2 filmes que nos ensinam a sorrir mesmo quando tudo doi

1 – Intocáveis – Escrito e realizado por Olivier Nakache e Éric Toledano, com François Cluzet e Omar Sy

Na França, esse filme estourou todos os patamares de bilheteria enquanto esteve em cartaz. É um produto comercial, tem uma fórmula americanizada, trata-se de um feel good movie que nos protege do tédio enquanto acontece. Baseado em fatos reais, “Intocáveis” é um longa que aposta no clichê, na junção de mundos opostos para confeitar sua narrativa. E o clichê nunca é um problema quando não tenta esconder isso do público, quando a intenção, mesmo que óbvia, consegue emocionar sem ser apelativa. É sobre alguém que vai ter que limpar a bunda do chefe, literalmente, mas fará disso uma divertida cagada.

A história aborda o encontro de um homem riquíssimo e tetraplégico (Philippe) com um rapaz ogro e fanfarrão (Driss) que se candidata a cuidar dele. Poderíamos partir pro bom e velho dramalhão, aquele que vai cozinhando nossa tristeza e nos atinge com um golpe de misericórdia no final. Mas em “Intocáveis”, uma das grandes sacadas é inverter as possibilidades comuns e nos fazer rir do que deveria ser trágico. Inicialmente, aos dois protagonistas falta a leveza, um peca pela falta de sutileza no jeito, o outro carrega o peso de um futuro pessimista. Juntos, eles vão se lapidando de forma gradativa e sutil (?), num encontro transformador, algo mais do que esperado, mas não menos empolgante.

Philippe acaba se rendendo ao carisma de Driss, que desde o início mostra-se autêntico, convencido e providencialmente sem o perfil que ele procura. Talvez por excentricidade ou feeling, o milionário acaba escolhendo o rapaz despachado para ocupar a vaga oferecida. A pessoa errada na hora certa. Às vezes, alguém que não tem o perfil é tudo o que precisamos. Vamos descobrir mais a frente que no fundo, Philippe procurava não apenas um auxiliar, mas um companheiro de aventura, um parceiro que tivesse o dom da bagunça.

Intocáveis é um filme cítrico e ao mesmo tempo adoçado. Pode ser uma lição de autoajuda ou uma obra estimulante para quem gosta de piadas incorretas.  Faz um bom contraste ao juntar um homem de vida simples, mas bem aproveitada dentro do possível, com outro que transborda riqueza, mas está fadado a uma cadeira de rodas. Daí vem um bom questionamento: dinheiro traz felicidade? Talvez alguns discordem, mas na ordem econômica em que estamos, ele traz sim, mesmo que subjetivamente, não como um caminho único, nem de longe. Dinheiro e felicidade não são sinônimos, o dinheiro proporciona felicidade enquanto produto, dá pra comprar Milk Shake, mas é apenas uma parte, não é a plenitude, o dinheiro também cria abismos cruéis. Felicidade: penso que ela é uma aceitação incondicional do nosso momento, é conseguir amar o agora, seja pelo milagre do vento ou pela cor do céu.

O grande barato dessa comédia francesa é observar a autopiedade sendo completamente pulverizada pelos acontecimentos, trazendo um comportamento inesperado por parte de Driss, no sentido de não tratar o patrão como um coitado, ao contrário, mostrando que a deficiência pode estar no jeito de olharmos o mundo. Ao invés de focar nossa energia na falta, que tal olharmos o que temos de mais precioso dentro de nós? Não tenho a mínima noção do que é viver uma cadeira de rodas, imagino que seja uma dor bastante difícil, mas “Intocáveis” levanta um importante lembrete: todos nós temos, em pé ou sentados, a dádiva do frio na barriga. Fonte.

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2 – A vida é bela – Dirigido e protagonizado por Roberto Benigni

Durante a Segunda Guerra Mundial na Itália, o judeu Guido (Roberto Benigni) e seu filho Giosué são levados para um campo de concentração nazista. Afastado da mulher, ele tem que usar sua imaginação para fazer o menino acreditar que estão participando de uma grande brincadeira, com o intuito de protegê-lo do terror e da violência que os cercam.

O judeu Guido propõe um jogo ao seu filho Giosué, onde quem marcasse 1000 pontos, levaria um tanque de verdade para casa. O personagem, apaixonado pela vida, cria um ambiente de flores onde só tem guerra, para proteger seu filho.

A realidade era que Guido estava vivenciando momentos de horror dessa guerra e era obrigado a servir trabalhos forçados e nas cenas violentas que eram obrigados a assistir, Guido fala para Giosué que são fases do jogo ao qual eles estavam passando e quase ganhando. Na certeza de que a morte viria para ambos, o ator principal tenta não deixar que seu filho se aterrorize com o que era pra ele o destino certo. Nesse tempo, Dora fica sabendo que tanto seu marido como seu filho, estão no campo de concentração e resolve se entregar para ficar ao lado de ambos.

É retratado neste filme, as condições desumanas em que os judeus eram submetidos e Benigni, através de seu personagem soube como esconder muito bem esse sofrimento e dor de uma criança de 5 anos, seu filho. O tempo todo este pai cria a cada nova situação, elementos do jogo. Em algum momento a criança deve se esconder ou ficar em silêncio. Não deixando marcas da crueldade em sua personalidade.

Para Guido, a batalha tinha terminado, pois não sobrevive à guerra, mas salva seu filho, que era seu principal objetivo.

O final, quando chega o exército americano para libertar prisioneiros, vem acompanhado de um tanque de guerra que surge, para a criança. O jogo foi concluído e o tanque é seu prêmio prometido. Fonte.
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