Leandro Karnal

O que move o seu coração? – Por Leandro Karnal

Leandro Karnal Admiradores

“Qual é o seu valor principal? Qual o seu valor auxiliar? O que faz você se emocionar? O que move seu coração? O que impulsiona seu despertar? Quais as ideias que você tem mais fortes pela manhã? Em quê você dorme pensando e em quem? Estes são seus valores. Decidiu que seus valores são família, dinheiro, um equilíbrio entre os dois? Decidiu que seus valores são viagens, família, dinheiro, um equilíbrio entre os três? Perfeito. Definido o valor, procure este valor obsessivamente, sem cessar, sem cessar em nenhum momento.

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Há mais de quarenta anos quando eu estava estudando, estudando línguas inclusive, eu ouvi várias pessoas dizendo sempre que era muito esforço. Quando eu fiz faculdade, evitei excesso de festas, evitei maconha, o que num curso de humanas na USP é um isolamento muito grande, não pegava ninguém, evitei coisas, foquei no que eu queria, eu estou aqui para estudar, eu estou aqui para estudar muito, depois continuei estudando e fez mestrado, doutorado, fui morar fora, aprendi línguas, e sempre, sempre mirando no meu valor, e o valor é ser um profissional de excelência, e não apenas excelência média, de grande excelência. Eu mirei desde o início, eu mirei na ideia de que eu quero ser Alexandre o Grande, não Alexandre o Médio nem o Pequeno, não quero ser médio, não quero ser a pessoa legalzinha.

Por incrível que pareça, e até vaidoso que possa parecer a vocês, mas isso foi um lema de vida, desde muito cedo eu disse ‘eu quero ser senão o melhor, um dos melhores professores do Brasil’ um valor alto, vaidoso. Só que eu aprendi que mirando alto às vezes a gente consegue um pouco menos, mas se você mirar baixo você consegue ainda menos. Mirem alto, não tente ser o melhor vendedor do condomínio, é muito pouco; não tente ser a melhor pessoa da rua, é muito pouco; mirem alto, mirem alto e busque isso, ‘eu quero ser o melhor vendedor do Brasil’ simplesmente isso.

Se alguém acha que não pode, ache os instrumentos para poder. E aí um outro conselho importante, querem saber quando está dando certo? querem saber quando o projeto de vida de vocês acertou no valor? São aqueles semi-amigos, semi-amigo ou inimigo que lhe abraça, chegam a você e lhe dizem ‘Você tem sorte né?!’ ‘Nossa você tem muita sorte’ prestem atenção nessa frase que o tio Leandro vai dizer: Sorte é o nome que o vagabundo dá ao esforço que ele não faz. Sorte existe sim, eu não controlo tudo, eu não sou Deus, eu não controlo tudo.

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Por vez eu estou em Congonhas, o avião tenta aterrissar, e arremete ‘é pra testar a força do esfíncter de vocês’. Eu não controlo tudo, mas aquilo que eu controlo, e é bastante, eu sou sócio majoritário da minha existência e pra isso eu preciso de equilíbrio. Equilíbrio é fácil perceber quando está faltando, se vocês não trabalharem, perderão a família, se vocês só trabalharem, perderão a família também.

Equilíbrio é um diálogo constante, ‘estou cuidando do meu corpo, meu corpo é funcional’, corpo tem que ser funcional, eu tenho que sair do sofá sem auxílio de muitas pessoas, eu tenho que ser capaz de subir uma escada sem tenda de oxigênio, corpo tem que ser funcional até a idade que ele é funcional, ou seja, equilíbrio é aquilo que nós estamos em plena crise, só que há pessoas neste ano de crise que perderam, outras se mantiveram, e outras prosperaram. Então não é a crise que faz diferença, é a sua reação diante dela, a crise veio para todos os 206 milhões de brasileiros, há pessoas que afundaram, há pessoas que mantiveram o que tinham, e há pessoas que hoje estão melhores do que estavam há algum tempo.

