“Quero cantar agora a canção do amor novo” – Fragmentos poéticos de Tagore Biram

Tagore Biram era pseudônimo de Ubiratan Moreira, [nome escolhido] em homenagem ao poeta indiano Rabindranath Tagore. Ubitaram Moreira nasceu em Olhos d’Água, antigo distrito de Anicuns e hoje município de Americano do Brasil – GO.

Em 1985 viajou para a ex-União Soviética, participando, como delegado do Festival Internacional da Juventude e de um encontro de jovens escritores russos, que resultou numa antologia que reúne alguns de seus poemas. Foi eleito presidente do Comitê Pablo Neruda de Solidariedade ao Povo Chileno. Faleceu em Concepción, Chile, no dia 14 de junho de 1998, aos 40 anos e foi enterrado em Goiânia – Goiás.

Obras:

  • Flauta noturna, poemas. 1981;
  • Poemas do amor e da ausência, poemas. 1983;
  • O anjo desafinado, poemas. 1987

Abaixo, transcrevo dois poemas do poeta

Navalha dos anos

A noite chegou lambendo
minha juventude
com sua língua tristíssima.

E como se fosse
uma navalha,
a noite me sangrou
por mais de vinte vezes
com sua
longa calda e solidão.

Esta noite
mais de vinte
séculos
ficaram por terra
com o golpe inevitável
da navalha
noturna e tristíssima
dos meus anos.
+++
Fonte: A Flauta Noturna, 1981, p.33

Poema 21

Amor meu. Ardente amor meu.
Só por teu amor não desistirei de viver
um só instante.
Esquecerei meu sempre desejo de morte
Só por teu amor, imenso amor meu,
inventarei tantos sonhos
e os plantarei nas manhãs.

Nas manhãs, quando o sol vier beijar
a face do meu coração
cantarei a canção absurda.

Erguerei minha voz. Suplantarei os muros,
os edifícios, os montes.
Tu ouvirás o meu canto tresloucado.
em todas as manhãs. Em todas as tardes.
Em todas as noites. Meu coração trespassado.

Quero cantar agora a canção do amor novo.
Suplantar as dores do passado

E erguer as estacas da nova
e inabalável residência.
.x.
Fonte: Poemas do Amor e da Ausência, 1983, p.s/nº.

Fonte: Literatura Goyaz 

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Adalberto de Queiroz
Nascido na Campininha, criado em Sant'Anna das Antas e especialista em chutar lobeiras na Vila Jaiara, quando a maior escola da vida era a fábrica de tecidos da Vicunha e a biblioteca do Couto Magalhães. Rodou o mundo, ganhou cabelos brancos, nunca perdeu a esperança, mesmo em meio às agruras do comércio que exerceu por mais de 35 anos. Atualmente obtém a carteirinha de flaneur, merci bien, escrevendo e lendo por puro prazer.




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