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No amor, a única coisa que os opostos atraem é a frustração

Ivonete Rosa

Eu tenho mania de questionar essas frases clichês, gosto de confrontá-las com algumas realidades que conheço, e nem sempre encontro respaldo para o que elas sentenciam. Uma que andei analisando por último é a afirmação de que “os opostos se atraem”. Bem, eu sempre fui uma aluna mediana nas matérias de exatas, sendo assim, nem atreveria contextualizar essa afirmação no campo da física, mas ao que parece, por lá, essa afirmação procede.

Entretanto, nos contextos dos relacionamentos, não percebo muita pertinência nessa afirmação. Como assim, os opostos se atraem no amor? Discordo completamente. Eu concordo que existem muitos casais compostos por duas pessoas completamente opostas, mas daí afirmar que são uniões harmoniosas e felizes já são outros quinhentos. É até possível que haja uma atração inicial, uma espécie de curiosidade, mas daí isso evoluir para um relacionamento feliz e duradouro, acho pouco provável.

O mínimo que um relacionamento composto por opostos pode atrair é aquele sentimento desconfortável de inadequação. Afinal, como será possível uma mulher sorridente, extrovertida e com a libido lá nas alturas ser feliz com um homem retraído, introspectivo e emocionalmente frio? Como um homem que gosta de vida noturna, apreciador de bebida alcoólica e apaixonado por dança vai se dar bem com uma mulher tímida, ciumenta e caseira? Todos nós conhecemos casais que são compostos por pessoas muito diferentes, muitos, inclusive que estão juntos há muito tempo. Há uma tendência de julgarmos relacionamentos longos como felizes e que “deram certo”, será mesmo? Ocorre que, na realidade, existem, sim, muitos relacionamentos antigos, o que não significa que são relacionamentos felizes.

Lamentavelmente existem parcerias compostas por dois seres que vegetam sob o mesmo teto. Nesses relacionamentos, a alegria foi embora faz tempo, o respeito é artigo de luxo e sexo não acontece nem na imaginação. Entretanto, o casal permanece junto, e os motivos para a manutenção dessa “parceria” podem ser os mais variados possíveis: desânimo de reagir e tomar uma atitude em prol da própria satisfação pessoal, crença de que “vida a dois é assim mesmo”, “homem/mulher é tudo igual”, aniquilação da auto estima etc.

Considerando-se que a reciprocidade é um fator indispensável para um relacionamento feliz, como uma pessoa será recíproca com um parceiro com o qual não tem afinidades? Como curtirão músicas juntos se um gosta de rock e o outro não suporta esse gênero musical? Como harmonizar uma convivência se um é religioso e o outro não tem nenhum interesse por essa temática? E o que dizer quando um é extremamente interessado em sexo e o outro é “tranquilo”?

O mínimo que um relacionamento bacana deve proporcionar aos envolvidos é o sentimento de liberdade para que cada um possa expressar a sua verdadeira personalidade e sentir-se aceito e acolhido. Do contrário, será uma atmosfera infeliz, aquela sensação de sapato que não serve no pé e que, portanto, incomoda muito. Sem falar que em muitos relacionamentos, acontece de um querer matar a essência do outro, ou seja, há um esforço descomunal de fazer com que o parceiro deixe de ser quem ele realmente é para ajustar-se ao que o outro considera como ideal.

Lembrando sempre em meus artigos, as exceções existem, entretanto, no território dos relacionamentos amorosos, fica muito complicado confirmar a crença de que os opostos se atraem, e mais uma vez vale lembrar: não confundamos relacionamento antigo e formalizado com relacionamento feliz.

 

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Ivonete Rosa
Sou uma mulher apaixonada por tudo que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivação: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.

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