecimento do bicho, Zé põe-se a cumprir a promessa e doa metade de seu sítio, para depois começar uma caminhada rumo a Salvador, carregando nas costas uma imensa cruz de madeira. Mas a via crucis de Zé será mais angustiante do que ele imagina.

5. Central do Brasil (1998, de Walter Salles)

“No dia que você quiser lembrar de mim, dá uma olhada no retratinho que a gente tirou junto.”

Um dos principais filmes brasileiros de todos os tempos não poderia ficar de fora.

Dora (Fernanda Montenegro) escreve cartas para analfabetos na estação Central do Brasil. Uma das clientes de Dora é Ana, que vem escrever uma carta com o seu filho, Josué, um garoto de nove anos, que sonha encontrar o pai que nunca conheceu.

Na saída da estação, Ana é atropelada e Josué fica abandonado. Mesmo a contragosto, Dora acaba acolhendo o menino e envolvendo-se com ele. Termina por levar Josué para o interior do Nordeste, à procura do pai. À medida em que vão entrando país adentro, esses dois personagens, tão diferentes, vão se aproximando.

Ganhador do Urso de Ouro do Festival de Berlim, do Globo de Ouro como melhor filme estrangeiro, indicador ao Oscar como melhor filme estrangeiro e melhor atriz (Fernanda Montenegro).

6. Cidade de Deus (2002, de Fernando Meirelles)

“Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!”

Buscapé (Alexandre Rodrigues) é um jovem pobre, negro e muito sensível, que cresce em um universo de muita violência. Buscapé vive na Cidade de Deus, favela carioca conhecida por ser um dos locais mais violentos da cidade.

Amedrontado com a possibilidade de se tornar um bandido, Buscapé acaba sendo salvo de seu destino por causa de seu talento como fotógrafo, o qual permite que siga carreira na profissão. E é através de seu olhar atrás da câmera que Buscapé analisa o dia-a-dia da favela onde vive, onde a violência aparenta ser infinita.

7. Terra em Transe (1967, de Glauber Rocha)

“Todas as piadas são possíveis na tragédia de cada dia. Eu, por exemplo, me dou ao vão exercício da poesia.”

Outro clássico do cinema nacional.

O senador Porfírio Diaz (Paulo Autran) detesta seu povo e pretende tornar-se imperador de Eldorado, um país localizado na América do Sul. Porém existem diversos homens que querem este poder.

8. Madame Satã (2002, de Karim Aïnouz)

“Sou filho de Iansã com Ogum.”

Rio de Janeiro, 1932.

No bairro da Lapa vive encarcerado na prisão João Francisco (Lázaro Ramos), artista transformista que sonha em se tornar um grande astro dos palcos.

Após deixar o cárcere, João passa a viver com Laurita (Marcélia Cartaxo), prostituta e sua “esposa”; Firmina, a filha de Laurita; Tabu (Flávio Bauraqui), seu cúmplice; Renatinho (Felippe Marques), seu amante e também traidor; e ainda Amador (Emiliano Queiroz), dono do bar Danúbio Azul.

É neste ambiente que João Francisco irá se transformar no mito Madame Satã, nome retirado do filme Madame Satã (1932), dirigido por Cecil B. deMille, que João Francisco viu e adorou.

9. Bicho de Sete Cabeças (2001, de Laís Bodanzky)

“Não tem ninguém que mereça… Não tem coração que esqueça.”

Um dos filmes que colocou em evidência o excelente trabalho de Rodrigo Santoro.

Seu Wilson (Othon Bastos) e seu filho, Neto (Rodrigo Santoro), possuem um relacionamento difícil, com um vazio entre eles aumentando cada vez mais. Seu Wilson despreza o mundo de Neto e este não suporta a presença do pai. A situação entre os dois atinge seu limite e Neto é enviado para um manicômio, onde terá que suportar as agruras de um sistema que lentamente devora suas presas.

