6 vezes em que Dostoiévski adivinhou o que você sente

O romance Crime e Castigo, 1866, é o livro mais emblemático de Dostoiévski, considerado pelos críticos como a sua obra-prima. A influência de Dostoiévski sobre a literatura universal do século XX foi avassaladora. Neste romance o autor desperta a expectativa de seus leitores fascinados com o destino de Raskólnikov, estudante e homicida perseguido pela memória de seu crime. Raskólnikov resolve matar uma usurária para salvar a si próprio e a sua família. Depois do crime se vê obrigado a matar outra pessoa inocente, mas sem lhe roubar nada. As dúvidas o atormentam e as conversas com o comissário de polícia é uma tormenta e, por fim, confessa o crime a uma prostituta que lhe mostra o caminho do arrependimento por meio do Evangelho. O autor consegue delimitar os intrincados problemas de liberdade da ação humana. E sugere a possibilidade de redenção pelo crime. Neste livro, Dostoiévski, com base em dados reais, constrói uma inquietante parábola de culpa e punição.

O romance começa assim: “Em uma noite de um início de julho, excessivamente quente, um rapaz saiu do quarto que ocupava na água-furtada de um grande prédio de cinco andares na travessa de S…”. Dostoiévski soube dizer com precisão o que o seu leitor esperava.

O Portal Raízes separou 6 momentos impactantes deste livro: 

1 – O homem tem tudo ente as mãos, e se deixa escapar tudo é porque tem medo 

A sabedoria popular está cheia de grandes verdades e uma delas é que às vezes o medo nos paralisa.

Não deixe algo escapar por medo se você realmente acha que vale a pena. A vida é como uma roleta russa que se encarregará de distribuir a sorte, mas nunca se arrependa do que você fez e sim do que você não fez.

Aumente o volume do vídeo, dance e ria do seu medo!

Quando você tomar decisões importantes, cruciais na sua vida, a simples satisfação de ter superado o medo que você tinha do desconhecido o fará crescer como pessoa, você se sentirá muito melhor e sentirá a sua autoestima como uma bexiga que se encheu pela alegria de ter conseguido vencer o medo.

2 – O que mais receamos é o que nos faz sair dos nossos hábitos

Ninguém nasce com um manual de instruções para a vida. Apesar de todos os conselhos úteis dos pais, professores e pessoas mais velhas e mais experientes, cada um de nós deve fazer o seu próprio caminho no mundo, fazendo o melhor que pode e muitas vezes fazer algumas coisas erradas. Bagunçar algumas vezes não é pecado. Mas se você ficar com receio de mudar hábitos com comportamentos tipo “deixa ver se consigo”, você vai perder muitas oportunidades pelo receio de sair dos hábitos convencionais.  Você ficou aborrecido e frustrado porque as suas escolhas causaram tristezas? Vá em frente, porque aquilo que tememos pode mudar o rumo da estrada que você está habituado. E sair da estrada habitual pode ser o caminho de luz que necessita para ser feliz.

3 – As coisas mais insignificantes têm às vezes mais importância e é geralmente por elas que a gente se perde

Essa afirmação do grande escritor russo Fiódor Dostoiévski em uma de suas mais belas obras: Crime e Castigo. Foram ditas pelo protagonista do livro, um jovem estudante de nome Raskólnikov, que comete um homicídio e encontra a redenção pelo crime cometido por meio de sua amizade com uma prostituta, que lhe apresenta, no Evangelho, a narrativa da Ressurreição de Lázaro. Ao ler Crime e Castigo essa frase me chamou muito a atenção, e ao trazê-la para diversas circunstâncias da vida, ela faz muito sentido e pode ajudar-nos a refletir e a vivermos melhor.

Quando pensamos nos grandes problemas e dificuldades que enfrentamos, logo tentamos buscar a causa dessas situações. Buscamos na memória o que fizemos para que tal mal acontecesse.
Nessa hora, geralmente, nos esquecemos de que as situações difíceis na nossa vida quase sempre são frutos das pequenas circunstâncias. Por exemplo: Um casal não se separa por causa de uma briga, mas por problemas não resolvidos no dia-a-dia, os quais vão se acumulando e se tornando grandes. Da mesma forma, um jovem não se vicia do dia para a noite, mas começa com um baseado hoje e vai aumentando a dose e usando drogas mais fortes, gradativamente. Assim uma pessoa não se torna cheia de dívidas de repente, ela faz empréstimos para dívidas pequenas e, antes de quitá-las, continua comprando e comprando. Por isso que um ato de aparência insignificante faz a gente se perder do caminho da normalidade da vida.

4 – O erro é uma coisa positiva, porque, por ele, descobre-se a verdade

Desde cedo somos programadas para achar que o erro é ruim. Toda criança descobre que admitir o erro significa pagar por ele. É por isso que poucas culturas aceitam o erro como benefício para aprender com ele e revelar a verdade. Mas, o que é a verdade?  O conceito de verdade como revelação pode ser encontrado entre os empiristas e teólogos. Os empiristas defendem que a verdade representa aquilo que, imediatamente, se revela ao homem. Os teólogos, que a verdade é a evidência manifestada nas coisas e que o princípio de todas as coisas é Deus.

A Filosofia procura, desde suas origens, a verdade diante do erro. Um exemplo de que o erro não é, necessariamente, negativo é contado pela insistência de Thomas Edison, o inventor da lâmpada. Sua principal lhe deu muito trabalho e de erro em erro descobriu, finalmente, o fio de algodão carbonizado que sublimou os erros cometidos antes com a ideia luminosa, acesa em 21 de outubro de 1879, há 136 anos.

5- É impossível se calar quando se sente, quando se tem a convicção absoluta de que se poderia ajudar a fazer luz

Deixar de falar na hora oportuna e da maneira adequada, é esconder a luz. Omitir-se por medo no momento de defender a verdade é covardia

A palavra deve ser usada com maestria. Fale com sinceridade, reaja com bom senso, sem exaltação e sem raiva. Expresse sua opinião com cautela, depois que entender bem o que está em discussão.

Numa crônica de Reinaldo Azevedo sobre este tema, ele diz: “Atribui-se a Martin Luther King uma frase de valor inquestionável”: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.  “Um texto do pastor Niemöller, que cometeu o equívoco de ser simpatizante do nazismo no começo do movimento — e veio a se tornar seu adversário radical, tanto que foi parar num campo de concentração —, expressa esse mesmo valor. É muito citado, mas, com certa frequência, atribui-se a autoria a Maiakovski ou a Brecht”.

“Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar”.

6 – Quando chega o grande momento, cada um mostra quem verdadeiramente é

A vida oferece, durante a vida, o grande momento para que você tome a decisão que vai revelar do que você é capaz.

E a decisão tomada poderá definir o seu próximo momento.

Se a decisão for feliz, seus momentos futuros lhe trarão felicidade. Se não, as horas seguintes lhe darão notícias desagradáveis.

Assim é a vida: feita de momentos… Momentos de decisão…

Que seja este, portanto, o grande momento de revelar quem você é de verdade. Se o seu grande momento ainda não chegou, aguarde, se prepare para fazer bonito quando ele bater a sua porta.

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Doracino Naves
Jornalista, diretor e apresentador do Programa Raízes Jornalismo Cultural.




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