É claro que hoje, no momento da crise eu vou dar uma pista histórica importante, o que é crise? É quando eu tenho muitas perspectivas diante de mim, só que a crise é aquilo que separa o amador do profissional. Todo mundo sabe dirigir numa boa estrada em dia de sol, pouquíssimas pessoas sabem dirigir na estrada com chuva à noite, esburacada, a crise separa quem é bom de quem é ruim, o amador do profissional, de quem vê o mundo a trabalho ou a passeio, todo mundo sabe, em situação sem stress, ser calmo, poucas pessoas são calmas em situação de stress.

Todo professor é ótimo se a turma for ótima, poucos professores são bons quando a turma é resistente. Todo mundo pode vender para o cliente fácil, pouca gente pode vender para o cliente difícil, é o cliente difícil que separa o amador do profissional, o outro não precisa, importante: crises passam sempre, sem exceção, toda crise passa. E aqui já vem a pergunta: Onde você quer estar quando essa crise passar? com quem? onde você quer estar quando essa crise passar? eu quero fazer muitas perguntas importantes para nós.

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Vamos agora testar uma questão importante: quase todo mundo no Brasil está pessimista, ao pessimismo dominante, ótimo, mais fácil ainda de trabalhar. Vamos testar a idade de vocês, quem lembra dessa personagem provavelmente tem curso de datilografia, quem lembra dessa personagem fez prova com mimeógrafo, provavelmente teve Orkut, quem lembra dessa personagem é uma pessoa experiente, essa hiena, um desenho animado da década de 60 e 70, a hiena Hardy ficava dizendo ‘ó vida, ó céus, ó azar’, ela era pessimista,  porém tudo que a hiena dizia que podia dar errado, dava. Ela era pessimista mas ela acertava, por isso que eu quero dizer a vocês que o pessimismo pode ter alguns valores, ele nos dá uma mostra dos riscos, é importante ter um pessimista na equipe, mas no máximo um, apenas, é o que uma equipe tolera, quando alguém chega e diz ‘nós vamos dobrar o capital, dobrar o número de clientes, nós estaremos em mais 30 países até o ano que vem’ o pessimista diz ‘calma, não é tão fácil’ pessimista é importante para levantar problemas.

Mas agora eu vou mostrar uma imagem daquilo que acredito, no barco está a hiena pessimista dizendo o lógico, ‘o continente está longe a desidratação é certa, há tubarões, essa vela é ridícula, esse remo não vai levar a nada’ ela tem razão, a hiena tem razão, mas observem uma coisa, o pessimista faz um bom quadro dos problemas, mas não está fazendo pra dizer uma coisa elegante para uma plateia distinta, não está fazendo sêmen algum para mudar isso (8min50s), não dá pra ser mais direto que isso à tarde, bem, pessimistas são bons para levantar os riscos, pessimista são péssimos para resolver os problemas.

Para eu resolver um problema, para eu resolver qualquer coisa, eu preciso de um otimismo obsessivo, se eu não for otimista, gente, eu jamais teria casado, as estatísticas me contrariam, casamento é submarino pode flutuar, mas foi feito para afundar, se eu não fosse tomado de um otimismo obsessivo e doentio eu não teria filhos, porque é um investimento de retorno muito ruim. Filhos nunca amortizam o que você investe neles, com filhos você nunca chega ao topo, pelo contrário, você vai investir centenas de milhares de reais e vai ouvir a frase ‘eu te odeio’. Filho não vale a pena, casar não vale a pena, porém se nossos pais não tivessem tido esse otimismo obsessivo nenhum de nós estaria aqui hoje.

Então mais uma vez um conselho forte: ouçam os pessimistas (para pessimista não vale a mãe, a mãe é sempre otimista, ouça o cunhado, cunhado é bom pra isso) vejam o que eles têm a dizer, agradeçam,  e enquanto eles falam tenha aquela reação bovina ‘huuuummm’. Ouçam, depois agradeçam, e comecem a trabalhar com o otimismo total, é só assim que se cresce, é só assim que se consegue alguma coisa”.

Transcrição feita pelo Portal Raízes de um trecho da palestra O que é vida plena? – do professor Leandro Karnal. Você pode assistir a palestra na íntegra aqui:

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