Às vezes, tem que doer como nunca para não doer nunca mais

Luciano Cazz

É muito difícil acabar com algo que você achou que ia durar para sempre, mas o pior de tudo não é perder um grande amor, é se dar conta que está insistindo em uma paixão que não existe mais. E isso acontece frequentemente. A gente nega por muito tempo que a relação acabou e tem fortes motivos para isso, tais como:

Apego

Sim nos acostumamos a tudo. Ao gosto, ao cheiro, aos horários, à rotina juntos, às manias e até às grosserias e mau humor. Por isso, mesmo quem já não nos faz mais bem, faz falta quando se vai, porque defeitos também deixam vazios. Mas com o tempo entendemos que era apego. Nos curamos e voltaremos a viver em paz.

Negação da decepção

Vislumbramos um futuro juntos e de repente compreendemos que escolhemos a pessoa errada para dividir a vida. É difícil admitir que nos apaixonamos por alguém tão diferente daquilo que pensávamos. A gente nega que as coisas jamais voltarão a ser como eram antes, procura desculpas para nossa própria ingenuidade e tenta evitar a única alternativa restante: partir em busca de quem realmente nos faz feliz.

Medo da solidão

Às vezes, parece que a dor do amor é menor que o vazio da solidão, porque faz muita falta conversar com alguém no final do dia, dividir dores, conquistas e até brigar de vez em quando. Mas uma relação não pode ser levada pela carência. Quando deixamos um porto, chega um momento em que olhamos ao redor e vemos só mar. Sentimos o vazio do oceano pesando no peito. Mas quando entendemos que ventos novos podem nos levar ao paraíso, o medo de seguir só, desaparece.

Insegurança

Algumas pessoas se apoiam no companheiro. Ele acaba assumindo as responsabilidades de resolver e decidir tudo até sobre a nossa própria vida. Então, terminar a relação causa a sensação de que somos incapazes de seguir nosso caminho sozinhos. Mas isso é ilusão com uma pitada de comodismo, porque, sem dúvidas, temos inteligência e determinação para cuidar da nossa própria vida.

Vaidade

Muitas vezes, o amor acabou, mas o ego ferido ao ser deixado nos prende a quem não gostamos mais. Queremos a pessoa de volta para nos sentirmos melhores em relação a nós mesmo. E é só isso. Pura vaidade de quem não sabe perder. A maioria dos crimes cometidos por ex vem disso e não da saudade. Em certas ocasiões, ficamos anos em uma relação de provação de poder sem nos dar conta que estamos desperdiçando um tempo em que poderíamos estar amando de verdade.

Sonhos em comum

É difícil abrir mão de toda uma programação de vida calcada numa relação a dois. Sonhamos filhos, a casa, mudar para uma cidade nova, comprar um carro juntos e de repente aquilo tudo perde o sentido porque o amor acaba. E desmanchar essa imagem de um futuro juntos é dolorido demais. Mas sonhos brotam a todo o instante. Não é porque o relacionamento acaba que perdemos a capacidade de sonhar.

Comodismo

É angustiante imaginar o começo de uma nova relação, quando estamos já acostumados com os anos ao lado da mesma pessoa. Já sabemos como lidar e, muitas vezes, nos comunicamos só com um olhar. É tudo encaixado já. A rotina, a convivência, a conchinha. Deixar um novo amor ir crescendo e pegando intimidade aos poucos parece uma tarefa longa e cansativa. Mas quando nos apaixonamos novamente, tudo passa a ser novidade e o frio na barriga faz a gente se sentir mais vivo do que nunca.

Portanto, seja mais forte que sua maior desculpa para não perder a chance de ser feliz novamente, porque o fim de uma relação não é o fim do mundo. O fim do amor que é. A gente perde muitas coisas com a separação, mas pode sair ganhando mesmo assim. Porque quando alguém sai da sua vida, não significa o fim da história, mas sim, o fim da participação dessa pessoa na sua vida. Por isso, enquanto existir a possibilidade de um novo amor no seu coração, sempre haverá essa linda e louca possibilidade de ser feliz…

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é ator, roteirista e escritor, autor do livro A Tempestade depois do Arco-íris.

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