Estreia documentário sobre Carlos Drummond de Andrade: “O último poema”

Estreou nesta quinta-feira (5), em Belo Horizonte, o documentário “O Ultimo Poema”. O filme conta a historia de Helena Maria Balbinot, professora do interior, que se correspondeu, durante 24 anos, com o poeta Carlos Drummond de Andrade. O domcumentário da diretora Mirela Kruel, revela parte de um acervo de cartas inéditas, mas traz também cenas poéticas de uma amizade reinventada, ressignificada, que tece no imaginário do espectador o encontro entre o universo particular de Helena Maria e a poesia de Carlos Drummond de Andrade

 Confira a entrevista que a diretora Mirela Kruel concedeu para a assessoria do documentário:

O que lhe motivou fazer o documentário? Quando isso aconteceu?

Conheci a história de Helena e sua correspondência com Drummond em uma edição da Revista Piauí em 2008. Como meu trabalho autoral já perseguia de alguma maneira o tema cartas, correspondências, já tinha dirigido e roteirizado o curta Palavra Roubada (dois assaltantes furtam uma pasta cheia de cartas de amor), então decidi que para mim contar a história da amizade entre Helena e Drummond tinha tudo a ver comigo e com o tema que já era presente na minha trajetória. Para mim fazia todo o sentido contar essa história. E acho que hoje é interessante lançar reflexões sobre a qualidade das relações, o valor da amizade, do tempo que investimos em nossas relações. Acho que é importante salientar que O Último Poema é um filme que tem também o tema da poesia muito presente. O quanto a poesia é uma maneira de ver e entender o mundo. O quanto ela pode ser transformadora, até para uma professora aposentada do interior do Rio Grande do Sul.

Como foi o primeiro encontro com Helena?

Depois de ler a matéria da Piauí escrita pelo jornalista Emiliano Urbim, fui imediatamente atrás do endereço de Helena e parti para Guaporé. Conversamos muito. Ela mostrou seu pequeno tesouro, a pasta preta cheia de cartas e bilhetes e até poemas que Drummond escreveu especialmente para ela. Ficamos amigas. E ela enfim autorizou a minha leitura fílmica de sua história. Hoje sei que eu e Helena temos muito em comum. O gosto pela poesia, as reflexões sobre a vida e a alma solitária e amiga do mundo.

 Durante quanto tempo você trabalhou no roteiro?

Trabalhei no roteiro durante uns 6 meses.

 Conte um pouco sobre os fatos mais marcantes das filmagens, além de falar do período que elas aconteceram e os locais escolhidos para contar a historia.
 

Durante o processo do filme muitas coisas eu diria que mágicas aconteceram. A cena das cartas de Drummond ao vento na árvore em Cambará. O cavalo que pára e olha para Rodrigo Fiatt, o meu Drummond, enquanto caminha pelo campo. A ida de Helena para o Rio de Janeiro. O pequeno elefante de bronze que entrou no filme depois de um insight da atriz Janaína Kremer, minha Helena. A entrada da canção Anoitecer, poema de Drummond musicado por Zé Miguel Wisnik, enfim um filme que teve em seu processo de produção muitos amigos, muito afeto. O filme foi gravado em Porto Alegre, Guaporé, Cambará e Rio de Janeiro.   

 O que mais lhe chama atenção sobre a vida de Carlos Drummond de Andrade? Já havia mergulhado na obra do poeta, contista e cronista brasileiro?

Sempre gostei dos poemas do Drummond, sempre gostei dos modernistas e da sua maneira de ver. Drummond é um poeta absoluto, obrigatório, definitivo. Sua obra é fundamental para a produção poética brasileira. Drummond se correspondia com muitos leitores. Era muito atencioso e gostava muito de responder aos seus leitores. Isso me surpreendeu bastante, ele realmente se dedicava a escrita e suas reverberações. Segundo Helena, ele era muito melancólico também. Isso, só uma amiga leitora de Drummond pode reconhecer.

 O que você tem vontade de dizer para o público sobre o filme?

Se o espectador abrir bem seus olhos, seu espírito, desligar durante o filme seu celular, deixar a vida corrida e barulhenta fora da sala de cinema. Esse espectador terá uma experiência interessante. Aberto à poesia, será convidado a viajar entre lembranças, cartas, gentilezas e conhecerá o universo pequeno e delicado de Helena Maria.

 Assista ao trailer do documentário:

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