10. O Auto da Compadecida (2000, de Guel Arraes)

“Não sei. Só sei que foi assim.”

Esse você provavelmente já viu (se não, certamente estava em coma). Figura carimbada na “Sessão da Tarde” e baseado na obra de Suassuna, esse clássico segue as aventuras de João Grilo (Matheus Nachtergaele), um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó (Selton Mello), o mais covarde dos homens. Ambos lutam pelo pão de cada dia e atravessam por vários episódios enganando a todos da pequena cidade em que vivem.

11. Pixote: A Lei do Mais Fraco (1980, de Héctor Babenco)

“Saber por que esse país não vai pra frente? Porque está cheio de idiotas!”

Pixote (Fernando Ramos da Silva) foi abandonado por seus pais e rouba para viver nas ruas. Ele já esteve internado em reformatórios e isto só ajudou na sua “educação”, pois conviveu com todo o tipo de criminoso e jovens delinqüentes que seguem o mesmo caminho. Ele sobrevive se tornando um pequeno traficante de drogas, cafetão e assassino, mesmo tendo apenas onze anos.

Destaque para a atuação estupenda e marcante de Marília Pêra.

12. Vidas Secas (1963, Nelson Pereira dos Santos)

“…chorou, mas estava invisível, e ninguém percebeu o choro.”

Baseado na obra de Graciliano Ramos (se não leu, corre ler!), mostra a saga da família retirante pressionada pela seca no sertão brasileiro. Fabiano, Sinhá Vitória, o filho mais velho e o mais novo, além da cachorra Baleia, atravessam o sertão tentando sobreviver.

13. O Homem que Copiava (2003, de Jorge Furtado)

“Dinheiro é só um pedaço de papel que todo mundo acredita que vale alguma coisa. Se ninguém acredita, não serve pra nada.”

André (Lázaro Ramos), um jovem operador de fotocopiadoras que precisa de 38 reais para se aproximar de sua vizinha Sílvia, por quem está apaixonado. Para isso, é ajudado por Cardoso, empregado de uma oficina, que topa qualquer coisa por dinheiro. Marinês é uma jovem que explora sua sensualidade para ascender na vida, e acaba se identificando com Cardoso. Ele tem uma ideia de copiar notas de 50 reais com a nova máquina colorida que ganha na empresa, mas não conformado, decide continuar com as cópias.

14. Cidade Baixa (2005, de Sérgio Machado)

“Não tô a fim de ficar comendo comida requentada dos outros, não!”

Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura) se conhecem desde garotos, sendo difícil até mesmo falar em um sem se lembrar do outro. Um dia surge Karinna (Alice Braga), uma stripper que deseja arranjar um gringo endinheirado no carnaval de Salvador a quem a dupla dá uma carona. Ao chegarem em Salvador a dupla reencontra Karinna, que está agora trabalhando em uma boate. Aos poucos a atração entre eles cresce, criando a possibilidade de que levem uma vida a três.

15. O Céu de Suely (2005, de Karim Aïnouz)

“Aqui começa a saudade de Iguatu.”

Hermila (Hermila Guedes) é uma jovem de 21 anos que está de volta à sua cidade-natal, a pequena Iguatu, localizada no interior do Ceará. Ela volta juntamente com seu filho, Mateuzinho, e aguarda para daqui a algumas semanas a chegada de Mateus, pai da criança, que ficou em São Paulo para acertar assuntos pendentes. Porém o tempo passa e Mateus simplesmente desaparece. Querendo deixar o lugar de qualquer forma, Hermila tem uma idéia inusitada: rifar seu próprio corpo para conseguir dinheiro suficiente para comprar passagens de ônibus para longe e iniciar nova vida.

16. O Cheiro do Ralo (2006, de Heitor Dhalia)

“Eu não me importo com ninguém, só não quero que eles pensem que o cheiro do ralo é meu.”

