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Às vezes seguro o vento do tempo com medo que ele passe apressado

Seguir as marchas de nossas vontades, seguir o sopro divino de nossas necessidades… Eis me aqui, embalando o vento com a certeza de que seguirei seguro e fortalecido no limiar fecundo dos segundos memoráveis que atinam às minhas reais necessidades… Quem de nós, mesmo que por merecidos instantes, não tenta segurar o vento do tempo na tentativa de, por alguns momentos tentar frear a marcha divina do contar das horas, tentando guiá-lo tantas vezes, à nosso favor?

Sei que, muitas vezes, tentar frear a marcha de nossas vontades, torna-se impreciso e isso nos impossibilitaria de tentarmos alcançar um lugar acalentado em braços enternecidos, assegurando seguras guaridas, nos sentindo tenazes de nossas profundas necessidades e de nossas escrupulosas escolhas.

O tempo, em nossa marcha cotidiana, corre apressado, independente de nossas aspirações. Torna-se difícil percebermos qual será o momento certo que nos permitirá fazer com que sigamos inteiros, onde o sopro não correrá sozinho, existindo por algum motivo e tal motivo nos mostrará que tudo que fizermos, nascerá por alguma razão e essa razão será capaz de nos revelar que tudo que realizarmos com intenções verdadeiras, será resultado da luta incessante de que a vida não passa despercebida, muito menos em vão.

Tente segurar o tempo e o verá deslizar pelos dedos como asilo dos pretensiosos. O tempo seguirá fiel às determinações do cotidiano impiedoso, nos mostrando que será capaz de colocar os pingos nos is e cada casaco em corpos que suplicam por sentir algum tipo de calor.

Às vezes, só por teimosia, tento atribuir razão às minhas vivenciações mundanas, mas esqueço-me que as coisas acontecem com alguma intencionalidade e que tentar atribuir algum motivo para tudo, que dar nome aos bois, não fará com que eu justifique as coisas que me acontecem, pois a vida segue um fluxo vital para a respiração de todo o seu conteúdo.

Mas, sobretudo, que tudo que faça ou que diga, existe para atribuir algum tipo de valor, que será fundamentado pelos segundos que fornecerão possíveis respostas aos atos que, com tanto afinco me intentei em buscar, nessa incansável e desenfreada corrida pela busca do conhecimento de mim mesmo…

Nos valerá sempre, a busca incessante por valores que atribuímos às coisas e às pessoas, sem depreciá-las. Será fundamental, acreditarmos que possuímos vontades próprias e que tentar anular o fato de que não possuímos necessidades, seria incumbirmo-nos de nossa própria aniquilação e nulidade no que pauta às nossas tangíveis indispensabilidades e que ninguém realizará as coisas por nós mesmos com o mesmo afinco com que nos dedicamos pelas nossas maiores inevitabilidades. Será eficaz, utilizarmo-nos de nossas maestrias para que nos tornemos cada vez mais, exímios obreiros nas tarefas que devemos dedicar a nós e a coletividade, como consequência.

Tudo que fizermos, existirá por uma razão justa de ser e de existir, a labuta do self, o emergir de si, não deve ser algo realizado por ninguém menos, além de nós mesmos.

Todo ato de eregir, construir é um ato de pedra a pedra. Onde uma pedra só pode ser colocada, quando a anterior já estiver ocupando o seu lugar”.  Leandro Karnal

Sabendo disso, podemos identificar qualquer ato de edificação, seguindo os passos do passo a passo, de que devemos, ao concluir algo, saber valorizar a construção que trará a majestosidade da obra completa, com a excelência indispensável de que os nossos atos devem conter em si, a responsabilidade que cada um ocupa na estruturação que torna eficaz o conjunto que trará o resultado de uma ação concretizada.

A pedra a pedra que Leandro Karnal se refere, fala sobre a necessidade de preenchermos os espaços que precisam ser preenchidos, que somos indispensáveis na colocação de intermitências que precisam ser devidamente integradas, que devemos abranger devidamente o lugar que estivermos ocupando no momento.

Em tudo fecunda uma sabedoria divina, somos essenciais para que o todo se materialize, somos os obreiros celestiais dotados de capacidades inatas de realizações providenciais. Ninguém realizará algo da forma peculiar com que nos dedicamos a implementar algo.

Somos únicos, somos especiais, cada um de nós traz dentro de si, a força necessária para que nos tornemos agentes determinantes na eficiência de estruturações que perfazem-se em conjunto. Somos fundamentais para que o equilibrar das realizações aconteça com providência. Convém que conscientizemo-nos de nossa importância no que toca de forma muito peculiar os feitos que precisam ser concluídos.

É relevante que reconheçamos que para que o restaurante que almoçamos cotidianamente funcione corretamente, será necessário a hierarquia das representações tácitas, que incumbirão que cada um ocupe majestosamente o seu precioso lugar, lugar imperioso na construção social, onde o servil trabalhador retornará ao lar todos os dias colocando comida na mesa bravamente e heroicamente.

Este futuramente, terá a divina missão de direcionar a prole para que convivam harmoniosamente em sociedade. Todas as funções são meritosas, não devemos desprezar ninguém e nenhuma função no que rege o montante social tal qual fazemos parte.

Valorizemos, no trabalho, o papel da impressora; valorizemos a servente que prepara o café para que descansemos nossas mentes das pressões vivenciadas, valorizemos o porteiro, valorizemos nossos colegas e sobretudo o chefe por vezes intolerável, mas que nos fornece o salário digno no final das contas e do mês, por vezes tão custoso de chegar ao seu final. Isso não quer dizer que devemos aceitar tudo. Respeitemo-nos para que sejamos respeitados. Somos dignos, úteis e imprescindíveis para que o todo funcione corretamente.

Saiba que, na marcha imperiosa da vida, tudo que respira é o artífice fundamental de toda a existência, justificada pela razão de que todos aqui, apresentam algum tipo de funcionalidade. Somos importantes, temos o dever e obrigação de esforçarmo-nos por ser melhores do que ontem, trazendo dentro de nós, a dignidade que nos fará levantar todos os dias, acreditando que dias melhores estarão sempre vivos e convictos de nos visitar e chegar, sem maiores alardes.

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Thiana Furtado
O mundo é o ponto de encontro dos desligados. Dos desarranjos nascem flores, é assim que defino as coisas que me refletem. Escrevo com adoração, refletindo um coração que pulsa uníssono no compasso da dança, do equilibrar de gerações que desabrocham um universo multicolorido, recheado de verdades transbordantes.

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