Um crime claro de ódio contra a mulher: tentou matá-la com macaco-hidráulico

Portal Raízes

Um crime escandalizou a pequena cidade de Abadia de Goiás. O motorista de aplicativo Silomar Santos do Lago, de 28 anos, foi preso suspeito de agredir a passageira Ana Júlia, e abandoná-la ensanguentada e enrolada a um lençol em um lote baldio. Silomar foi preso e Ana Júlia entrou no rol das vítimas de crimes de ódio contra a mulher.  Já foram 50 casos (consumados ou não) registrados em 2019, quase cinco por dia.

O levantamento foi conduzido por Jefferson Nascimento, doutor em Direito Internacional pela USP, com base no noticiário nacional. 

Segundo a polícia, Silomar deu socos e usou o macaco do carro para bater na jovem

“Taquei o braço nela, ela caiu. Dei uns três socos. Fui ao porta-malas e taquei o macaco nela. Imaginei que tinha morrido”, diz Silomar. A agressão aconteceu no dia 9 de janeiro. De acordo com as investigações, Ana Júlia Costa Pereira Pouso Alto, de 20 anos, solicitou uma corrida particular, fora do aplicativo, e, durante a viagem, começou a ser agredida com socos. Para tentar matá-la, ele também deu golpes usando o macaco do carro.

A jovem foi encontrada ferida em um lote da Avenida Doutor Raul Rassi, no Setor Goiânia Sul. A vítima teve diversas fraturas na face e ficou 10 dias internada no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).

No vídeo abaixo, Ana Júlia afirma que está muito abalada e se lembra apenas do início das agressões.

“Não lembro de muita coisa, só quando acordei no hospital três dias depois, confusa.Tenho medo de ele fazer isso com outras pessoas”, diz a vítima.

Antes de Ana Júlia ter sido encontrada machucada, Silomar já tinha procurado a Polícia Civil para registrar um assalto. Ele alegou aos policiais que tinha sido roubado por três homens e uma mulher, mas conseguiu fugir.

Na mesma manhã, os policiais encontraram o carro do motorista abandonado na cidade e a jovem ferida. Por isto, no início, a corporação apurava ser a vítima estava no assalto e desentendeu com os comparsas.  Após sair do hospital, Ana Júlia disse à Polícia Civil que não tentou roubar o motorista. Foi quando os policiais mudaram os rumos da investigação.

Motivo do crime

Silomar confessou o crime ao ser detido. “Quando o prendemos, Silomar disse que estava com muita raiva porque ela devia mais de dez viagens para ele”, disse o delegado Arthur Fleury, responsável pelo caso. Durante a apresentação à imprensa, nesta sexta-feira (15), Silomar se limitou a dizer que já tinha feito 12 viagens com a jovem, mas que ela tinha pagado apenas duas. Advogado do suspeito, João Neto de Moraes disse que vai analisar o inquérito pedir a liberdade do cliente.

“O motivo foi essa dívida, não houve qualquer abuso. Ele inventou a história do roubo em um momento de desespero”, disse o advogado.

A vítima nega que tivesse alguma dívida com o suspeito

“Não estava devendo ele em momento algum. A gente não discutiu, só lembro dos primeiros socos”, conta a passageira. De acordo com o delegado, o motorista vai responder por tentativa de feminicídio. Fleury ainda tenta esclarecer o motivo do crime para concluir a investigação.

“É um crime claro de ódio contra a mulher. Usou um macaco para desfigurar o rosto da vítima. Agora vamos saber o real motivo com a prisão dele”, afirma o delegado.

Em 2018 foram registradas e encaminhadas 92.323 denúncias pelo Ligue 180

Marlise Matos, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (Nepem) e do Centro do Interesse Feminista e de Gênero — CIFG (UFMG), ressalta que se, de fato, for aprovada a liberação do porte de armas, os casos de violência vão “explodir”.

— O Estado tem o dever de garantir às cidadãs brasileiras, que pagam impostos e são a maioria, uma vida sem violência. É um direito humano fundamental e um direito constitucional. Mas estamos a milhões de anos luz distante de algo que chegue próximo a isso.

Em nota, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos afirmou que o canal Ligue 180 é uma “política pública essencial para o enfrentamento à violência contra a mulher em âmbito nacional e internacional”:

“Em 2018 foram registradas e encaminhadas 92.323 denúncias pelo Ligue 180.  Após o recebimento das denúncias os encaminhamentos são feitos diretamente às Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher – DEAM’s, de acordo com os respectivos tipos de violação e classificação das demandas, no intuito promover maior agilidade quanto à apuração das denúncias, sobretudo àquelas que necessitam de retorno imediato, como nos casos de violências mais graves e urgentes”.

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS





Portal Raízes
Humanismo, sociologia, psicologia, comportamento, saúdes: física, mental e emocional; meio ambiente, literatura, artes, filosofia. Nossos ideais estão na defesa dos direitos humanos, das mulheres, dos negros, dos índios, dos LGBTs... Combatemos com veemência o racismo, o machismo, a lgbtfobia, o abuso sexual e quaisquer tipos de opressão. As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.