Ao brincar com uma criança não a decepcione com estas 3 atitudes

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Nós, adultos, esquecemos como brincar. E esquecemos a enorme satisfação gerada pelo brincadeira. Em uma sociedade obcecada por resultados e produtividade, os jogos não têm lugar. É por isso que não é estranho que os adultos acabem arruinando as brincadeiras das crianças, subtraindo todos os componentes que a tornam precisamente tão especial e importante.

Como os adultos prejudicam as brincadeiras das crianças?

1. Liderar o jogo

Um dos principais erros que os adultos cometem é liderar as brincadeiras das crianças. Os adultos se tornam árbitros do que é certo e errado no jogo, ditam as regras e garantem que as crianças as cumpram. Dessa forma, os adultos acabam assumindo o papel de maestro da orquestra, fazendo com que as crianças brinquem no ritmo que estabelecem.

O problema é que o jogo diretivo, aquele em que uma série de regras precisas devem ser seguidas, não deixa espaço para espontaneidade nem oferece as mesmas oportunidades para o desenvolvimento das crianças. O jogo não é uma simples atividade recreativa para as crianças passarem tempo e se divertirem, mas sim que permite que elas desenvolvam habilidades que serão essenciais para a vida adulta. Se as crianças brincam continuamente sob o controle de adultos, diminuirão as oportunidades para que possam crescer.

2. Intervir no jogo toda vez que algo acontecer

Nas últimas décadas, a tendência superprotetora dos pais tem aumentado; portanto, não é de surpreender que mesmo aqueles que dão aos filhos alguma liberdade para brincar estejam monitorando de perto a atividade para intervir diante do menor problema. Onde pais helicópteros se lançam para “ajudar” as crianças a resolver os contratempos.

No entanto, a menos que a segurança das crianças esteja em risco, os adultos devem intervir o menos possível nas interações das crianças. É normal que surjam atritos e conflitos durante o jogo, mas as crianças devem resolvê-los entre si – ou pelo menos deixe-os tentar. Somente então eles desenvolverão as habilidades de resolução de conflitos necessárias para a vida adulta, aprenderão a ceder, desenvolver o autocontrole e abandonar a posição egocêntrica.

3. Exigir resultados no jogo

O maravilhoso da brincadeira livre é que não há resultado a ser alcançado. As crianças não devem ser produtivas ou alcançar um resultado, mas sim, brincar pelo prazer de brincar. Este tipo de jogo promove o estado de “participação total” referido por Abraham Maslow e Mihaly Csikszentmihalyi. É um estado de fluxo e atenção descontraída que garante experiências ótimas e dá rédea livre ao “eu”.

Quando os adultos transmitem expectativas sobre o resultado do jogo às crianças, eles automaticamente matam essa espontaneidade. O jogo deixa de ser uma atividade livre para se concentrar em um objetivo, o que retira em grande parte o prazer que deve gerar. Se os adultos corrigem os supostos erros da criança durante a brincadeira, especialmente na brincadeira artística, eles estão transmitindo suas expectativas e a ideia de que o resultado conta mais do que o processo. E isso prejudica muito a essência dos jogos.

Brincar não é uma atividade, mas um estado mental

“O oposto da brincadeira não é trabalho, é depressão”, escreveu o psiquiatra Stuart Brown, que passou décadas trabalhando com pessoas que tentaram tirar a própria vida. De fato, brincar não é uma atividade, mas um estado de espírito que não devemos desistir na idade adulta.

Brincar significa redescobrir o prazer de explorar e se surpreender com as coisas mais simples, recuperar a espontaneidade, livrar-se de ideias preconcebidas e liberar-se da pressão para obter resultados. Também significa render-se completamente à experiência, sem expectativas, liberando a mente para que ela possa encontrar novas respostas ou simplesmente fazer novas perguntas.

Lembre-se de que não paramos de brincar porque envelhecemos, mas envelhecemos porque paramos de brincar. Portanto, devemos não apenas garantir que não obstruamos a brincadeira das crianças, mas devemos recuperá-la nós mesmos, para o bem da nossa saúde mental.

De qualquer forma, a melhor maneira de monitorar as brincadeiras das crianças é manter uma presença discreta em segundo plano, intervindo apenas quando é essencial fornecer sugestões que ajudem as crianças a crescer.

Texto de Jennifer Delgado Suárez, via Rincón de La Psicología, traduzido e adaptado por Portal Raízes.

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