Mário Sérgio Cortella: O personagem Chaves como ponte para o pensar filosófico

“O Chaves, o personagem da TV,  é alguém que se inspirou em Diógenes, o filósofo pós socrático. Chaves mora num barril e Diógenes, que era um alguém da escola ‘cínica’, morava num barril e vivia nu. Porque ele não tinha propriedade alguma para não ser propriedade alguma. Se você observar na série do Chaves não há animais de estimação na Vila. Porque o único ‘animal’ de estimação é o Chaves e é o único que é livre. É o único que pode dizer o que quer. Ele não tem nada a perder. A frase ‘foi sem querer querendo’ é uma frase cínica. Cínico vem do grego: ‘cachorro’. Por isso se diz que quando alguém vive como um cachorro, solto por aí,  é cínico. Assim o Chaves ‘sem querer querendo’ vive como um cão. Mas repito, é único que é livre. E nesse ponto de vista ele é admirável.

Para ensinar filosofia tem que partir da realidade das pessoas. Por exemplo, eu posso discutir a ‘Escola Cínica’ tanto falando do Chaves com o jovem de hoje, como posso cantar Lady Gaga –  Poker Face – porque o que é ‘poker face’ se não a ‘cara cínica’? Aquela que você coloca no rosto algo que você finge. Essa ideia cria uma ponte, porque a filosofia não pode ser colocada como uma coisa inatingível. Claro que eu não posso fazer dela um pensamento raso, banal, superficial. Mas eu também não posso  deixar de criar pontes com o jovem de hoje. Por isso pensei no personagem Chaves”. Mário Sérgio Cortella

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