Há sabedoria no silêncio: falar muito é pensar pouco

Sábio é aquele que, em silêncio, desenvolve um estado mental que o ensina a ser prudente e coerente com o que vai dizer. Nesse silêncio, pode parecer óbvio, mas quanto mais pensamos, menos vamos falar. Falar mais é pensar sempre menos.

Certamente, você já se viu em algumas situações que falou o que não deveria ou falou mais que deveria. Em momentos de crise, por exemplo, somos sempre convidados a emitir nossa opinião. Como esse momento nos obriga a avaliar, nos sentimos prontos para falar sempre mais. E é aí que precisamos ter cuidado!

Da mesma forma como não se pode apressar o amadurecimento de uma fruta sem afetar seu sabor, o silêncio também precisa de um estágio de amadurecimento. Imagine um cenário onde você é testado a dizer o que não te interessa. Mesmo sendo difícil ficar calado quando por algum motivo algo não te agrada, se você for apressado em sua fala, haverá uma grande chance de você ser afetado pelas circunstâncias externas. Ou seja, você ainda precisa exercitar o silêncio para evitar a pressa de falar, quase sempre, o que outro quer ouvir.

Sendo assim, quando o sábio é testado a dizer aquilo que o tolo quer ouvir, basta o silêncio para distorcer seu modo habitual de se impor. Por isso, quando se diz por meio do silêncio, cala a arrogância. O silêncio é uma virtude que revela o olhar dos sábios.

Em um diálogo, é no silêncio dos intervalos que nos completamos nas falas. Se você tentar se impor, na tentativa do convencimento, bloqueará todos os sentidos de quem te escuta. Falar e silenciar, é como o sol e lua: quando um está presente, o outro não está. Exercitar o diálogo é tão necessário quanto praticar o silêncio. Observe, por exemplo, quando você fala. Quando no silêncio, você deixa de refletir sobre o que vai falar, você passa a adjetivar.

Em um mundo destituído de consciência, não queremos mais o silêncio. A fala reflexiva deu lugar às artificialidades postadas diariamente nas redes sociais. Quando temos a informação, mas não nos preocupamos com a formação, falamos o que escutamos. E como a nossa capacidade de ouvir está muito baixa, temos medo de que o mundo não saiba quem somos. Com isso, não importa ser, é preciso parecer e aparecer.

Eu te convido a uma reflexão! Que o seu silêncio interior seja abastecido com palavras de bondade e de amor, pois o silêncio sem essas palavras seria um vazio absoluto. Que o seu silêncio não seja a recusa da palavra, mas a possibilidade de dizer de forma honesta, sempre considerando quem vai te ouvir, não importando quem seja. E não se preocupe com o barulho, só por meio dele é que se revela o silêncio.

“Os antigos falavam pouco, liam pouco e pensavam muito sobre o pouco que falavam e liam. Hoje lê-se muito, fala demais e pensa de menos”. Clara Dawn

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Valdimar Souza
Valdimar Souza é administrador, professor, ouvidor e um amante da filosofia. Tem como propósito de vida tocar as pessoas de maneiras diferentes, com palavras provocativas e reflexivas, com tempo e espaço dedicados a pensar e compartilhar de uma vida qualificada.




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