Celebridades

“Meu rosto reflete a minha vida, a minha alma, o que amei, o que sofri” – Laura Cardoso

Aos 95 anos, a eterna Laura Cardoso não cansa de encantar. Neste sábado 17/6, em entrevista à Maria Beltrão no programa “É de Casa”, a atriz relembrou momentos encantadores de sua trajetória. Ao final da conversa super agradável, a atriz revelou que a frase que a define é “eu te amo”.  O que fez o seu nome subir nos comentários do Twitter, onde inúmeras pessoas a exaltaram com #euteamolauracardoso. A entrevista está disponível na Globoplay.

Esbanjando vitalidade, Laura Cardoso é umas das atrizes mais produtivas de sua geração.  Confira alguns excertos da entrevista concedida à Naiara Andrade, do jornal O Globo quando Laura Cardoso completou 90 anos, no dia 13 de setembro de 2017. Com 75 anos de carreira, a veterana logo disse que não gosta de ser tratada por ‘dona’ e nem por ‘senhora’. “Por favor, me chame de você. Senão vou me sentir muito velha…”, brincou Laura Cardoso.

Ao ser perguntada se ela tem cuidados especiais com a alimentação e se costuma se exercitar, Laura respondeu:

“Eu sou indisciplinada, viu? Gosto muito de andar, conhecer os lugares a pé. Mas não sigo dieta alguma. Como o que eu gosto, quando eu quero. Graças a Deus, não tenho diabetes nem pressão alta, minha genética portuguesa é muito boa! Agora, sou louca por doces, chocolate! Como muito e depois passo mal. E nunca fui de beber, meu corpo não aceita bem. Só de vez em quando é que eu tomo meia taça de vinho branco”.

Sobre cirurgias plásticas ela disse:

“Tinha uma colega que dizia que minha autoestima era grande, porque eu sempre confiei na minha cara do jeito que estava (risos). Não tenho problema algum com minhas rugas. Meu rosto reflete a minha vida, a minha alma, o que amei, o que sofri… Eu me gosto assim”.

E sobre se achar bonita, a atriz divagou: “Olha, gosto mais de ser chamada de inteligente que de bonitinha. Eu diria que sou charmosa… Prefiro que enxerguem minha beleza interior”.

Sobre a velhice, Laura refletiu: “As pessoas tratam o idoso como se ele fosse um robozinho. É um tal de ‘senta aí’, ‘come isso’, ‘faz aquilo’… Nunca fui vítima de grosserias, as pessoas se dirigem a mim com carinho e respeito. Mas não tem essa de ‘melhor idade’, não! De melhor, a essa altura do campeonato, só a experiência adquirida. Eu amo a juventude, a mocidade! Hoje, não tenho mais a força muscular e a pele bonita de anos atrás. É muito diferente. Acho que é o jeito com que você leva a vida que faz a idade ser melhor ou pior, seja na velhice ou na mocidade”.

Sobre os 75 anos de carreira, aposentadoria e decepções, Laura Cardoso disse:

“O que eu mais amo é ser reconhecida pelo público, receber aplausos. Sinto que esse carinho é sincero. Acho que sou uma das atrizes mais premiadas do Brasil. É incrível, mas na minha carreira não houve tristezas. Só ficava cabisbaixa quando não era escalada. Sempre trabalhei continuamente. Quando estou descansando, quero logo voltar. Não sou muito de férias nem de aposentadoria. Acho que, se você parar, morre alguma coisa por dentro. Trabalho é vida, faz a cabeça e o corpo funcionarem, o coração pulsar forte”.

Sobre o tempo livre e a solidão, a atriz enfatizou:

“Gosto muito de ler, desde pequenininha. É um hábito que cultivei com meu amado pai. Leio dois, três livros ao mesmo tempo. Também adoro cinema. Mas tenho viajado bastante, ultimamente, para uma casa de campo que tenho aqui em São Paulo, entre Sorocaba e Itu. Eu não acho nem um pouco bom [solidão]. A gente tem que ter gente por perto para olhar, conversar, discutir, amar… O ser humano, definitivamente, não nasceu para ficar sozinho. Por um tempinho, pode até ser”.

Sobre sua força como mulher, a saudade e o seu segredo de viver, Laura disse:

“Digo que sou feminista desde garotinha. Sempre fui à frente do meu tempo. Sou arrojada, corajosa, lutadora. Eu lutei pela minha carreira. Nem minha mãe queria que eu fosse atriz, e eu segui meu caminho como escolhi. Comecei com 15 para 16 anos, no rádio. Minha vida foi boa, cheia de experiências… Teve altos e baixos, amores, desamores. Lembro de muita coisa com alegria. Coisas que foram boas na minha época. Mas estou sempre de olho no futuro. O segredo é amar o que você faz, com seriedade e dedicação. Aí não tem fim, vai até Deus querer”.

Fonte: O Globo

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