Terapeuta sugere que “Paralisia Traumática” pode ter levado Domingos Montagner à morte no rio, entenda

O ator Domingos Montagner morreu na última quinta-feira (15/09) depois de se afogar no Rio São Francisco, na cidade de Canindé (SE). A atriz e colega de elenco Camila Pitanga estava com ele no momento do acidente e contou em entrevista ao programa “Fantástico”, da Rede Globo, os detalhes da tragédia: “A gente nem ia para lá, íamos para outro lugar, mas acabamos achando mais simples ir ali”, disse a atriz.

Camila contou que os dois pularam de uma pedra e nadavam a favor de umacorrenteza muito suave num lugar mais profundo, longe da faixa de areia. Quando tentaram sair do rio, eles não conseguiam sair do lugar.

A atriz disse que eles decidiram, então, se segurar em algumas pedras próximas. Camila conseguiu, mas Domingos não se movia. “Olhei para ele e pensei: ‘Está assustado, vou voltar para ajudá-lo’. Não tinha noção do que estava acontecendo. Eu dizia: ‘Calma, está tudo bem, pode vir’, mas ele não vinha. Ele não saía do lugar e não falava nada. Foi estranho. Ele parecia paralisado”.

“A única coisa que ele dizia era: ‘Cá, não tô conseguindo'”, relembrou a atriz, que relatou ter voltado para o lugar onde estava Domingos para puxá-lo pelo braço, mas ele não saía do lugar. “Eu queria mostrar para ele que dava para ir para as pedras e que estava tudo bem”.

Com base no depoimento, o terapeuta Jordan Campos sugeriu, em um post que se tornou viral, que o que impediu Domingos de reagir foi uma “crise de paralisia traumática”. Conversamos com especialistas para entender se essa é mesmo uma possível explicação para o acontecido.

“[…]Quando, no entanto acontece a paralisia (o que costumamos chamar nos animais de fingir de morto), a função racional do cérebro praticamente é desligada. O cérebro acredita que poupar energia física e mental (já que não se sabe o que fazer) é o melhor plano”, escreveu o terapeuta.

Segundo Jordan, o grito de Camila Pitanga teria, também, provocado uma reação no ator: “O grito da Camila, sem querer, acionou uma outra função que é a da desistência pelo pavor. Ele então, que já estava na paralisia, ao escutar o grito (segundo este raciocínio biológico-comportamental) diminui mais ainda o tônus muscular (fica com as pernas bambas) e afundou. Era uma esperança até de ele ‘acordar’ da paralisia e reagir com o grito. Mas as condições físicas e naturais do rio já deviam estar insuportáveis e ele se foi, de forma terrível”.

“Entender por que o Domingos paralisou não vai nos levar a uma viagem segura. Pode até ser por um conflito de infância com água, ou até algo que aconteceu dentro da barriga da mãe dele, quando ele era um feto que nadava nas águas e tinha um cordão umbilical preso ao pescoço, por exemplo. Muitas possibilidades”, finalizou.

Paralisia traumática pode ter sido a causa?

A psicóloga e psicoterapeuta Andreia Calçada, especialista em neuropsicologia, explica, primeiramente, que não existe um termo cunhado como “crise de paralisia traumática” que defina uma doença, transtorno ou distúrbio. No entanto, essas palavras possuem um significado intrínseco que faz referência a um trauma anterior sendo revivido.

“Quando dizemos que o Domingos Montagner sofreu o acidente porque estaria revivendo um trauma anterior com água ou algo do tipo, estamos apenas especulando sobre algo que não temos pleno conhecimento”, pontua a especialista.

Sobre a reação frente o perigo extremo, como aconteceu com o ator, a psicóloga explica que a reação do corpo é liberar uma quantidade muito grande de hormônios, como a adrenalina, que estimulam um aumento do fluxo sanguíneo para braços e pernas, além de provocar um aumento da frequência cardíaca e pressão arterial, todos esses mecanismos que fazem parte da reação de fuga.

Existem situações, no entanto, em que esse excesso hormonal, em conjunto com o pânico, o estresse e ansiedade causam uma paralisia, mas não são todos os casos desse tipo motivados por traumas. “No caso de Domingos, ele sequer mexeu os braços ou esboçou uma possível fuga, portanto, isso pode ter acontecido, sim, mas não temos como afirmar com certeza”, finaliza.

Texto de Manuela Pagan via Vix

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