Novo participante de A Fazenda, Marcos, agredindo verbalmente Emily

A televisão precisa parar de dar holofote para agressores de mulheres

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Considerando mais de um distúrbio psicológico, os homens agressores possuem características comuns que os tornam violentos. A violência contra a mulher nas relações do casal é um problema que, apesar de amplamente estudado e divulgado, continua sendo notícia recorrente em muitos países.

As alarmantes estatísticas – cujas histórias são piores do que o relatado nos filmes – aumenta o interesse dos psicólogos em estudar o modo de agir dos agressores.

Pesquisadores desta área reúnem as características clínicas dos homens que cometem violência contra a mulher. Tais estudos permitem construir o “perfil dos agressores” com sinais de instabilidade emocional. Doenças psicológicas significativas. Os principais sintomas de um quadro de doença psicológica é a alteração do seu nível psicológico. Segundo o psicólogo Roberto Magalhães “perturbações, alterações na memória, lentidão de pensamento, pensamentos conturbados e desconexos, crises de fúria, crises de tristeza, raiva, choro, enfim, muitos são os sinais que podem apontar para um quadro de doença psicológica”.

A televisão, vitrine  para à agressão contra a mulher

Assim como qualquer reality show que confina diversas pessoas numa casa e as vigia 24 horas por dia, “A Fazenda” tem um objetivo muito claro: gerar audiência através da polêmica. Até aí, nenhuma novidade, e é aquela velha história: assiste quem quer. Acontece que a gente não pode ignorar um detalhe muito importante: dar holofote para agressores de mulheres é um problema sério. E a Record está fazendo isso mais uma vez.

Assim como na primeira edição do programa – em que Dado Dolabella, mesmo com histórico de abuso, foi não apenas um participante, como também sagrou-se vencedor -, agora temos outros dois homens que já tiveram que acertar as contas com a Justiça por conta de violência contra a mulher: Marcos Harter e Yuri Fernandes, ambos ex-BBBs.

Marcos chegou a ser expulso do BBB, depois de mostrar-se agressivo com Emilly Araújo, com quem estava ficando na casa. Na ocasião, ele foi indiciado a depôr e o Ministério Público realizou uma denúncia formal contra o médico.

Já Yuri, que participou do reality da Globo em 2012, foi preso em flagrante três anos atrás, após agredir sua namorada na época, ele ficou apenas um dia preso e foi liberado após pagar fiança.

No caso de Marcos, as agressões e o desenrolar jurídico foram amplamente noticiados e, para a surpresa de ninguém, o cara está aproveitando o programa para difamar Emilly sempre que pode. Num dos momentos mais perturbadores, ele disse que teve medo de que Emilly tentasse incriminá-lo por estupro – como se inventar casos de violência sexual fosse uma cartada que as mulheres usam para se vingar.

Sabemos que com currículos como os deles, ambos provavelmente se dariam bem mal se resolvessem voltar a agredir mulheres dentro de um ambiente vigiado por câmeras, mas a questão não é essa. O ponto é que, com a escalação dos dois para o reality, a emissora reafirma o quanto a violência contra a mulher é tratada como algo sem importância(comum e banal) no Brasil.

A atitude da emissora em relação a um relato de agressão foi muito criticado. Uma das integrantes do programa teve o áudio cortado bem na hora em que estava falando sobre as agressões físicas que sofreu durante quatro anos em um antigo relacionamento.

Por fim, sabemos que a banalização da violência contra a mulher não é algo que está inserido somente nesse programa e que o reality faz eco a um problema de toda a sociedade. Prova disso é que o público já coroou Dado Dollabela como vencedor do programa, um ano depois de ele ter sido condenado por agredir Luana Piovani.

Só que isso não isenta a responsabilidade da emissora em reafirmar tal banalização mais uma vez. E esse é um problema que vai muito além do bom e velho “quem não gosta está livre para mudar de canal”. O posicionamento da emissora, tem um peso sócio-cultural imenso, que vai muito além da questão referente ao bom ou mau gosto da programação de TV.

Até quando será aceitável passar por cima da dor de tantas mulheres – e estamos falando das vítimas de violência doméstica como um todo, não apenas de Emilly, Angela e Luana – em nome da audiência pautada na polêmica?

Fonte: M de Mulher

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