Curando as feridas pelo pai ausente

O pai ausente não é só o vazio físico de uma figura que não tivemos; às vezes, é também alguém que “mesmo estando” não soube ou não quis exercer o seu papel. É uma ausência psicológica capaz de criar em uma criança diversas feridas emocionais.

Crescer sem pai, sem mãe ou sem uma figura relevante na infância em função de um fato traumático é algo que sempre carregaremos, e que deixa cicatrizes internas que procuramos superar.

Contudo, o fato de crescer junto a uma figura paterna que, apesar de estar, é incapaz de contribuir com plenitude, carinho ou reconhecimento, deixa correntes de vazio no coração de uma criança que está aprendendo a construir o seu mundo.

Há quem diga que o peso da criação, do cuidado e da educação recai sobre a figura materna. Não se pode negar a sua importância na hora de criar esse carinho saudável com o qual dar segurança a cada um dos nossos passos.

Agora, o pai também é importante neste processo, e isso é algo que ninguém pode negar; mas… o que acontece quando no seio familiar existe um pai ausente que não estabelece vínculo algum com seus filhos?

– O cérebro de uma criança é um ávido processador de estímulos, e no seu dia a dia precisa de estímulos positivos para poder crescer de forma madura e segura.

– Um pai ausente produz incongruências, vazios e dificuldades no contato com os outros. A criança espera carinho, comunicação e uma interação diária com a qual se abrir ao mundo também através do seu pai. Contudo, só encontra muralhas.

– Um trato vazio e esquivo gera ansiedade nas crianças, não sabem “a que se apegar”,desenvolvem expectativas que não se cumprem, e tendem além disso, a comparar “pais alheios” aos que eles têm em casa. Sabem que os pais dos seus amigos agem de modo diferente do seu.

Que consequências a figura do pai ausente provoca na idade adulta?

Gera um desapego afetivo que torna a pessoa mais insegura na hora de estabelecer determinadas relações, podendo chegar a ser um tanto desconfiado. A ideia de projetar uma alta carga afetiva em alguém provoca medo, temor de ser traído ou não reconhecido. Ou ainda pior, ser ignorado.

A medida que crescemos, é muito provável que ganhemos consciência de muitas outras coisas. O esforço que a mãe fez para suprir as carências do pai ausente é reconhecido, e também se entende como mais de uma vez ela se desculpou com frases como…

“Você já sabe como é o seu pai”, “Não faça isso que você já sabe que o seu pai não gosta”, “É que você não o entende…”

A medida que amadurecemos, nossos olhos se abrem ao mundo e passam a ler as entrelinhas. Os gigantes viram anões porque já conhecemos os seus segredos. Contudo, uma parte de nós continua sendo vulnerável a esse passado.

Como superar as feridas do pai ausente

Você cresceu, paga suas contas, leva com orgulho a sua armadura inquebrável e sabe muito bem o que deve fazer atualmente para não cometer os mesmos erros que os seus pais cometeram com você.

Contudo, o vazio do pai ausente continua ali, e não importa se no presente você continua se relacionando com ele, ou se ele já se foi, ou se você se cala nas reuniões familiares e age como se o passado nunca tivesse existido.

    • A primeira coisa que deveríamos fazer é “entender”. Compreenda que o pai ausente é um homem que não soube exercer o seu papel de pai, porque nunca entendeu muito bem o seu papel como pessoa.
    • É muito provável que não tivesse as habilidades pessoais adequadas, uma boa autoestima, equilíbrio interior que lhe permitisse ver seus erros, seus medos e suas próprias carências.

Agora, isto justifica o que ele lhe causou? O vazio emocional que lhe deixou? Claro que não, mas a compreensão nos ajuda a nos adequar à realidade, a evitar armazenar mais emoções negativas.

– Você sabe que cresceu e amadureceu com muitos vazios por causa desse tipo de educação e dessas carências afetivas. Contudo, sempre chega o momento em que deveríamos cortar o vínculo com o sofrimento de ontem, para curar as feridas neste presente.

– Se você não teve a presença do seu pai, o mais provável é que a sua figura de carinho mais saudável e representativa fosse outra: a sua mãe, os seus avós ou inclusive os seus amigos ou companheiros conforme você crescia. Foram eles que se tornaram os seus pilares no dia a dia.

A sua família autêntica. A que importa de verdade.

Um pai não é apenas o que dá a vida, um pai é aquele que está presente, que acolhe, cuida e guia em segurança construindo cada dia um caminho de momentos significativos na vida de uma criança.
FONTEA mente é maravilhosa
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