Lourenço (Selton Mello) é o dono de uma loja que compra objetos usados. Aos poucos ele desenvolve um jogo com seus clientes, trocando a frieza pelo prazer que sente ao explorá-los, já que sempre estão em sérias dificuldades financeiras.

Ao mesmo tempo, Lourenço passa a ver as pessoas como se estivessem à venda, identificando-as através de uma característica ou um objeto que lhe é oferecido. Incomodado com o permanente e fedorento cheiro do ralo que existe em sua loja, Lourenço vê seu mundo ruir quando é obrigado a se relacionar com uma das pessoas que julgava controlar.

17. Elena (2012, de Petra Costa)

“…pouco a pouco as dores viram água, viram memória.”

Elena viaja para Nova York com o mesmo sonho da mãe: ser atriz de cinema. Deixa para trás uma infância passada na clandestinidade dos anos de ditadura militar. Deixa Petra, a irmã de sete anos.

Duas décadas mais tarde, Petra também se torna atriz e embarca para Nova York em busca de Elena. Tem apenas pistas. Filmes caseiros, recortes de jornal, um diário. Cartas. A todo momento Petra espera encontrar Elena caminhando pelas ruas com uma blusa de seda. Pega o trem que Elena pegou, bate na porta de seus amigos, percorre seus caminhos. E acaba descobrindo Elena em um lugar inesperado. Aos poucos, os traços das duas irmãs se confundem, já não se sabe quem é uma, quem é a outra. A mãe pressente. Petra decifra. Agora que finalmente encontrou Elena, Petra precisa deixá-la partir.

18. Estômago (2007, de Marcos Jorge)

“E agora, quem é que vai ter as manha de me peitar?”

Raimundo Nonato (João Miguel) foi para a cidade grande na esperança de ter uma vida melhor. Contratado como faxineiro em um bar, logo ele descobre que possui um talento nato para a cozinha. Com suas coxinhas Raimundo transforma o bar num sucesso. Giovanni (Carlo Briani), o dono de um conhecido restaurante italiano da região, o contrata como assistente de cozinheiro. A cozinha italiana é uma grande descoberta para Raimundo, que passa também a ter uma casa, roupas melhores, relacionamentos sociais e um amor: a prostituta Iria (Fabiula Nascimento). E, a partir daí, as coisas tomam rumos preocupantes para Nonato.

19. Lisbela e o Prisioneiro (2003, Guel Arraes)

“A senhora é doce como chuva de caju que cai de repente…”

Lisbela (Débora Falabella) é uma moça que adora ir ao cinema e vive sonhando com os galãs de Hollywood dos filmes que assiste. Leléu (Selton Mello) é um malandro conquistador, que em meio a uma de suas muitas aventuras chega à cidade de Lisbela. Após se conhecerem eles logo se apaixonam, mas há um problema: Lisbela está noiva. Em meio às dúvidas e aos problemas familiares que a nova paixão desperta, há ainda a presença de um matador (Marco Nanini) que está atrás de Leléu, devido a ele ter se envolvido com sua esposa (Virginia Cavendish).

20. Amarelo Manga (2003, de Cláudio Assis)

“O ser humano é estômago e sexo.”

Amarelo Manga traz um retrato bem mais caricato do subúrbio do Recife, com personagens crus, desprezados e endurecidos pelas condições em que vivem. Um filme que faz pensar, porque incomoda.

21. Febre do Rato (2012, de Cláudio Assis)

“Quem foi que disse que poesia não embriaga?”

Febre do rato é uma expressão popular típica da cidade de Recife, que designa alguém que está fora de controle, alguém que está “danado”. E é assim que Zizo (Irandhir Santos), um poeta inconformado e de atititude anarquista, chama um pequeno tablóide que publica às próprias custas.

