Jornal GGN

“Mataram o Rio Doce” – Minas Gerais e o mar de lama

Visto em vários bairros da cidade, o Rio Doce é admirado por sua largura e comprimento. Em toda a sua margem há árvores e gramas. Alguns pontos com pedras, fazendo assim um barulho de cachoeira inconfundível. Pássaros também são vistos com frequência. Lindas garças brancas e outras espécies canárias.Como seria lindo se esta descrição não tivesse sido atropelada por uma realidade devastadora. Saiba o que está acontecendo ao majestoso Rio Doce das Minas Gerais. 

Agrotóxicos, pesticidas e esgoto são os principais poluentes das águas do Rio Doce

O Rio Doce nasce numa altitude superior a 1.000m, nas serras do Complexo do Espinhaço e da Mantiqueira no estado de Minas Gerais e percorre 853 Km, correndo entre os Vales dos Rios Piracicaba e Piranga, perfazendo uma grande curva para leste na altura de Governador Valadares em direção ao litoral Atlântico do estado do Espírito Santo, onde deságua. Sua área de drenagem abrange 83.400 km2, dos quais 86% pertencem a Minas Gerais e 14%, ao Espírito Santo. 

Sua população é de 2,8 milhões de habitantes, sendo que, somente 12 cidades têm uma população acima de 30.000 habitantes, 163 municípios estão localizados na área da bacia (153 em Minas e 10 no Espírito Santo), com 70% de suas cidades tendo uma população inferior a 5.000 habitantes. 

O regime do Rio Doce é considerado como sub-equatorial, com vazões máximas em janeiro e fevereiro e mínimas em setembro (fim da estação invernal). 

A bacia não é atualmente muito explorada em termos de potencial hidrelétrico. Foi feito um estudo pela ELETROBRAS que detalha a possível formação de cerca de aproximadamente 70 reservatórios destinados a produção de energia elétrica. A produção total de todos os aproveitamentos contemplados seria próxima a 3.700 MW.

Na bacia a água é captada para satisfazer três usos principais: irrigação, abastecimento industrial e abastecimento doméstico. A degradação atual da qualidade das águas da Bacia do Rio Doce é resultante de impactos poluidores: fontes de poluição pontuais (industriais e centros urbanos) e fontes de poluição difusas (propriedades rurais, uso de pesticidas e herbicidas, atividades de garimpo, uso inadequado das terras – erosão).

Com a rápida devastação da floresta natural aumentada nos anos 40, as cargas de sólido em suspensão aumentaram acentuadamente, especialmente durante as fortes chuvas de verão, como demonstram os dados históricos.

Em levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rio Doce foi apontado como o 10º mais poluído do País. De acordo com os “Indicadores de Desenvolvimento Sustentável”, os rios Tietê e Iguaçu, que atravessam respectivamente as regiões metropolitanas de São Paulo e Curitiba, apresentam os mais baixos Índices de Qualidade de Água (IQAs). O levantamento ainda indicou que os rios do País continuam a registrar elevado nível de poluição ano após ano.

Em nota, a prefeitura informou, pela Secretaria Municipal de Comunicação e Mobilização Social (Secom), que o projeto de construção da ETE Elvamar está sendo readequado para ser entregue novamente à Caixa Econômica Federal (CEF), aprovado e autorizado, para que então se inicie o processo de licitação. Informou ainda que o projeto para a construção da ETE Santos Dumont foi aprovado pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), e agora se aguarda a autorização do Ministério das Cidades para a licitação. De acordo com a nota, a ETE Elvamar será construída entre o Minas Clube e o Parque Municipal e vai tratar 30% do esgoto da cidade. Já a ETE do Santos Dumont será implantada um quilômetro e meio depois da Cenisa, para tratar os restantes 70% do esgoto do município.

De acordo com os estudos, o principal desafio da bacia do rio Doce é combater a poluição das águas por esgoto doméstico. Os dados mostram que dos 230 municípios da bacia, em Minas Gerais e Espírito Santo, apenas dezenove tratam seus efluentes. “Os impactos nas águas pelo lançamento de esgotos sanitários foram refletidos na detecção de mais de 60% das contagens de coliformes termotolerantes acima do limite legal”, informou o engenheiro do Consórcio Ecoplan/Lume, Alexandre Carvalho, responsável pela elaboração do Plano.

