Pena de morte afetiva: quando não conseguimos perdoar alguém

Helena Miranda

A pena capital, também conhecida como pena de morte, não se aplica no Brasil, juridicamente falando. No campo social e afetivo, “matar alguém”, é mais comum que se imagina, ainda mais tendo em vista que não se trata da morte física legalizada, mas, sim psicológica, moral, afetiva.

Quando guardamos rancor ou declaramos ódio por nosso semelhante, estamos claramente matando nosso desafeto, sem lhe permitir o direito de defesa, pois agindo assim, deixamos de exercitar nossa capacidade de perdoar,  excluímos essa pessoa de nossa vida e a tratamos como se morta estivesse.

A ausência do perdão nos torna usuários da pena capital contra o próximo e esquecemos que cada vez que exercermos essa faculdade, morremos um pouco em nós mesmos.
Outra forma de exercer a pena capital é ignorar a necessidade de nosso semelhante que se encontra em situação de risco ou vulnerabilidade. A empatia nos leva a nos colocar no lugar do outro e compartilhar de sua dor e sofrimento, tornando sua jornada mais amena, por outro lado, a falta da empatia, nos faz achar tudo normal e essa maneira de olhar a realidade em nossa volta, com insensibilidade, assistimos inertes crianças famintas ao nosso redor, famílias inteiras na miséria e necessitando de tudo, sem ter nem o mínimo para sobreviver.

Quantas vezes assistimos tragédias, violências e não despertamos nenhum sentimento de compaixão e solidariedade, porque tudo se tornou “normal”. Nossa indiferença, desprezo e desamor são munições pesadas e letais.

Quando a dor do outro, não dói em nós, isso significa que estamos mortos ou que simplesmente, decidimos aplicar a pena capital, ou seja, matamos o outro para não compartilhar de sua dor, não dividir o que temos, não auxiliar, não servir, não estender a mão, não chorar com os que choram. Muitas vezes temos tanto, que até desperdiçamos, enquanto outros passam fome, temos tantos sapatos e muitos estão descalços, temos tantas roupas e outros estão nus, sentindo em sua pele o frio das madrugadas, enquanto nossa alma se congela no nosso egoísmo. Não ter empatia é se achar superior ao outro, se achar melhor e mais merecedor que qualquer um, e isso é ser egoísta, prepotente e ignorante.

Devemos mudar nossos conceitos e começar a olhar o próximo, como a nós mesmos, pois estamos ligados e somos todos parte de um todo, precisamos cuidar uns dos outros, doarmos o que temos de melhor, o nosso caráter e afeto, fazendo isso, o resto se proverá.

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Helena Miranda
Helena Miranda é advogada, pós graduada em Direito Tributário pela PUC-Goiás; Especialista em Direito Civil, Processual Civil com ênfase em Direito de Família e Sucessões. Atua em Goiânia - Goiás e é colunista no Portal Raízes.