O personagem está sempre às voltas com o universo que criou ao seu redor. Um mundo todo particular, onde saciar os desafortunados é uma mistura de benefício com altas doses de maldade. Um dia todas as convicções de Zizo parecem ruir ao se deparar com Eneida (Nanda Costa), a consciência contemporânea e completamente periférica. As relações de Zizo entram em conflito e todos que fazem parte do jogo festivo do anarquista se manifestam de forma egoísta. O conflito entre o indivíduo e a coletividade se instaura.

22. Cinema, Aspirina e Urubus (2005, de Marcelo Gomes)

“Feliz é o bicho que come o outro”.  Mais uma atuação impecável do brilhante João Miguel nesse “road movie” brasileiro.

Em 1942, no meio do sertão nordestino, dois homens vindos de mundos diferentes se encontram. Um deles é Johann (Peter Ketnath), alemão fugido da 2ª Guerra Mundial, que dirige um caminhão e vende aspirinas pelo interior do país. O outro é Ranulpho (João Miguel), um homem simples que sempre viveu no sertão e que, após ganhar uma carona de Johann, passa a trabalhar para ele como ajudante. Viajando de povoado em povoado, a dupla exibe filmes promocionais sobre o remédio “milagroso” para pessoas que jamais tiveram a oportunidade de ir ao cinema. Aos poucos surge entre eles uma forte amizade.

23. Nina (2004, de Heitor Dhalia)

“Tudo que tem seu nome, é seu.”

Um filme que, discretamente, te fará lembrar de “Crime e Castigo”, de Doistoiévski.

Nina (Guta Stresser) é uma jovem de sensibilidade agudíssima e mente fragilizada, que procura meios de sobrevivência numa metrópole desumana. A proprietária do apartamento onde mora, Dona Eulália (Myriam Muniz), uma velha mesquinha e exploradora, parece ter prazer em esmagar a vontade da sua inquilina exaurida. Em meio aos desenhos que faz em toda a parte e vivendo a agitada cena eletrônica de São Paulo, Nina mergulha nos fantasmas de seu inconsciente até acabar envolvida em um crime.

24. O Som ao Redor (2012, de Kleber Mendonça Filho)

“Não queria dizer nada, mas tenho recebido minha Veja fora do saco plástico.”

Mais um da excelente safra de Pernambuco. A vida numa rua de classe-média na zona sul do Recife toma um rumo inesperado após a chegada de uma milícia que oferece a paz de espírito da segurança particular. A presença desses homens traz tranquilidade para alguns, e tensão para outros, numa comunidade que parece temer muita coisa. Enquanto isso, Bia, casada e mãe de duas crianças, precisa achar uma maneira de lidar com os latidos constantes do cão de seu vizinho. Uma crônica brasileira, uma reflexão sobre história, violência e barulho.

25. O Lobo Atrás da Porta (2013, de Fernando Coimbra)

“Na vingança e no amor a mulher é mais bárbara do que o homem”.

Inspirado no caso real da “Fera da Penha”. Numa delegacia, um homem (Milhem Cortaz), sua mulher (Fabíula Nascimento) e a amante dele (Leandra Leal) são interrogados. Arrancados pacientemente pelo detetive (Juliano Cazarré), um após o outro, seus depoimentos vão tecendo uma trama de amor passional, obsessão e mentiras que levará a um final completamente inesperado.

26. O Palhaço (2011, de Selton Mello)

“O gato bebe leite, o rato come queijo e eu… sou palhaço”.

Em O Palhaço, Benjamim (Mello) e Valdemar (Paulo José) formam a dupla Pangaré e Puro Sangue, que rodam as estradas do interior com a trupe do Circo Esperança. O palhaço Benjamin, porém, está em crise. Acha que perdeu a graça.

27. Baile Perfumado (1997, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira)

“Os inquietos vão dominar o mundo”.

Amigo íntimo do Padre Cícero (Jofre Soares), o mascate libanês Benjamin Abrahão (Duda Mamberti) decide filmar Lampião (Luís Carlos Vasconcelos) e todo seu bando, pois acredita que este filme o deixará muito rico. Após alguns contatos iniciais ele conversa diretamente com o famoso cangaceiro e expõe sua idéia, mas os sonhos do mascate são prejudicados pela ditadura do Estado Novo. Trilha sonora feita pelo grande Chico Science.

