4 poemas de amor – de Marcos Caiado

Marcos Caiado é escritor, roteirista, artista plástico, publicitário, marchand e compositor musical. Dono de inteligência ímpar, senso de humor ácido e texto idem, Marcos tem a rara capacidade de transformar situações do dia-a-dia em poesia. Bibliografia: M.M.C, 1996; Segundo Primeiro, 2000; Mais Um; e Só; Um poeta faz a festa, peça teatral apresentada em Goiânia e São Paulo em 1995/96; Melodrama, peça apresentada em 2005. Bibliografia: M.M.C, 1996; Segundo Primeiro, 2000; Mais Um; e Só; Um poeta na fresta, peça teatral apresentada em Goiânia e São Paulo em 1995/96; Melodrama, peça apresentada em 2005.

Se penso em você

Se penso em você ao meio-dia
um segundo depois são onze e vinte da noite.
Tudo escurece: o mote, o norte, os montes e a luz do poste.
Morre o vagalume, some o horizonte.

Quando penso em você, independentemente da hora,
o relógio agoniza, a lua suicida, a poesia adoece…
só a tristeza roça além do que não pode.
Quando penso em você.

Quando penso em você,
a literatura se fode
e, quase, vira zero:
– zero virgula, este verso que não morde.

Que eu te ame, 

com a paciência e a destreza
de um velho oriental
a compor seu origami.

Que eu te ame,
pacífico e pleno
como o caminhar
de um índio Ianomâmi.

Que eu te ame,
como um poeta homem:
que mais prefere ser Pessoa,
do que sobrenome

***

Você some, e eu fico só
Fazendo serenata pro trombone.
Por que você não o telefone e me liga?
Por que não escreve?
Por que você não berra o meu nome?

– Me dá um grito!
Às vezes você some
e ficou vidrado neste ímpeto
de querer rumar a cara na cabeça
na dureza de um paralelepípedo.

Amor não tem que ser suicídio
dá meia-volta e volta – volta ao início …
quando você desaparece
até o tanque vira precipício.

***

A minha dor acaba aí,
onde começa a sua boca.

Um beijo seu
ascende o céu, e

muda a roupa
do destino.

Eu sem você,
triste violino.

mesmo calado,
desafino.

***

Poemas de Marcos Caiado

Do livro: Mais um, AGEPEL, Goiânia, 2002. / Revista Poesias Sempre -nº 31 –  2009 – Página 150 – Organização Biblioteca Nacional

TEXTO DEMarcos Caiado
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