Nós também fomos abusados sexualmente e denunciamos. Denuncie já!

Sempre ouvimos falar de abuso sexual. O assunto é sussurrado como sussurradas são as falas acerca de quaisquer ‘tabu’. Principalmente a maioria das mulheres sofreram algum tipo de abuso sexual desde a infância até a fase adulta. Posso falar por mim mesma. Sofri abuso sexual aos 9 anos e o que eu ouvia era: “Se você contar, eu mato a sua mãe”.
O autor dessa maldita frase deixou-me marcas muito além de suas ameaças. No meu último romance, “O Cortador de Hóstias”, trato desse tema angustiante. Escrevi para ficar livre das angustias sofridas. Escrevi não apenas por mim, mas por todos e todas que sabem bem o que é ser o alvo de desejo de um molestador. Assim como Mary Shelley em “Frankenstein”, criei um ‘monstro’ para que eu pudesse odiá-lo e fazer com que o mundo o odiasse também ainda que nele, talvez, existisse um mínimo de bondade para com aqueles que o cerca. Contudo, creio, nunca se pode ser bom esmagando os outros.

O abusador é, como se sabe, na maioria das vezes, um ente muito próximo e num conceito genérico, ‘boa gente’.  Mas hoje não há mais o terror da convivência de que: “Se você é abusado é por culpa sua”. O acesso a câmera do celular tem facilitado a vida de muitos abusados. Assisti um vídeo que uma menina de 8 anos fez. Menina valente, levou o vídeo e entregou para uma tia e esta tomou as providências. A UNICEF trabalha a campanha:

Como denunciar casos de violência sexual  –  Disque 100″.

Muitas pessoas, dentre elas – celebridades,  foram possuídas por essa coragem de falar sobre o assunto, de denunciar e de abraçar a causa. Os tempos são outros e agora temos as redes sociais que encoraja o abusado a denunciar e desencoraja o abusador a praticar o ato. Por isso vamos aproveitar essa arma poderosa e usá-la a favor do bem de tantos. A denúncia não apaga o passado de dor, mas libera a pessoa das constantes angustias mentais e lhe motiva a buscar ajuda.

A fotografa Grace Borwn está desde 2011 trabalhando no projeto “Unbreakable”, onde capta imagens de vítimas de abusos sexuais segurando cartazes com frases ditas por quem as violou.
A ideia é acabar com o estigma de que, quem é molestado tem alguma culpa pelo horrível ato.  Até hoje, já foram fotografadas 400 pessoas, mulheres e homens, mas Brown garante que continua a receber milhares de contatos de pessoas que foram abusadas sexualmente. O projeto é arrepiante. Causa um enorme impacto em todos os que o veem, e mostra alguns dos sentimentos que permanecem nessas vítimas.
Veja 9 das imagens com a tradução do que está nos cartazes:
  1. “Os teus pais foram jantar, mas não te preocupes, eu tomo conta de ti”. 

2. “Para de fingir que você é um ser humano”.

3.”Isto fica entre nós”.

4.”O que temos é tão especial, as outras pessoas não vão perceber”.

5.”Você é uma criança má. Lembra que você quem começou”.

6.”Você está gostando?”.

7.”Não se preocupe. Os rapazes gostam disso”.

8.”Dá-me um beijo de boa noite”.

9. “Ninguém vai acreditar em você. Sou o seu marido, é a sua palavra contra a minha”.

 

“Tudo o que o inferno significa está contido nesta frase: “não conte nada sobre nós ou eu mato a sua mãe” –  Violência sexual é crime. Denuncie!” Clara Dawn
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Clara Dawn
Psicopedagoga e escritora. Como psicopedagoga é autora do projeto: "A drogadição na infância e adolescência numa perspectiva preventiva aos transtornos mentais e ao suicídio". Como escritora já publicou 7 livros. Dentre eles: O Cortador de Hóstias (Romance), Alétheia(Romance) e Sófia Búlgara e Tabuleiro da Morte (Crônicas de prosa poética). Clara Dawn também produtora de conteúdo da marca Raízes Jornalismo Cultural.




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