28. O que é Isso, Companheiro? (1997, de Bruno Barreto)

“Ordem, progresso e tortura!”

Em 1964, um golpe militar derruba o governo democrático brasileiro e, após alguns anos de manifestações políticas, é promulgado em dezembro de 1968 o Ato Constitucional nº 5, que nada mais era que o golpe dentro do golpe, pois acabava com a liberdade de imprensa e os direitos civis. Neste período vários estudantes abraçam a luta armada, entrando na clandestinidade, e em 1969 militantes do MR-8 elaboram um plano para seqüestrar o embaixador dos Estados Unidos (Alan Arkin) para trocá-lo por prisioneiros políticos, que eram torturados nos porões da ditadura.

29. Abril Despedaçado (2001, de Walter Salles)

“A gente é que nem os boi: roda, roda e nunca sai do lugar.”

Em abril de 1910, na geografia desértica do sertão brasileiro, uma camisa manchada de sangue balança com o vento.

Tonho (Rodrigo Santoro), filho do meio da família Breves, é impelido pelo pai a vingar a morte do seu irmão mais velho, vítima de uma luta ancestral entre famílias pela posse da terra. Se cumprir sua missão, Tonho sabe que sua vida ficará partida em dois: os 20 anos que ele já viveu, e o pouco tempo que lhe restará para viver. Ele será então perseguido por um membro da família rival, como dita o código da vingança da região. Angustiado pela perspectiva da morte e instigado pelo seu irmão menor, Pacu, Tonho começa a questionar a lógica da violência e da tradição. É quando dois artistas de um pequeno circo itinerante cruzam o seu caminho.

30. O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006, de Cao Hamburger)

“Quando o vi eu soube o que queria ser quando crescer. Queria ser negro e voador.”

  1. Mauro (Michel Joelsas) é um garoto mineiro de 12 anos, que adora futebol e jogo de botão. Um dia sua vida muda completamente, já que seus pais saem de férias de forma inesperada e sem motivo aparente para ele. Na verdade os pais de Mauro foram obrigados a fugir por serem de esquerda e serem perseguidos pela ditadura, tendo que deixá-lo com o avô paterno (Paulo Autran). Porém o avô enfrenta problemas, o que faz com que Mauro tenha que ficar com Shlomo (Germano Haiut), um velho judeu solitário que é seu vizinho. Enquanto aguarda um telefonema dos pais, Mauro precisa lidar com sua nova realidade, que tem momentos de tristeza pela situação em que vive e também de alegria, ao acompanhar o desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo.

31. Tatuagem (2013, de Hilton Lacerda)

“Tu tava dentro da minha xícara de café da manhã.”

Recife, 1978.

Clécio Wanderley (Irandhir Santos) é o líder da trupe teatral Chão de Estrelas, que realiza shows repletos de deboche e com cenas de nudez. A principal estrela da equipe é Paulete (Rodrigo Garcia), com quem Clécio mantém um relacionamento. Um dia, Paulete recebe a visita de seu cunhado, o jovem Fininha (Jesuíta Barbosa), que é militar. Encantado com o universo criado pelo Chão de Estrelas, ele logo é seduzido por Clécio. Não demora muito para que eles engatem um tórrido relacionamento, que o coloca em uma situação dúbia: ao mesmo tempo em que convive cada vez mais com os integrantes da trupe, ele precisa lidar com a repressão existente no meio militar em plena ditadura.

32. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014, de Daniel Ribeiro)

“Porque fica todo mundo querendo me controlar e ninguém quer que eu beije ninguém…”

Leonardo (Ghilherme Lobo) é um adolescente cego que, como qualquer adolescente, está em busca de seu lugar. Desejando ser mais independente, precisa lidar com suas limitações e a superproteção de sua mãe. Para decepção de sua inseparável melhor amiga, Giovana, ele planeja libertar-se de seu cotidiano fazendo uma viagem de intercâmbio. Porém a chegada de Gabriel, um novo aluno na escola, desperta sentimentos até então desconhecidos em Leonardo, fazendo-o redescobrir sua maneira de ver o mundo.

33. Anjos do Sol (2006, de Rudi Lagemann)

“Estima-se que cem mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente no Brasil.”

Filme daqueles que choca do início ao fim. Prepare-se.

Maria (Fernanda Carvalho) é uma jovem de 12 anos, que mora no interior do nordeste brasileiro. No verão de 2002 ela é vendida por sua família a um recrutador de prostitutas. Após meses sofrendo abusos, ela consegue fugir e sai em busca de um futuro melhor.

34. Teus Olhos Meus (2011, de Caio Sóh)

“Tem que ser imenso pra saber ser só.”

Gil (Emílio Dantas) é um jovem de 20 anos, órfão, criado pelos tios. Seu estilo de vida gera uma guerra familiar, fazendo com que Gil vá embora de casa, deixando não somente todos os seus pertences como sua segurança e o único amor zeloso que tivera até então. Com o violão nas costas, sem rumo, dinheiro ou retaguarda de amigos, Gil conhece Otávio, um produtor musical que mudará seu destino para sempre.

35. Paraísos Artificiais (2012, de Marcos Prado)

“As pessoas tiram das drogas o que elas querem”.

Ambientado nos anos 2000, Paraísos Artificiais conta a história de amor de Nando (Luca Bianchi) e Érika (Nathália Dill). O filme é narrado em três atos: o primeiro se passa em Amsterdã, para onde Nando viaja com seu amigo Patrick (Bernardo Mello) e conhece Érika, DJ internacional; o segundo, alguns anos antes, em uma rave na beira do mar; o terceiro, se passa no Rio de Janeiro, cidade natal de Nando, quando ele enfrenta problemas com seu irmão mais novo, Lipe (César Cardadeiro), e onde, por fim, reencontra Érika.

36. Eles Não Usam Black Tie (1981, de Leon Hirszman)

“É melhor passar fome entre os amigos, do que passar fome entre estranhos.”

Em São Paulo, em 1980, o jovem operário Tião (Carlos Alberto Riccelli) e sua namorada Maria (Bete Mendes) decidem casar-se ao saber que a moça está grávida. Ao mesmo tempo, eclode um movimento grevista que divide a categoria metalúrgica. Preocupado com o casamento e temendo perder o emprego, Tião fura a greve, entrando em conflito com o pai, Otávio, um velho militante sindical que passou três anos na cadeia durante o regime militar.

37. Mutum (2007, de Sandra Kogut)

“Eu tenho medo de morrer, mas só se for sozinho. Todo mundo junto eu não tenho, não!”

Baseado – e extremamente fiel – à obra de Guimarães Rosa. Mutum é um local isoldado do sertão de Minas Gerais, onde vivem Thiago (Thiago da Silva Mariz) e sua família. Thiago tem apenas 10 anos e, juntamente com seu irmão e único amigo Felipe (Wallison Felipe Leal Barroso), é obrigado a enxergar o nebuloso mundo do adultos.

38. Tapete Vermelho (2005, de Luiz Alberto Pereira)

“Pega minha mala. Pega minha sacola. É melhor pegar o Policarpo.”

Gostava dos filmes do Mazzaropi? Então você precisar ver esse belíssimo “road movie” caipira.

Quinzinho (Matheus Nachtergaele) mora em uma roça bem distante de qualquer cidade grande. Decidido a cumprir uma promessa, ele decide levar seu filho Neco (Vinícius Miranda), de 9 anos, para assistir a um filme estrelado por Mazzaropi em uma sala de cinema, assim como fez seu pai quando era garoto. Desejando cumprir a promessa a qualquer custo, Quinzinho, sua esposa Zulmira (Gorete Milagres), Neco e o burro Policarpo viajam pelas cidades em busca de um cinema que possa exibir o filme.