Outro desafio é conter o desmatamento generalizado e o mau uso do solo que têm provocado um intenso processo de erosão e assoreamento dos cursos de água. Segundo Alexandre, as regiões das nascentes das micro-bacias do rio Santo Antônio e Piracicaba, em Minas Gerais, e da micro-bacia do rio Gandu, no Espírito Santo, são as áreas que mais apresentam problemas relacionados com sedimento na bacia do Rio Doce.

A disponibilidade de água para o consumo na maior parte da região, de acordo com os critérios para concessão de outorga para o uso da água utilizado em Minas Gerais, é considerada satisfatória, apresentando áreas de conflitos no Espírito Santo. Os estudos mostram, ainda, que 51% do volume da água consumida na bacia são destinados à irrigação, 25% ao consumo humano, 12% ao abastecimento industrial, 7% para dessedentação de animais e 5% para o abastecimento rural. Dentre as principais atividades econômicas da região, responsável por 12% do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais, destacam-se mineração, siderurgia, silvicultura e agropecuária.

Fonte: http://www.drd.com.br

O vídeo da semana – O que se sabe sobre o rompimento das barragens em Mariana (MG) 


Algumas perguntas sobre o rompimento de duas barragens em Mariana, no interior de Minas Gerais , permanecem sem resposta. Mas outras questões já estão claras. Veja o que se sabe até o momento sobre a tragédia:

1 – Onde ficam e quais são as barragens que se romperam? São as barragens do Fundão e de Santarém, que ficam no subdistrito de Bento Rodrigues, a 35 km do centro do município de Mariana, cidade histórica mineira a 124 km de distância de Belo Horizonte.

2 – A quem pertencem as barragens? À mineradora Samarco, empresa fundada em 1977 que produz pequenas bolas de minério de ferro usadas na produção de aço. A Samarco é controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton. Ela opera em Minas Gerais e no Espírito Santo e é a 10ª maior exportadora do país. Após a tragédia, a empresa suspendeu as atividades de mineraçãona região. O governo de Minas embargou a licença de funcionamento da empresa, que não pode extrair minério até o cumprimento de exigências de segurança.

3 – O que as barragens continham? Lama resultante do rejeito da produção de minério de ferro. De acordo com a Samarco, o rejeito é composto, em sua maior parte, por areia e não apresenta nenhum elemento químico danoso à saúde. Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a lama é composta principalmente por óxido de ferro e areia.  A equipe técnica do Ministério Público coletou amostras da lama da barragem para verificar se ela é tóxica ou não. O parecer sobre a tragédia deve ficar pronto no começo de dezembro.

4 – Quando as barragens se romperam? Na tarde do dia 5, uma quinta-feira, por volta de 15h30min, a  barragem do Fundão, que é maior, se rompeu primeiro.

5 – Qual o volume de lama que vazou? De acordo com o Ibama, o volume extravasado foi estimado em 50 milhões de metros cúbicos, quantidade que encheria 20 mil piscinas olímpicas. 

6 – O que aconteceu com o subdistrito de Bento Rodrigues, em Mariana? Foi tomado pela lama que saiu das barragens e ficou devastado. A avalanche destruiu a maioria dos imóveis. Mais de 600 pessoas ficaram desabrigadas e foram resgatadas pelo Corpo de Bombeiros. Eles abandonaram as casas e fugiram para partes altas do distrito, mas afirmaram que nenhum sinal de alerta foi emitido. A Samarco admitiu que avisou moradores somente por telefone. Os desabrigados estão hospedados em hotéis e pousadas da região. O governo federal liberou o saque do FGTS aos atingidos pelo desastre.

7 – Outras localidades foram afetadas? Sim. Seis localidades de Mariana, além de Bento Rodrigues, foram atingidas. O detrito das barragens tomou conta, por exemplo, do rio Gualaxo e chegou ao município de Barra Longa, a 60 km de Mariana e a 215 km de Belo Horizonte. Como a lama também chegou ao Rio Doce, o abastecimento de água foi interrompido em municípios mineiros como Governador Valadares e em municípios do Espírito Santo.

8 – Quantas pessoas morreram e quantas estão desaparecidas?
Até o momento,sete corpos foram identificados. As vítimas confirmadas são Emanuele Vitória Fernandes e Tiago Damasceno Santos, crianças moradoras do subdistrito de Bento Rodrigues, e os trabalhadores Cláudio Fiúza, Sileno Narkevicius de Lima, Waldemir Aparecido Leandro, Marcos Roberto Xaviere Marcos Aurélio Moura.

