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O Que Você Faz Da Sua Ansiedade: Alavanca Ou Flecha?

Doracino Naves

Nossa imaginação convive com dois tipos de ansiedade: o tipo que nos previne quanto aos perigos do futuro; este é bom porque nos leva a agir rápido para expulsar a ansiedade maléfica. O outro, ruim, não consegue vivenciar ‘o presente’. Esse presente que é o hoje, que recebemos a cada manhã, recusando-o na fã tentativa de controlar o amanhã. A ansiedade é o um recurso arcaico do cérebro, que ainda age química e mecanicamente como o mundo necessitasse urgentemente de mais invenções e uma vez que estivermos ansiosos não sossegaremos enquanto não criarmos a roda.  Então, com esse sofrer por antecipação, com esse pensar sempre acerelado de roer as unhas, entramos num estado de espírito aflitivo que ataca a mente, as emoções e o corpo. 

Como dissemos, há dois tipos: a positiva e a negativa. E eu não ousaríamos falar aqui de ansiedade patológica, pois esta deixamos para os especialistas. Vamos iniciar pela ansiedade positiva que nos leva a caminhar no agora. Então, a primeira observação que faço é no sentido de nos concentrar no presente; nem no passado, menos, ainda, no futuro. Outra coisa: Cada tarefa por vez, nada de fazer lista de objetivos para cumprir. Isso é tortura mental. Faça, uma a uma, a tarefa que está a sua frente e, somente depois de concluída, vá à seguinte. Antes, porém, comemore, celebre, e deixe sair um “urra!” pelo resultado. Se tiver vontade, pule de alegria! Por que, não?  Você verá que a angústia se resolve quando realiza. Pensar nas dificuldades do futuro é um erro natural do ansioso. Controlar a ansiedade boa é eliminar a ruim. Porque o imaginário nem existe; não é.

No primeiro momento devemos treinar o cérebro para entender a ansiedade ruim como sinal de alerta e agir rápido, ‘na hora!’.  O acúmulo de metas, muitas vezes irrealizáveis, nos leva ao transtorno da ansiedade negativa. A aflição imaginária é somente um devaneio da mente. Entenda o ‘presente’ como convite, oportunidade, privilégio para romper a treva ameaçadora da ansiedade. Cada coisa na sua hora, “cada macaco no seu galho”, diz a cultura popular.

A seguir vemos a ansiedade negativa a nos conduzir ao passado. Esconder no que ‘já foi’ é sinal de perigo porque nos leva à melancolia e, até, em muitos casos, à depressão. Alguns ansiosos – e eu me vejo nesse tipo, sou adicto neste assunto – voltam sempre ao passado, em razão de que lá é fácil controlarmos o começo, meio, e fim. Baseado nisso o final mostra saídas mágicas. Nesse caso a ameaça se transforma em fantasmas aterrorizantes. É comum acordarmos às três horas da madrugada com alarme falso a nos virar de um lado ao outro, sem sossego. Na cama não se resolve a maioria dos problemas que enfrentamos no dia a dia.  Com o agravante de que a ansiedade habitual é o esconderijo do hoje. Por isso, não desejo continuar assim.

Ansioso é o sujeito que, em todas as circunstâncias, tenta equilibrar a vida com a mente. E a ansiedade leva o coração a um tempo imaginário. Por isso sofre pelo futuro de incertezas. Isso é terrível. Quando essa dúvida surge para o homem comum, seja  na roça ou na cidade, podemos ouvir a sábia lição: “O futuro a Deus pertence”.  Pois é, somos fracos e incapazes para controlar o futuro. Então, vamos viver e agir no presente.

Como diz Adriano Silva, o Executivo Sincero, da CBN: “Só se ocupe do futuro quando ele se transformar no hoje”. Ótimo conselho para quem é ansioso. Vou encerrar com a esperança de uma canção, de autoria de Tavito, Paulo Sérgio Vale e outros: 

Nossos passos pelo chão
Vão ficar
Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhecer.

Texto do jornalista, fundador do Portal Raízes, Doracino Naves (1949/2017)

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Doracino Naves
Jornalista, diretor e apresentador do Programa Raízes Jornalismo Cultural.