39. Narradores de Javé (2003, de Eliane Caffé)

“Eu sou pokemon de Jesus?”

Somente uma ameaça à própria existência pode mudar a rotina dos habitantes do pequeno vilarejo de Javé. É aí que eles se deparam com o anúncio de que a cidade pode desaparecer sob as águas de uma enorme usina hidrelétrica. Em resposta à notícia devastadora, a comunidade adota uma ousada estratégia: decide preparar um documento contando todos os grandes acontecimentos heroicos de sua história, para que Javé possa escapar da destruição. Como a maioria dos moradores são analfabetos, a primeira tarefa é encontrar alguém que possa escrever as histórias.

40. 2 Coelhos (2012, de Afonso Poyart)

“Tenho que aprender a controlar essa doideira que mora dentro de mim…”

Edgar (Fernando Alves Pinto) encontra-se na mesma situação que a maioria dos brasileiros: espremido entre a criminalidade, que age impunemente, e a maioria do poder público, que só age com o auxilio da corrupção. Cansado de ser vítima desta situação, ele resolve fazer justiça com as próprias mãos e elabora um plano que colocará os criminosos em rota de colisão com políticos gananciosos.

42. Memórias do Cárcere (1984, de Nelson Pereira dos Santos)

“Que foi? Nunca viu alguém tomando no cu?”

Nos anos 1930, o escritor Graciliano Ramos, acusado de colaborar com subversivos, é tirado de Alagoas e levado ao presídio de Ilha Grande, no Rio, onde convive com os mais diversos personagens da marginalizada população brasileira, de ladrões de galinhas a homossexuais e assaltantes. Baseado em relato autobiográfico.

43. O Homem do Futuro (2011, de Cláudio Torres)

“Então me abraça forte…”

Você pode até torcer o nariz pra esse filme, mas tem que admitir que ele diverte (muito graças às versáteis versões do personagem de Wagner Moura). Além disso, Homem do Futuro ajudou o cinema nacional a subir mais um degrau no gênero da ficção científica.

Na trama, Zero (Moura) é um cientista genial, mas arrogante e infeliz, que há 20 anos foi humilhado publicamente na faculdade e perdeu o grande amor de sua vida, Helena (Alinne Moraes). Prestes a ser demitido, Zero aciona, antes de totalmente concluído, o acelerador de partículas mais barato do mundo. O experimento dá errado, o cientista acidentalmente volta ao passado – e se vê diante da chance de alterá-lo.

44. Tropa de Elite e Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora É Outro (2007 e 2010, de José Padilha)

“Tira essa roupa preta que tu é moleque!”

A batalha travada por Capitão Nascimento (Wagner Moura) e seus comandados, seja contra os bandidos na favela ou contra os bandidos no governo, elevou o cinema nacional a um patamar grandioso.

45. São Paulo S.A. (1965, de Luis Sérgio Person)

“Recomeçar, recomeçar, recomeçar, recomeçar de novo…”

Um filme que retrata brilhantemente a angústia paulistana.

José Renato, geólogo, 35 anos, é enviado para uma pesquisa de campo durante a qual terá que atravessar o Sertão – região semi desértica, situada no Nordeste do Brasil. O objetivo de sua pesquisa é avaliar o possível percurso de um canal que será construído a partir do desvio das águas do único rio caudaloso da região. No decorrer da viagem, percebe-se que há algo comum entre José Renato e os lugares por onde ele passa: o vazio, uma sensação de abandono, de isolamento. Mas, ele decide ir em frente, seguir viagem, na esperança que a travessia transmute seus sentimentos.

Texto de João Paulo Bossolan – extraído de Papo de Homem

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