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“Se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela frente”

Os dias passam, muitas vezes, despercebidos por nós e, muitas vezes, esquecemos de nos perguntar quem somos, e por onde andaremos nessas íngremes estradas que enfeitam o tempo… Às vezes, nos estranhamos tanto, que cabe nos perguntarmos: Quem é você, doce estranho? É preciso aprofundarmo-nos, podendo alterar essa pergunta nos indagando sobre o que de fato nos define. Mas afinal, o que nos define? Não podemos medir uma suposta definição do eu pela roupa que vestimos, ou pela cor de olhos que apresentamos à sociedade.

Ser exatamente o que se é, é o que todos nós devemos estar empenhados em mostrar ao mundo.Usamos máscaras diariamente, protegendo-nos da vida como se estivéssemos em um combate onde precisamos fingir o tempo todo.

Mas porque isso acontece? Protegemo-nos constantemente do inimigo oculto que, para nós, está sempre ali, à espreita, esperando pela oportunidade de nos combater. Fazemos isso porque temos medo.

Temos medo de nos mostrar exatamente como somos, temos medos infantis que nos protegem de maneiras desconexas, muitas vezes irreal. O medo que reside em nós, é capaz de criar um monstro inexistente, que vemos estampado em rostos que cruzem o nosso estreito caminhar.

O medo que temos nos protege de estranhos modos.O medo oculta a realidade que existe por trás de nossas fantasias infantilizadas.

Somos especialistas em fingir. Finjo eu, finge você, fingimos todos nessa dança descompassada que, ao contrário do que esperamos, ocorrerá de sermos vistos por olhos mais atentos, onde não conseguiremos nos furtar da grande hora da verdade, que cedo ou tarde chegará para todos nós.

“ Não fomos feitos para o fingimento e sim para a autenticidade, seja ela bonita ou não. Assim, mais cedo ou mais tarde, é quem realmente somos que fica em evidência”. Teco Nicolau

Mas, para que cheguemos a conclusões mais exatas, convém darmos uma volta no grande parque que habita o nosso delinear. Precisaremos, forçosamente, derrapar infinitas vezes, para que cheguemos a conclusão que não existe motivo forte o suficiente, capaz de fazer com que sejamos outra pessoa que não, sermos nós próprios.

É preciso que retiremos as camadas que encobrem a pessoa que se esconde por trás de nossos mais obscuros receios. É custoso termos que passar a vida fingindo ser quem não somos, afinal pra que trapacear?

Por que tentar ser algo que não somos? Não podemos enganar os outros impunemente, não precisamos fingir para agradar, não precisamos nos violentar dessa maneira. Amadurecer é despir-se do que nos angustia e nos mostrarmos ao outro sem máscaras.

Encontra o caminho aquele que rompe as próprias máscaras, encara a verdade sobre si mesmo, experimenta a amplitude de sua vulnerabilidade e age, superando-se continuamente”. Maria Aparecida Giacomini Dóro

É importante e fundamental que possamos agir em conformidade com o que de fato nos trará aceitação do que nos mantém vivos, que é a nossa integridade. Precisamos dar uma volta dentro de nós mesmos para percebermos que não poderemos ir muito longe dirigindo essa locomotiva desgovernada com os olhos vendados.

Deixemos de lado as muletas, falta-nos muito pouco para observarmos que não precisamos mais nos apoiar em subterfúgios que são capazes de nos enganar, a todo instante, displicentemente. Que possamos nos desvencilhar das amarras que nos impusemos um dia.

É preciso nos libertarmos do que nos fez fugir da grande verdade que é a vida. Que as lições que trazemos com ela, possam nos auxiliar para que não voltemos a agir como agimos covardemente um dia.

A vida exige de nós, assim como exigimos da vida que ela seja generosa conosco. E ela será, se agirmos pautados nos princípios vitais que rege a seiva das verdades que a natureza comporta. Que possamos dar o próximo passo, já que o último que demos foi o passo da conscientização, de que não podemos enganar nem a nós, nem as coisas que fecundam ao nosso redor. Não nos furtemos de ser quem  propusermos ser um dia.

Se você abre uma porta, você pode ou não entrar em uma nova sala. Você pode não entrar e ficar observando a vida. Mas se você vence a dúvida, o temor, e entra, dá um grande passo nesta sala e vive-se! Mas, também, tem um preço… São inúmeras outras portas que você descobre. Às vezes curte-se mil e uma. O grande segredo é saber quando e qual porta deve ser aberta.

A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos. Os erros podem ser transformados em acertos quando com eles se aprende. Não existe a segurança do acerto eterno. A vida é generosa, a cada sala que se vive, descobre-se outras tantas portas.

E a vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas. Ela privilegia quem descobre seus segredos e generosamente oferece afortunadas portas. Mas a vida também pode ser dura e severa. 

“Se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela frente. É a repetição perante a criação, é a monotonia monocromática perante a multiplicidade das cores, é a estagnação da vida… Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes passagens!” Içami tiba

Que possamos abrir as portas que nos levarão à profundidade daquilo que precisamos ser para que possamos sobreviver em um mundo onde o que é permitido nem sempre nos convém. É preciso discernimento para agirmos com sabedoria, é preciso encerrarmos um capítulo para iniciarmos outro. Para que isso aconteça, precisaremos dar o próximo passo e recomeçarmos de algum lugar que sempre existiu e que ainda existe, dentro de nós.

 

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Thiana Furtado
O mundo é o ponto de encontro dos desligados. Dos desarranjos nascem flores, é assim que defino as coisas que me refletem. Escrevo com adoração, refletindo um coração que pulsa uníssono no compasso da dança, do equilibrar de gerações que desabrocham um universo multicolorido, recheado de verdades transbordantes.

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