De acordo com a Prefeitura de Mariana, há três corpos ainda não identificados, e são 18 os desaparecidos. Bombeiros estão fazendo varreduras nas áreas atingidas, com o apoio de cães farejadores.

9 – As barragens estavam regulares?
A barragem do Fundão tinha licença válida até 2019, mas a mina Germano e a barragem de água Santarém estavam com as licenças de operação vencidas desde maio de 2013 e julho de 2013, respectivamente. 

A do Fundão passava por uma obra de alteamento para ampliar sua capacidade. O Ministério Público investiga se a obra tem alguma relação com o acidente.

10 – Quem investiga o que aconteceu?
O Ministério de Minas Gerais abriu um inquérito, conduzido por cinco promotores, para apurar as causas e responsabilidades. “Nenhuma barragem se rompe por acaso, isso não é uma fatalidade. Precisamos de rigor nesta apuração”, afirmou o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto. A Polícia Civil e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável também devem investigar o caso. A Samarco informou que contratou dois especialistas canadenses para ajudar nas investigações.

11 – A mineradora já foi punida? O Ibama (instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) aplicou um multa de R$ 250 milhões. São cinco autos de infração no valor de R$ 50 milhões cada. A Samarco foi autuada por poluir rios, tornar áreas urbanas impróprias para ocupação humana, causar interrupção do abastecimento público de água, lançar resíduos em desacordo com as exigências legais, provocar a morte de animais e a perda da biodiversidade ao longo do rio Doce, colocando em risco à saúde humana.

A presidente Dilma Rousseff (PT) classificou a multa como preliminar, dando a entender que outras punições podem acontecer. O Ibama informou que os dirigentes da Samarco foram notificados e terão 20 dias para pagar as multas com 30% de desconto ou recorrer administrativamente. 

12 – A onda de lama vai desemborcar no mar? Sim. A lama seguiu pelo rio Doce, passando por várias cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo. No município capixaba de Linhares, ela desemboca no mar. 

13 – A terra tremeu na região antes dos rompimentos? Sim. A USP – Universidade de São Paulo e a UNB – Universidade de Brasília, detectaram tremores de pequena magnitude na região no começo da tarde de quinta-feira, entre 14h e 15h, antes do rompimento das barragens. Mas ainda não se sabe o que provocou os tremores nem se a tragédia está relacionada a eles. 

FONTE: UOl

Assista aqui o emocionante desabafo de quem tem assistido, bem de perto, a degradação do rio

Saiba como ajudar os atingidos por rompimento de barragens em Mariana

Fonte: G1

A Prefeitura de Mariana divulgou locais que estão recebendo doações para ajudar os atingidos pelo rompimento de duas barragens no distrito de Bento Rodrigues, na Região Central de Minas Gerais. Os interessados devem se dirigir ao centro de convenções do município, na Avenida Getúlio Vargas, e à Câmara Municipal de Ouro Preto, na Praça Tiradentes, no Centro da cidade histórica.

Para mais informações sobre as doações, acesse o site da Prefeitura de Mariana.

A Cruz Vermelha e a Arquidiocese da capital também anunciaram locais para recebimento de doações. O primeiro órgão informou que vai receber donativos na Alameda Ezequiel Dias, 427, no Centro de Belo Horizonte. Segundo a Arquidiocese, a entrega pode ser feita na Rua Além Paraíba, 208, no bairro Lagoinha, na Região Noroeste da capital.

Veja outros endereços em BH onde os donativos podem ser entregues:

Bolão Santa Tereza
Praça Duque de Caxias, 288, Santa Tereza

Servas
Avenida Cristóvão Colombo, 683, Savassi

Centro Universitário Newton Paiva
Avenida Presidente Carlos Luz, 220, Caiçara

Assembleia Legislativa de Minas Gerais
Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho

Verdemar:
Avenida Nossa Senhora do Carmo, 1.900, Sion
Avenida Professor Mário Werneck, 1.500, Buritis
Avenida Raja Gabáglia, 3.600, Estoril
Rua Vancouver, 40, Jardim Canadá (Nova Lima)

O secretário de Defesa Social de Mariana, Brás Azevedo, disse que a situação no local é muito grave e há riscos de mais desmoronamentos. A orientação para os moradores que deixam Bento Rodigues é que sigam até o distrito de Camargos, que é mais alto e mais seguro. Segundo a prefeitura, o distrito de Bento Rodrigues tem cerca de 600 moradores, em 200 imóveis. Mas como outras localidades podem ter sido atingidas pelo mar de lama, a estimativa é de 2 mil pessoas afetadas.

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