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Como a ciência e a psicanálise veem a chamada ‘cura gay’

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A decisão liminar do juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho que permite aos psicólogos oferecerem tratamento contra a homossexualidade não é o único caminho para a “cura gay” avançar no Brasil. Há na Câmara um projeto de lei que busca permitir tal tipo de “tratamento” por parte de psicólogos sem que esses sejam punidos.

O projeto de lei em discussão é o 4931 de 2016, apresentado por Ezequiel Teixeira (PTN-RJ). O texto propõe um decreto legislativo que autoriza a aplicação de uma série de terapias com o objetivo de “auxiliar a mudança da orientação sexual, deixando o paciente de ser homossexual para ser heterossexual, desde que corresponda ao seu desejo”.

Na justificativa do projeto, Teixeira afirma que “a homossexualidade causa diversos transtornos psicológicos” e diz que a “mudança de orientação sexual encontra-se cientificamente comprovada”, o que não é verdade. Não há nenhuma evidência científica, no Brasil ou no exterior, que aponte que terapias podem reverter orientações sexuais. (Fonte)

A sexualidade à luz da psicanálise – Segundo Freud

Nestes tempos em que um juiz deseja patologizar a sexualidade. A Psicanalista Ana Suy Sesarino escreve “Freud é maravilhoso porque ele não cai no discurso fácil de dizer que a homossexualidade é natural e que por isso deve ser acolhida. Freud é maravilhoso porque ele subverte esse raciocínio, ele diz que a sexualidade humana – de todos! – é perverso-polimorfa”.  É numa linda nota de rodapé do texto “Três ensaios sobre a sexualidade” (que é um texto de 1905, senhoras e senhores, escrito há 112 anos!) que Freud diz: “Do ponto de vista da psicanálise, o interesse sexual heterossexual também constitui um problema que precisa ser elucidado, pois não é fato evidente em si mesmo, baseado em uma atração afinal de natureza química”.

Entendem? A sexualidade não é natural, não é uma condição biologicamente confortável, para nenhum ser falante. A sexualidade é traumática para todos: homens, mulheres, gêneros fluidos, trans, homo, hétero, assex, bi, seja lá o que for. Cada ser que é afetado pela linguagem precisa dar conta do estranho em si mesmo, que é a sexualidade de cada um.

Agora, quando eu vejo a gente discutindo questões sexuais tão primitivas com relação a uma possível “reorientação sexual” (ainda que fosse possível um hétero virar homo, um homo virar hétero etc, qual seria a função disso?), em pleno 2017, fico ainda mais boquiaberta com o desejo decidido de Freud pela psicanálise!

Imaginem só o que ele precisou sustentar quando escreveu esse texto, postulando 3 tipos diferentes de homossexualidades, sem patologizar, em um tempo em que a homossexualidade era considerada uma patologia. Um tanto mais pra frente, ainda sustentando sua teoria de que o ser humano tem uma predisposição à bissexualidade (ou seja, não há biologia que garanta que alguém será homossexual ou heterossexual), referindo-se aos fiscais da sexualidade alheia, Freud escreve no texto “Análise terminável e interminável”, de 1937: “Não existe maior perigo para a heterossexualidade de um homem do que ser perturbado por sua homossexualidade latente”. Por Ana Suy

A Homossexualidade segundo a ciência

Independentemente das opiniões individuais sobre o assunto, o projeto da Cura Gay é real e quase fez parte de nossa realidade em pleno século XXI. Por mais espanto que projetos e outras medidas que visam “transformar” a orientação sexual de um indivíduo possam causar, a existência deles sinaliza a necessidade urgente de se debater sobre o assunto. Algumas pessoas não estão esclarecidas sobre o assunto, então vamos refletir sobre o que tudo o que está acontecendo significa para a sociedade e para os indivíduos a que se referem as atuais notícias.

A homossexualidade é considerada uma doença?

Não. Desde 1973, a Associação Americana de Psiquiatria (APA, sigla em inglês) retirou a homossexualidade da lista de doenças. Depois, o órgão foi seguido por uma série de entidades de saúde.

Se não é doença, então é o quê?

Uma orientação sexual. De acordo com os pesquisadores, a APA e a OMS, não há evidências de que ser gay possa trazer qualquer questão que justifique a classificação como doença.

Mas então por que há homossexuais que procuram ajuda profissional em relação à sua sexualidade?

De acordo com Defendi, boa parte das vezes a procura dos homossexuais por terapia é para tratar consequências emocionais causadas pelo “preconceito e pressão social em negar a própria orientação sexual”.

Que tipo de consequência pode causar um tratamento que tente ‘encaminhar’ o gay para virar heterossexual?

Segundo a APA, os riscos associados a qualquer tratamento coercitivo e violento contra homossexuais incluem depressão, suicídio, ansiedade, isolamento social e diminuição da capacidade de intimidade.

Com informações de G1 e Jusbrasil.

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