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Volta e meia dou “uma morrida” para formatar meu HD Interno

Cláudia Dornelles
De vez em quando preciso dar “uma morrida”.  É algo imperioso. Simplesmente acontece. Orgânico, natural e imprescindível. Paro tudo e morro um pouco. Alguns dias ou semanas. Já morri por meses.  Entro no modo ‘formatar HD’ e reformulo os aplicativos em uso. Outros deleto. Percebo que estavam ali apenas ocupando espaço na tela sem aptidão para servirem.
Para quê reinstalar? Revejo contatos da agenda, dou uma checada em quem eu ando seguindo no Instagram ( em quem anda me seguindo) e ressignifico. Checo as roupas que vestem a casa: cama, mesa, banho, e pergunto a elas : como andam? Descarto as exaustas. Panelas cansadas não fazem boa comida. Ainda que populares, prefiro as que me deixam segura com seus cabos dignos, liderando com firmeza o fogo e preparando o alimento com honra.
Bijuterias, roupas de dormir, nada escapa. A galeria de fotos do celular fica zerada.
Tudo o que serve é arquivado e o que está ocupando espaço e me ocupando no espaço, libero …e me liberto! Preciso dar essa morrida. Só nela eu escapo da correria mental e faço o balanço dos bens e das pessoas.
Entenda-se por bens, aqui neste caso, só o que me faz bem. Uma licença poética rápida. De pessoas, porque a palavra amizade entrou num modismo inquietante. Quase uma banalidade. Então, confesso, tenho estado mais atenta a esse conceito. Quando eu morro fico quieta. Paramento meu senso de observação, turbino minha lógica, ratifico meu contrato com alguns objetivos e morro alguns dias em paz.
Distingo quem é de quem está à minha volta e dou novos rumos às dúvidas : elas desaparecem ou elimino personagens duvidosos. Ao menos internamente. Pois mesmo que façam parte da paisagem no meu renascimento  não farão mais parte do meu HD. E isso é o que realmente importa. É como se eu, depois de algum tempo e muito senso de observação matemática, dissesse : ” Agora sei com quem lido”.
É importante esse momento : sei que posso conviver com alguém, mesmo sabendo que esse sujeito não é quem pensei que fosse. Basta que eu retire dele todo e qualquer poder de me afetar. Somente nos afetamos quando há afeto, então, desafeto. Deixo o coração na cabeceira do divã e parto para colocar as situações em suas colunas.
Escrevo cada coisa conflitante e alinhavo meu parecer sobre elas. Não é a verdade absoluta. Porque verdade é ponto de vista. Mas é a minha verdade relativa. E é das nossas convicções que vivemos. Então, sejamos convictos ao menos diante de nós mesmos.
Geralmente dá certo.  Até hoje jamais me arrependi de ter “dado uma morrida” e ter formatado meu HD Interno. E em todas as vezes fiz questão de me responsabilizar por minhas escolhas e repensar minhas rotas.  A responsabilidade de ser quem se é faz parte de um renascimento honroso.
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Cláudia Dornelles
Cláudia Dornelles, escritora com livros de crônica publicados, formada em Direito, estudiosa de Psicanálise Ciências Sociais e Políticas, interessada por divulgar conteúdo de Desenvolvimento Pessoal.

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