by VanadiumTaintedBeryl

O que você faz da sua ansiedade: alavanca ou flecha?

Nossa imaginação convive com dois tipos de ansiedade: o tipo que nos previne quanto aos perigos do futuro; este é bom porque nos leva a agir rápido para expulsar a ansiedade maléfica. O outro, ruim, não valoriza ‘o presente’ que recebemos a cada manhã. E, pior ainda, recusa o ‘presente’ ao tentar controlar o futuro. A ansiedade é a armadilha do cérebro preguiçoso para tirar a vontade de fazer já.  Então, sem essa mania de sofrer por antecipação; roendo as unhas com a fome da ansiedade. Este hábito doi na mente e no dedo.  Como dissemos, há dois tipos.

Vamos iniciar pela ansiedade positiva que nos leva a caminhar no agora. Então, a primeira observação que faço é no sentido de nos concentrar no presente; nem no passado, menos, ainda, no futuro. Outra coisa: Cada tarefa por vez, nada de fazer lista de objetivos para cumprir. Isso é tortura mental. Faça, uma a uma, a tarefa que está a sua frente e, somente depois de concluída, vá à seguinte. Antes, porém, comemore, celebre, e deixe sair um “urra!” pelo resultado. Se tiver vontade, pule de alegria! Por que, não?  Você verá que a angústia se resolve quando realiza. Pensar nas dificuldades do futuro é um erro natural do ansioso. Controlar a ansiedade boa é eliminar a ruim. Porque o imaginário nem existe; não é.

No primeiro momento devemos treinar o cérebro para entender a ansiedade ruim como sinal de alerta e agir rápido, ‘na hora!’.  O acúmulo de metas, muitas vezes irrealizáveis, nos leva ao transtorno da ansiedade negativa. A aflição imaginária é somente um devaneio da mente. Entenda o ‘presente’ como convite, oportunidade, privilégio para romper a treva ameaçadora da ansiedade. Cada coisa na sua hora, “cada macaco no seu galho”, diz a cultura popular.

A seguir vemos a ansiedade negativa a nos conduzir ao passado. Esconder no que ‘já foi’ é sinal de perigo porque nos leva à melancolia e, até, em muitos casos, à depressão. Alguns ansiosos – e eu me vejo nesse tipo, sou adicto neste assunto – voltam sempre ao passado, em razão de que lá é fácil controlarmos o começo, meio, e fim. Baseado nisso o final mostra saídas mágicas. Nesse caso a ameaça se transforma em fantasmas aterrorizantes. É comum acordarmos às cinco horas da madrugada com alarme falso a nos virar de um lado ao outro, sem sossego. Na cama não se resolve a maioria dos problemas que enfrentamos no dia a dia.   Com o agravante de que a ansiedade habitual é o esconderijo do hoje. Por isso, não desejo continuar assim.

Ansioso é o sujeito que, em todas as circunstâncias, tenta equilibrar a vida com a mente. E a ansiedade leva o coração a um tempo imaginário. Por isso sofre pelo futuro de incertezas. Isso é terrível. Quando essa dúvida surge para o homem comum, seja  na roça ou na cidade, podemos ouvir a sábia lição: “O futuro a Deus pertence”.  Pois é, somos fracos e incapazes para controlar o futuro. Então, vamos viver e agir no presente.

Como diz Adriano Silva, o Executivo Sincero, da CBN: “Só se ocupe do futuro quando ele se transformar no hoje”. Ótimo conselho para quem é ansioso. Vou encerrar com a esperança de uma canção, de autoria de Tavito, Paulo Sérgio Vale e outros: 

Nossos passos pelo chão
Vão ficar
Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhecer.

 

TEXTO DEDoracino Naves
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Doracino Naves
Jornalista, diretor e apresentador do Programa Raízes Jornalismo Cultural.




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