Educar filhos é, ao mesmo tempo, moldar pelo exemplo, ensinar a conviver com frustrações e a respeitar limites, sem destruir o desejo de criar, de crescer e de se tornar quem se é. Essa frase resume um dos maiores desafios da parentalidade contemporânea. Vivemos tempos de extremos. De um lado, o autoritarismo que cala. Do outro, a permissividade que abandona. Entre esses polos, pais e educadores buscam um caminho possível que não machuque, mas também não desestruture.
Nesse cenário, o pensamento da neuropsiquiatra italiana Mariolina Ceriotti Migliarese surge como uma referência lúcida e profundamente humana. Sua obra propõe uma educação que reconhece a complexidade das relações familiares e a necessidade de formar sujeitos emocionalmente íntegros, capazes de lidar com frustrações sem perder o desejo de viver, criar e se relacionar.
Mariolina Ceriotti Migliarese é neuropsiquiatra infantil, psicoterapeuta e autora de diversos livros voltados à compreensão das relações familiares. Seu trabalho se destaca por unir experiência clínica, reflexão ética e sensibilidade humana, sem recorrer a fórmulas prontas ou discursos moralizantes.
Em seu livro “Pais e Filhos: os caminhos da paternidade”, a autora propõe uma leitura profunda da parentalidade, mostrando que educar não é apenas ensinar regras, mas sustentar vínculos. Para ela, o papel dos pais não é formar filhos perfeitos, mas oferecer uma base emocional sólida para que eles possam enfrentar o mundo com autonomia, responsabilidade e afeto.
Mariolina parte de uma ideia central: crianças não precisam de pais perfeitos, mas de adultos emocionalmente disponíveis, capazes de sustentar limites sem violência e acolher fragilidades sem anulá-las.
Um dos pontos centrais da obra é a crítica à educação baseada no controle excessivo. Quando os pais tentam eliminar todo risco, toda frustração ou toda dor, acabam impedindo o desenvolvimento emocional da criança.
Segundo Mariolina, a frustração faz parte do crescimento. É ela que ensina limites, desenvolve tolerância e prepara o sujeito para lidar com a realidade. O problema não está na frustração em si, mas na ausência de um adulto que ajude a criança a atravessá-la com segurança emocional. Educar, nesse sentido, é caminhar junto, não caminhar pelo outro.
A autora alerta para dois movimentos igualmente prejudiciais. O primeiro é o excesso de rigidez, que produz medo, obediência cega e, muitas vezes, adultos inseguros ou revoltados. O segundo é a ausência de limites, que gera desorganização interna, dificuldade de lidar com frustrações e fragilidade emocional.
O afeto, para Mariolina, não é permissividade. Amar não é ceder sempre. Amar é sustentar o não quando necessário, explicando, acolhendo e permanecendo presente, mesmo diante do conflito. É nesse ponto que sua reflexão se aproxima de uma visão profundamente ética da educação: colocar limites é também um ato de cuidado.
Outro eixo fundamental do livro é a construção da autonomia. Pais que fazem tudo pelos filhos, ainda que movidos por amor, acabam impedindo o desenvolvimento da autoconfiança e da responsabilidade.
Mariolina defende que educar é preparar para o mundo, não para a dependência eterna. Isso implica permitir erros, frustrações, escolhas e consequências, sempre com acompanhamento emocional. A autonomia não nasce da ausência dos pais, mas da presença que sabe, aos poucos, recuar.
10 conselhos para educar com afeto e firmeza, segundo Mariolina Ceriotti
Educar filhos é uma das tarefas mais complexas da existência humana. Exige presença, escuta, paciência e, sobretudo, disposição para rever a si mesmo. Como aponta Mariolina Ceriotti Migliarese, não se trata de formar crianças obedientes, mas sujeitos capazes de viver, criar e se responsabilizar por suas escolhas.
Quando a educação preserva o desejo, respeita os limites e sustenta o afeto, ela se transforma em um espaço de crescimento mútuo. Pais também se transformam enquanto educam.
E quando o caminho se torna confuso, doloroso ou excessivamente pesado, buscar ajuda profissional não é sinal de fracasso, mas de maturidade. Psicólogos, terapeutas e profissionais da saúde mental podem auxiliar famílias a reorganizar vínculos, compreender conflitos e construir relações mais saudáveis. Educar, afinal, é um gesto de amor que se aprende todos os dias.
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