“Enquanto fingia estar brincando, meu cunhado abusou da minha filha de 4 anos”

Portal Raízes

Em um relato emocionante à Revista Crescer, Suellen Baltazar, do Rio de Janeiro, conta como descobriu que sua filha de 4 anos estava sendo abusada. Ela ainda revela que foi criticada pela própria família quando denunciou o agressor: “Ele só colocou o dedo”.

“Eu sou mãe de três meninas, uma de 1 ano, outra de 4 e a mais velha de 9 anos. Como eu sou cabeleireira, muitas vezes, minhas filhas ficavam com a minha sogra no período da manhã até o horário de ir para a escola à tarde. No entanto, nos últimos tempos, o comportamento do meu cunhado, que ainda mora na casa da minha sogra, começou a me incomodar muito. Principalmente, quando ele decidiu namorar uma menina de 13 anos. Isso me causou um desconforto tão grande, porque ele tem 23 anos. Essa menina é uma criança que ainda chupa dedo, e ele poderia responder criminalmente por isso.

Algumas vezes, dava para ver pornografia no celular dele, apesar das várias tentativas dele para tentar esconder. No mês passado, eu fui fazer um curso em Niterói e minha mãe veio para me ajudar com as meninas. Quando liguei para saber se estava tudo bem, ela disse que meu cunhado tinha levado minha filha de 4 anos para casa dele. Aquilo me deixou com uma sensação muito ruim e decidi buscá-la imediatamente. Quando eu cheguei lá, meu cunhado ouviu minha voz e desceu as escadas correndo com a minha filha nas costas, como se estivessem brincando. Fiquei incomodada, peguei minha filha e fui para casa.

Já era meia-noite, mas resolvi conversar com ela. Comecei falando de outras coisas até que perguntei: o que você estava brincando com o tio? Neste momento, ela começou a gaguejar e disse que não poderia contar. Seu tio tinha dito que era um segredo e que se ela contasse a vó morreria. Eu fiquei gelada, mesmo assim, continuei perguntando. Falei para ela ficar tranquila que o tio era meu amigo e já tinha me contado tudo. Ela ficou mais segura e começou a falar. “A gente brinca de ‘o contorno’. Eu não entendi muito bem e questionei: ‘Contorno do que?’ Foi aí que ela apontou para a vagina dela. Eu gelei. Nesse momento, não consegui continuar. Fui para o meu quarto e entrei em pânico.

Minha mãe, vendo o movimento, foi para o quarto da minha menina e continuou conversando com ela. Minha filha disse que, às vezes, ele tirava a cueca dele e a calcinha dela. No meio desses abusos, ele usava um elemento lúdico. Então, falava pra ela que iriam brincar de esconde-esconde e pega-pega. Eu via que ele sempre dava muitas coisas pra ela, como bala, açaí, mas achava que era algo normal, amor de tio. Ela relatou também que em um desses abusos, ela sentiu dor e até sangrou, provavelmente usando os dedos, já que minha filha é muito nova e não aguentaria uma penetração. Um dia, ela chegou a reclamar de dor na vagina, mas pensávamos que era uma infecção urinária e a estávamos tratando para isso.

Após a conversa com a minha filha, fui até a casa da minha sogra e contei tudo. Eles não acreditaram e meu sogro decidiu ir comigo e com meu marido até o ginecologista. O médico fez o exame e constatou o abuso. Disse que havia vermelhidão e ainda descobriu que parte do hímen estava cortado, mas não chegou a romper. Meu sogro agiu com tanta desconfiança que o médico se sentiu obrigado a desenhar como tudo aconteceu. Infelizmente, minha sogra e meu sogro não estão do meu lado. Eles são super protetores do meu cunhado.

Na volta, pensei que meu sogro iria conversar com o filho, mas isso não aconteceu. Agiu como se nada tivesse acontecido. Meu marido, nervoso, partiu para cima do meu cunhado e foi uma briga generalizada. Minha sogra me mordeu. Meu sogro ainda apontou o dedo para mim e disse que eu tinha acabado com a vida do filho dele. ‘O médico não falou que foi só o dedo?’, ele gritou. Foi aí que percebi que não teria paz se continuasse ali. Entrei com uma medida protetiva para deixar meu cunhado longe da minha filha e iniciei uma ação criminal. Ainda estamos esperando os laudos médicos e psicológicos para dar continuidade.

Hoje, minha filha está traumatizada, mas fazendo terapia. Depois que fiz esse relato no Facebook, muitas mães me responderam que passam pela mesma situação. Minha luta ainda está só no começo. Por isso, eu digo: mães, olhem nos olhos dos seus filhos sempre! Conversem, alertem. O mal existe e está mais perto do que podemos imaginar”. (Publicado originalmente na Revista Crescer. Site que recomendamos à visita)

Leia: 10 maneiras de ensinar a criança a se defender de abusadores

Leia mais:

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS





Portal Raízes
Humanismo, sociologia, psicologia, comportamento, saúdes: física, mental e emocional; meio ambiente, literatura, artes, filosofia. Nossos ideais estão na defesa dos direitos humanos, das mulheres, dos negros, dos índios, dos LGBTs... Combatemos com veemência o racismo, o machismo, a lgbtfobia, o abuso sexual e quaisquer tipos de opressão.As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores.A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.