O ator Eddie Redmayne no papel de Lili Elbe

O que podemos apreender com a vida de Lili Elbe e o filme A Garota Dinamarquesa?

Eu não gosto de ir ao cinema, principalmente em shopping. Nada se compara à tranquilidade do meu lar para ver um filme. Mas tinha que assistir A Garota Dinamarquesa antes do Oscar, e saí estarrecido do cinema. Que filme incrível! Que história memorável! Que mulher guerreira foi Lili Elbe e sua companheira Gerda Wegener que, também, foi exemplo de amizade. Se para muitas pessoas, nos tempos atuais, é difícil aceitar um parente transsexual, imagine em 1926. Eu nem sabia que se tratava de uma história real até chegar nos créditos finais, e isso me deixou mais perplexo e apaixonado por ela.

O que Lili Elbe fez foi de uma coragem indescritível! Em 1926, dizer que não se sentia bem com a sexualidade que nasceu era ser taxado de esquizofrênico, anormal e muitas outras coisas que só quem viveu à época pôde sentir. Mas a partir do momento que ela reconheceu sua verdadeira identidade, enfrentou tudo e todos pra viver seu coração.

E o que a história dela tem a ver conosco? Tudo! Quantas vezes vivemos uma vida que não é a nossa por vergonha de sermos quem realmente somos? Quantas vezes colocamos nossas verdades na gaveta por simplesmente termos receio de decepcionar familiares ou amigos? Na minha opinião, quanta covardia! Estamos numa era onde a liberdade vive seu ápice e ainda assim nos rendemos a caprichos familiares ou sociais, baseados em conceitos preconceituosos disfarçados de religião. Até quando vamos aguentar viver a vida para os outros? Até quando vamos nos desrespeitar?

Não estou dizendo que é fácil lutar. É difícil mesmo! Mas nenhuma conquista vem fácil ou com receio do que os outros vão pensar. Inúmeros homossexuais e transsexuais são agredidos diariamente por simplesmente serem o que são. Mas pergunte a qualquer um deles se isso enfraquece a vontade de lutar contra o preconceito: o ‘não’ será unânime. Se eles se escondessem por medo da vida, a liberdade com certeza não estaria no nível que está.

O problema é que não somos educados a ser originais. Já nascemos para satisfazer as expectativas de alguém. E isso começa desde muito jovem, quando o porque não e pronto! é proferido; quando o azul é para meninos e o rosa é para meninas; quando a boneca é coisa de menina e o carrinho é brinquedo de menino; dentre outras coisas. Ninguém ensina a ser original porque isso provavelmente causaria um alvoroço enorme ao lidar com mentes distintas. E, honestamente, como ensinar aos outros se nem nos conhecemos direito? Pessoas iguais são fáceis de se controlar e manipular.

A verdadeira Lili Elbe, em 1926.

Não poderia terminar esse texto sem dizer muito obrigado, Lili Elbe! Por sua bravura, por respeitar tanto seu amor próprio, e por buscar a única verdade que importa: a do espírito. Recentemente li uma frase que dizia: “Gays e Trans, por favor, saiam urgentemente do armário. Precisamos deles pra trancar os preconceituosos”.

Acho que isso resume qual nosso papel perante a sociedade, né? Não podemos censurar uma felicidade genuína para darmos voz a uma ditadura invisível que tenta ser aplicada pela mente mesquinha de alguns seres humanos. O amor sempre vence, mas ele não trabalha sozinho. Ninguém ganha uma batalha colocando o medo em primeiro lugar. Seja sua própria Lili Elbe.





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