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Mesmo em repouso, quem convive com fibromialgia gasta energia como se estivesse numa maratona

Quem convive com fibromialgia ou dor crônica sabe bem como é acordar cansado, mesmo depois de horas na cama. A fadiga não é apenas psicológica, nem preguiça ou falta de força de vontade. Pesquisas mostram que, mesmo em repouso, os músculos dessas pessoas permanecem em alerta, como se o corpo estivesse correndo uma maratona invisível.

A fadiga persistente

O médico especialista em dor crônica, Dr. Nivaldo Teles, costuma explicar que os músculos tensos gastam energia como se a pessoa estivesse em uma maratona, mesmo parada. Para ele, isso ajuda a compreender por que quem convive com dor crônica e fibromialgia vive em fadiga constante.

Segundo o especialista, não se trata de preguiça ou falta de força de vontade, mas de um corpo funcionando em modo de esforço contínuo, como se nunca desligasse do estado de alerta. Essa percepção clínica é reforçada por diversos estudos científicos que vêm confirmando a base fisiológica desse fenômeno.

A ciência que confirma a experiência dos pacientes

Pesquisas com eletromiografia mostram que pacientes com fibromialgia apresentam maior atividade muscular em repouso e menos períodos de relaxamento, em comparação a pessoas sem dor crônica. Isso significa que o músculo “não desliga” totalmente, drenando energia contínua do organismo e contribuindo para a exaustão (Zetterman et al., 2019).

Outro estudo importante identificou que até mesmo em tarefas simples do dia a dia — como subir escadas ou caminhar — o corpo de quem tem fibromialgia consome mais oxigênio e gasta mais energia do que o de pessoas saudáveis, mostrando que o esforço metabólico é real e não imaginário (Huijnen et al., 2015).

Há ainda indícios de alterações metabólicas e circulatórias nos músculos, incluindo micro-hipóxia (falta de oxigênio), o que explica a dor persistente e a fadiga (Park, 2000; MacPhee et al., 2013).

Caminhos de cuidado integral

Em sua vasta experiência clínica e teórica, o doutor Nivaldo Teles, que também é autor do livro: “Vencendo a fibromialgia”, afirma que apesar da complexidade da dor crônica, com o tratamento correto, existem estratégias capazes de fazer com que os sintomas desapareçam . Entre elas:

  • Alongamentos leves, que favorecem o relaxamento;
  • Atividade física adaptada, como hidroginástica ou caminhadas curtas;
  • Alimentação anti-inflamatória, que auxilia no controle da dor;
  • Técnicas de relaxamento e manejo do estresse, como respiração profunda e meditação.
  • Suplementação e reposição hormonal assistidas.

Essas medidas, quando aplicadas conjuntamente, estão em consonância com revisões científicas recentes que demonstram melhora significativa na dor, na fadiga e na qualidade de vida (De la Corte-Rodriguez et al., 2024).

Muito além da maratona

Entender o que acontece com os músculos de quem vive com dor crônica é dar voz a um corpo que não descansa. É reconhecer que não é preguiça, não é exagero: é biologia, é ciência, é a tradução física de uma luta invisível.

Se a dor obriga o corpo a viver como se corresse uma maratona sem fim, o cuidado integral é o convite para reaprender a caminhar em paz consigo mesmo. Cada alongamento, cada respiração mais lenta, cada gesto de autocuidado é uma forma de devolver ao corpo a chance de parar, descansar e recuperar energia para viver.

Referências

  • Teles, Nivaldo (2025)
  • Zetterman, T. et al. (2019). Muscle activity and rest periods in fibromyalgia patients measured by surface electromyography. Journal of Electromyography and Kinesiology.
  • Huijnen, I. P. J. et al. (2015). Energy expenditure during functional daily life activities in patients with fibromyalgia. Arthritis Care & Research.
  • Park, J. H. (2000). Evidence for metabolic abnormalities in the muscles of patients with fibromyalgia. Seminars in Arthritis and Rheumatism.
  • MacPhee, R. S. et al. (2013). Metabolic cost and mechanics of walking in women with fibromyalgia. BMC Research Notes.
  • De la Corte-Rodriguez, H. et al. (2024). The Role of Physical Exercise in Chronic Musculoskeletal Pain: Best Medicine — A Narrative Review. Pain Prac

 

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