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10 Coisas que você precisa fazer antes que o ano termine

Clara Dawn

Faltam poucas semanas para que 2017 termine.  Talvez não há mais tempo de fazer algo realmente importante. Tampouco tudo aquilo que você prometeu que faria neste ano – e não pode cumprir, mas há tempo para fazer estas coisas super maneiras e entrar 2018 com novas perspectivas altruístas, empáticas e de grande valia ao cultivo do amor próprio. Confira as 10 coisas bacanas que você pode sim, fazer ainda nas próximas semanas. A autora desta lista, vivenciou todas elas e conta a sua experiência em breves relatos.

1 – Visitar os avós (se não os tem, visite um abrigo de idosos, leve jujubas diet e bonecas de pano)

Eu tenho uma avó e ela está com 95 anos. Ela é o ser humano mais completo que conheço. Ativa – costura roupas para doar aos carentes, sempre grata a Deus por tudo e já se casou 6 vezes. Ela é alegre e braba também. Sempre que preciso de uns puxões de orelha por achar que minha vida está pesada demais, vou visitá-la e ela me dá umas boas broncas. Fico boa logo. Como não? Desta vez, levei jujubas diet e uma boneca de pano que ela nomeou de Maria Rita em homenagem ao rei Roberto Carlos. Ela ficou tão feliz com a boneca que eu achei que fizera uma coisa muito legal.  Sai de lá, feliz.

2 – Fazer (com testemunhas) um tipo de loucura que quem lhe conhece jamais imaginaria que você fosse capaz

Fui com as minhas irmãs jogar sinuca num boteco de uma cidadezinha do interior. Minha mãe pagou a conta e a gente fez uma bagunça no local. Quatros loucas citadinas com diplomas de nível superior dando gargalhadas, errando todas as tacadas e dançando o tema de Titanic. Foi uma noite inesquecível. Não para minha mãe que pagou a conta, mas a gente se divertiu como nunca. Saí de lá, renovada.

3 – Assistir três filmes idiotas com gente que sabe rir de coisas idiotas

Assisti com minha filha numa tarde só: ‘Cada um tem a gêmea que merece’; “Debi & Lóide e ‘Tudo para ficar com ele’. Acreditem, assistir a filmes idiotas vale por um mês de terapia. Cada gargalhada espontânea que você dá é uma dose de serotonina no cérebro. Saí de lá, leve.

4 – Visitar uma floricultura, conversar com a vendedora sobre as flores e não comprar nenhuma

Comecei a fazer uma nova meditação antes de dormir: 20 exercícios de respiração e depois uma prece assistida pelo espiritualista Bruno J. Gimenes. Ele orienta que devemos ter o contato com a natureza por alguns minutos pelo menos uma vez por semana. E é aí que entra a floricultura: quando não se tem acesso a parques e campos, a gente vai numa floricultura mesmo.  Fui e gostei bastante da experiência. Difícil foi sair de lá sem comprar coisa alguma, mas o desapego faz parte do tratamento de cura interior. Então, sem compras naquele dia. Saí de lá, rediviva. 

5 – Ir a um restaurante e brincar com todos: desde o recepcionista, o garçom e as pessoas da mesa ao lado

A dor existe e é inevitável. Acontece pra amaciar a face – isso quando se compreende ser apenas mais um dentre tantos. Mas se a dor enrijece as faces, é sofrimento por vitimar-se no monopólio da desgraça. O sofrimento na dor é perfeitamente evitável: e não adianta trocar os sapatos na crença de que outros lhe serão mais confortáveis – creia – o sofrimento não vem dos sapatos, mas da importância que se dá aos calos. Essa dor que enrijece as faces e nos transforma em seres empedrenidos e mal educados com os demais é um direito que não devemos fazer o uso. Então, eu faço deste tópico um ritual autoimposto. E sempre que vou a qualquer lugar, desde a padaria ao estádio de futebol, brinco e sorrio com e para os atendentes. Quem ganha com isso? Sempre eu.  Saio de lá, contente.

 6 – Chamar os seus três melhores amigos para saírem às ruas com uma placa: preciso de um abraço

Fizemos isso num parque de diversões em minha cidade. As reações das pessoas são incríveis e emocionantes. Elas se entregam num abraço. Um abraço tem o poder de descongelar um iceberg. As pessoas precisam ser abraçadas e quem lhes abraça precisa mais ainda. O abraço é uma força indelével contra a melancolia . Saí de lá, transformada.

 7 – Doar sangue ou médula óssea

É preciso doar risos e sangue. Doar risos e sangue é doar vida e energia. Eu sou doadora de sangue e de riso porque solidariedade não é doar o que te sobra, mas o que também te faz falta. Saio de lá, viva.

8 – Sentar-se com uma criança de 5 a 9 anos e pedir-lhe um conselho sobre algo que você considera muito difícil de resolver

Dostoiévski em Crime e Castigo, diz que a alma se cura ao lado de uma criança e que não há melhores conselheiras do que elas. Além de que são ótimas guardadoras de segredos. Eu tenho um neto de cinco anos e a minha conversa foi com ele. Perguntei-lhe sobre o que ele faria se fosse eu que haveria de decidir se pedia ao juiz que ele viesse morar comigo. Então ele me disse: “eu perguntaria para ao juiz se você pode ir morar comigo e a minha mãe”.  Saí dessa conversa, lúcida.

9 – Visitar o túmulo de ente querido

Independente de crendo religioso ou superstição, faz-se necessário. Acredite, é libertador sentar-se ao lado da sepultura e dizer tudo que sente como se a pessoa pudesse lhe ouvir. Chorar, segurar a punhado de terra, tocar as pétalas das rosas e depois narrar algumas cenas engraçadas vividas por você e o ente. Fui visitar a sepultura do meu filho dois anos depois de sua ‘automorte’. Depois de chorar imenso passei alguns minutos rindo de suas travessuras infantes e juvenis. Saí de lá, em paz.

10 – Se confessar 

Eu não sou adepta a nenhuma religião. Sou estudiosa da espiritualidade e gosto das meditações sob o som de Chopin. Mas considerei o convite de um amigo à confissão, bastante interessante. Não em um confessionário tradicional, mas com uma autoridade religiosa disposta a ouvir seus lamentos culposos só pela razão de ser aquele que sabe ouvir sem julgar.  Foi muito gratificante poder falar de modo aberto sobre meus erros, vergonhas, medos, culpas… com aquele estranho que eu jamais voltarei a ver. Um abraço, um Deus te abençoe e vai e não peques mais.  Simples demais? De jeito nenhum. O quanto de verdade sobre nós mesmos somos capazes de aguentar? Quando alguém nos fere com a verdade, somos impelidos à agressividade verbal e até física. Nossa mente não foi programada para verdade, mas para aceitar as mentiras como alívio da consciência. Então, num momento de confissão a gente pode se despir deste nosso ‘eu camaleão’ que se adapta a tudo e a todos, que se camufla para ser aceito e enfim aguentarmos por alguns instantes toda a verdade sobre nós mesmos sob a lanterna de um estranho agente da bondade e do perdão. Saí de lá, perdoada

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Clara Dawn

Psicopedagoga e escritora. Como psicopedagoga é autora do projeto: “A drogadição na infância e adolescência numa perspectiva preventiva aos transtornos mentais e ao suicídio”. Como escritora já publicou 7 livros. Dentre eles: O Cortador de Hóstias (Romance), Alétheia(Romance) e Sófia Búlgara e Tabuleiro da Morte (Crônicas de prosa poética). Clara Dawn também produtora de conteúdo da marca Raízes Jornalismo Cultural.


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