De acordo com um estudo comparativo dos modelos de criação de diversas sociedades, intitulado “Disciplina na primeira infância“, publicado pela Associação de Kansas para a Saúde Mental da Infância e da Primeira Infância, as famílias japonesas praticam a dedicação, a empatia e a harmonia.
A pesquisa mostrou que os pais japoneses, através da dedicação extrema à educação integral dos pequenos, reduzem a tendência da criança de querer fazer o que quer. As crianças pequenas são estimuladas a aprender imitando o comportamento dos adultos, em casa e fora de casa. A autonomia só é estimulada a partir dos 6 anos quando a criança já aprendeu a distinguir o que deve e o que não deve. As birras não fazem parte do comportamento das crianças japonesas, mas é claro que sempre há exceções.
Os pais têm uma relação muito estreita com a criança e promovem essa proximidade e reforçam o ensinar através da imitação do comportamento dos adultos. De acordo com os costumes japoneses, as crianças pequenas são vestidas e alimentadas exclusivamente pelos pais, além de dormirem com eles até os 6 anos de idade.
A relação dos pais com o filho é bem íntima. Trata-se de uma unidade onde eles se enxergam como uma “mente compartilhada”, em vez pessoas separadas e independentes. Nos primeiros três anos de vida, os pais levarão o bebê a praticamente todos os lugares e em todos os momentos.
Os pais têm uma dedicação e devoção indiscutível com seu filho. Dificilmente uma criança japonesa entrará na pré-escola antes dos 3 anos de idade ou ficará sob os cuidados dos avós. Depois dos três anos de idade, inicia-se a educação escolar formal.
Os pais japoneses consideram que o bom comportamento dos seus filhos se deve à criação baseada no confucionismo. O confucionismo é um sistema filosófico chinês criado por Confúcio. Entre as preocupações do confucionismo estão a moral, a política, a pedagogia do amor, a religião e a bondade, pois essa virtude gera paz interior e alegria.
Para fazer qualquer correção, os pais japoneses utilizam a persuasão, a sugestão e, às vezes, a vergonha para evitar o confronto direto com os filhos pequenos. Isso minimiza as atitudes desafiadoras e agressivas das crianças.
Utilizam os pedidos e sugestões para indicar as obrigações das crianças. Em vez de dizer “Recolha os brinquedos! ”, ele dizem “O que você deve fazer agora com os seus brinquedos?”. Como consequência, a criança fará o possível para cumprir suas responsabilidades com os pais.
Porém, se a criança não estiver disposta a cooperar ou fingir não ter ouvido o pedido ou a sugestão, os pais podem usar pequenas provocações faciais.
Os pais jamais castigam ou repreende um filho diretamente. Como já foi dito, no seu rosto há uma expressão de tensão que indica à criança que ela está decepcionada. A criança deseja manter a harmonia com os pais, portanto, ela vai evitar os conflitos e fazer o que é esperado dela.
Os pais japoneses também sabem reconhecer as emoções de seus filhos. Diante disso, a criança pode mudar sua técnica de persuasão. Se perceber que a criança não parece estar com vontade de atender a uma solicitação sua, evite fazê-la. Deixe seu pedido para quando tiver maiores chances de sucesso.
Se a criança não quiser recolher os brinquedos, os pais terão explicações mais condescendentes sobre a recusa. Eles dirão que a criança não está preparada ou não se desenvolveu o suficiente para cumprir a tarefa ou, talvez, que está cansada ou apenas interessada em continuar brincando naquele momento. Tudo é avaliado dentro da pedagogia do amor.
No Japão, os pais fazem o possível para que seus filhos se sintam amados, respeitados e valorizados. As crianças, por sua vez, dependem da paciência, da bondade e da compaixão de seus pais. Sem dúvida, esse tipo de criação é um desafio para os pais ocidentais.
Fontes pesquisadas: The Japanese Way Of Disciplining Children; Confucianism and Education; A aplicação da ética positiva confucionista na educação no Japão; Disciplina na primeira infância – Associação de Kansas para a Saúde Mental da Infância e da Primeira Infância
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