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A terceira armadilha da mente humana: o medo de reconhecer os próprios erros

O medo de reconhecer erros é, acima de tudo,  o medo de se assumir como um ser humano com suas imperfeições, fragilidades e incoerência. Formamos nossa personalidade em uma sociedade superficial  que esconde nossa humanidade e supervaloriza nosso endeusamento.

Hoje quem está brilhando poderá, amanhã, cair em desgraça para que outro o substitua. O pódio é cíclico, não há espaço para dois primeiros lugares. Além disso a mídia constrói e destrói mitos. Podemos ter dignidade para estar entre os primeiros lugares – ainda que nunca subamos no pódio – e mesmo fiquemos entre os últimos lugares.

Uma minoria ganha o Oscar, O Nobel, o Grammy. Uma minoria torna-se ícone social, profissional e espiritual. Mas, como veremos, podemos desenvolver os hábitos dos homens e mulheres excelentes e brilhar ainda que nunca sejamos um ícone; podemos revolucionar o ambiente em que estamos, ainda que anonimamente.

Por vivermos em uma sociedade que valoriza os super-heróis, negamos consciente ou inconscientemente nossa humanidade. Temos medo de assumir que somos mortais, falíveis, demasiadamente imperfeitos. Não há sábios que não tenham loucuras. Gostamos de ver as chagas dos outros, não a nossa. Os noticiários televisivos expõem as falhas alheias e cativam nossos olhos enquanto ficamos da sala silenciosa, escondidos de nós mesmos em nossas poltronas.

Errar é humano, mas não admito meus erros

O ser humano é de um lirismo ácido. A energia gasta pela necessidade neurótica de ser perfeito é caríssima, esmaga o prazer de viver.

O medo da crítica, do vexame, da rejeição, tem feito mentes brilhantes apagarem seus luzeiros. Por nada e ninguém podemos deixar de decifrar o código da espontaneidade. Quem não o decifra, pouco a pouco se deprime. Nossa liberdade não pode estar à venda por preço algum. Mas a vendemos por bobagens, a trocamos com incrível facilidade.

Quando alguém nos aponta um erro, mudamos de cor e troamos de humor.  Quando alguém revela alguma atitude estúpida, ficamos indignados.  Nada tão absurdo! Nada tão imaturo!

Nas relações desiguais, o vírus do orgulho contagia em frações de segundo o cérebro daquele que se considera superior, levando-o a  silenciar a voz do que está em posição inferior.  Quem usa a relação de poder para impor suas ideias não é digno do poder em que está investido.

Quem não decifra os códigos da inteligência acaba formando jovens insensíveis, frios, que só pensam em si mesmos. Quem os decifra e os aplica tem grandes chances de formar pensadores que decifrarão e aplicarão também esses códigos de inteligência.

O código do amor

Amai  ao próximo como a ti mesmo está corretíssimo do ponto de vista psicológico, psiquiátrico e sociológico. Quem é o próximo?  O próximo não foi definido,  porque inclui todas as raças, todas as culturas, todas as religiões. Só foi definido quem deve decifrar o código do amor: Amar os outros como a si mesmo. Intrigante sabedoria!

Há pessoas educadas, que nos primeiros cinco minutos de conversa são agradabilíssimos, parecem ser angelicais, mas conviver com elas é um tormento. Tecem mil argumentos para sustentar suas atitudes. Nunca reconhecem seus erros, nunca pedem desculpas. Sugam a energia dos outros por falar muito e procurar excesso de atenção. Não cresceram psiquicamente. 

O homem Jesus teve reações que chocaram a humanidade e nos deu grandes lições. Decifrou códigos nos quais seus mais importantes seguidores tropeçaram. Jesus era seguro, lúcido, coerente, enfrentava os vales do medo com incrível coragem, mas quando precisou decifrar o código das lágrimas não se segurou. Quando precisou se despir da força e decifrar o código da autenticidade admitiu sua dor com clareza, disse que sua alma estava deprimida até sua morte. Quando atravessou o deserto do desespero não se calou. Discorreu com sabedoria sobre o seu drama.

Um ser humano maduro não tem medo de si mesmo. Muitos não sabem que decifrar o código para falar de si e reconhecer seus erros e limitações é altamente relaxante, reconfortante, agradável.

Reconhecer nossas debilidades, entrar em contato com nossa realidade nua e crua não é apenas um passo fundamental para oxigenar nossa inteligência, reeditar a memória e superar nossos conflitos. Mas também para mergulharmos nas águas do descanso e bebermos nas fontes da tranquilidade.

É preciso decifrar os códigos da inteligência para cumprir esses nobres objetivos.

Trecho de “A terceira armadilha da mente humana” –  extraído do livro O Código da Inteligência – de Augusto Cury Ediouro, 2008, capítulo 8, páginas 59/64.

Leia mais textos de Augusto Cury

A primeira armadilha da mente humana: o conformismo

A segunda armadilha da mente humana: o coitadismo

Nunca tivemos uma geração tão triste

 

 

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