Quando o choro é conveniente não há consolo – Por Mario Sergio Cortella

“Pensar bem nos faz bem, então vamos pensar um pouco sobre o choro conveniente: a lamentação simulada. Gente que fica aí pelos cantos em função daquilo que hoje vive, pois imaginou que não seria detectada ou não seria capturada a ofensa produzida à sociedade. Gente que vive se lamentando, que vive praguejando,vive chorando pelos cantos. É como eu dizia, este é um tempo de muitas lamúrias daqueles que se sentem perseguidos em vários lugares.

Para esses, Mário Quintana brincou muito bem com essas ideias, na obra Espelho Mágico,  que é um livro de 1951. Ele fez um pequeno poema que ajuda a pensar, escreveu Quintana: ‘Não tente consolar um desgraçado que chora amargamente a sorte má. Se o tirares, por fim, do seu estado, que outra consolação lhe restará?’. Afinal, tem tanta gente que se consola exatamente porque argumenta ter uma má sorte, uma má vida, um mau trabalho, um mau casamento, uma má profissão. Em vez de tomar uma providência fica apenas resmungando, colocando essa percepção do chorão com o resmungo conveniente.

Como eu disse antes, é uma lamentação que. em grande medida, é mais auto justificante do que de fato algo que se quer lamuriar porque lhe agride ou ofende concretamente. Quintana lembrou: Não tire daquele que chora esse tipo de situação. Porque, senão, aonde vai se agarrar, aonde vai se pendurar?”. Mario Sergio Cortella

Fonte: CBN Notícias, É Tempo para o Conhecimento,  08 de julho de 2016.

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