Blogueira que “casou sozinha” sofria depressão e cyberbullyng

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Nos últimos dias, Alinne Araújo, autora do perfil Seje Sincera no Instagram, que tratava conteúdos sobre depressão e ansiedade, revelou quatro situações altamente impactantes em termos de abalo em sua saúde mental e emocional: uma tentativa de suicídio quinze dias antes do casamento; o noivo rompendo o relacionamento às vésperas do casamento; a celebração do casamento uno, onde ela decidiu que a festa e tudo mais aconteceria, mesmo sem o noivo; e a tempestade de mensagens ofensivas que ela recebeu ao compartilhar publicamente a sua festa de casamento consigo mesma. Alline optou pelo autoextermínio nesta segunda-feira, 15 de julho.

A notícia do suicídio da blogueira trouxe, mais uma vez, a reflexão acerca da depressão e do “cyberbullying” como riscos iminentes de suicídio.

Os especialistas deixam claro que não há explicações simples para atos tão severos como automutilação e o suicídio, cujas causas mais comuns seriam transtornos mentais ou psicológicos, inclusive os resultantes de situações de violência e abusos na infância. O bullying atua com dimensão ampliada na era da internet e das redes sociais e tem enorme potencial para conduzir pessoas que têm histórico de depressão e ideais suicidas à condutas extremas.

Na Internet é fácil ser empático e odioso ao mesmo tempo

Num mundo com tantas agruras, há de compreender que, também, o cyberbullying pode ser um gatilho para desencadear ansiedade, depressão e suicídio.

Na internet as pessoas são generosas, corajosas, felizes, empáticas, otimistas, solidarias e, também, muito odiosas. Pois é fácil agir assim, uma vez que não se está frente a frente com o outro. Com isso basta um comentário ofensivo para que dezenas de outros comecem a pipocar num post. E mesmo que tenha 8 comentários positivos e 2 negativos, são os negativos que fazem a pessoa se angustiar, se sentir violentada e oprimida.

Alguns dos comentários que a blogueira recebeu no post em que anunciava que continuaria com a festa mesmo sem o noivo e no post do casamento

Estudos mostram como a exposição à essas agressões tem um triste efeito na saúde mental das vítimas. No grupo mais exposto a esse comportamento tóxico, os integrantes tiveram duas vezes mais probabilidade a desenvolver depressão, três vezes mais propensos a relatar ansiedade e 3,5 vezes mais propensos a ter pensamentos suicidas sérios ou tentar o ato em si em comparação com outros grupos.

Ainda que nem todos os casos se relacionem com o cyberbullying, o número de suicídios subiu de forma alarmante. Dados divulgados pela BBC Brasil indicam que, entre 1980 e 2014, a taxa de suicídio entre jovens de 15 a 29 anos aumentou 27,2% no Brasil. O suicídio já é a segunda maior causa de mortes nessa faixa etária, segundo dados na Organização Mundial da Saúde (OMS).

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