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Cantos do Brasil, recanto de todos nós – Por Álvaro Catelan

A Viola Caipira

Revisitar o canto da viola e da juriti, na tarde calma do sertão. Revisitar o sertão que se perde neste mundo afora de meu Deus para ser resgatado e retratado na sina de um violeiro e no toque de um berrante que fere a solidão sertaneja. Um sertão que infelizmente nem todos conhecem. Por isso quero presentear o modesto retrato musical do mundo caipira, buscando retratar a poesia comprometida que nasce da terra e de todos os ponteados que ferem a solidão do campo, a imensidão da noite por planaltos e sertões brasileiros. Falemos, pois, da viola caipira, o instrumento mais emblemático da cultura popular brasileira.

Viola caipira é, sem sombra de dúvida, senão o mais importante, um dos mais populares instrumentos da cultura brasileira, sobretudo nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Isto sem esquecer o Nordeste, região onde a viola caipira, chamada de viola nordestina ou viola sertaneja, apresenta algumas variantes. Vale observar ainda que a mesma viola caipira pode ser conhecida como viola cabocla.

Sua origem remonta aos Séculos XV, XVI e XVII, quando teve presença marcante em Portugal. Foi com os colonizadores e jesuítas portugueses, no Século XVI, que a viola chegou ao Brasil com o nome de vihuela, utilizada para acompanhar canções e pequenos solos. Entre nós foi assumindo novas características, que iam desde o seu formato até suas afinações. Anos depois, já nas mãos de nosso caboclo, passou a ser conhecida como viola. A partir dessa mudança, esse instrumento rústico se transformou num símbolo de resistência, capaz de traduzir, de forma muito clara e poética, todo o sentimento humano. A viola, em toda a sua singeleza, expressa amor, tristeza, alegria, religiosidade, misticismo, saudade e solidão, sentimentos que habitam a alma do homem do interior brasileiro.

A viola caipira teve sempre presença marcante nas Cantorias de Devoção, Cantorias de Diversão, Cantos de Trabalho ou, mais claramente, na Moda de Viola, na Catira, na Congada, na Curraleira, na Cana Verde, no Fandango, no Cururu, na Folia de Reis, na Folia do Divino e em tantas outras manifestações do folclore brasileiro. Devemos observar que é muito comum, também hoje, a presença da viola caipira na MPB, o que não deixa de dar um colorido muito especial aos arranjos.

Sobre esse instrumento, o violeiro e pesquisador Roberto Corrêa publicou uma a significativa obra: “A Arte de Pontear Viola”, (Ministério da Cultura/ Brasília/2000), fazendo um levantamento completo a respeito deste instrumento, desde os aspectos históricos envolvendo origens e transformações, passando pelas diversas afinações, técnica de execução e assim por diante.

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