“Ser panicoso não é engraçado. É desagradável, é torturante”

Helena Miranda

“A Síndrome do Pânico é geralmente diagnosticada em pessoas que experimentam ataques de medo e pânico espontâneos, repentinos e inesperados. Os episódios de síndrome do pânico são marcados por crises de ansiedade quase que inexplicáveis, que podem estar associados à sintomas físicos semelhantes ao de um ataque cardíaco.

O portador da síndrome do pânico, sofre de um transtorno mental e seu sofrimento é muito triste, não devendo ser motivo de piadas. Ser panicoso não é engraçado. É desagradável, é torturante.

Um diabético todo mundo respeita e não oferece doce, pois sabe que pode matá-lo. Ter medo de tudo, também pode ser fatal, pois para um portador da Síndrome do Pânico, tudo em sua volta é assustador e fatal. Para você é muito simples cozinhar usar uma panela de pressão e permanecer na cozinha fazendo outras atividades, enquanto a panela ferve e o vapor excedente escapa pela válvula, porém, não é assim para o panicoso; quando esse simples e rotineiro ato se desenvolve, na mente dele tudo é diferente, pois seu cérebro está em constante alerta e fica o tempo todo informando que algo terrível vai acontecer. Antes que qualquer tragédia ocorra realmente, o panicoso já mediu e vivenciou todas as possibilidades, inclusive uma rota de fuga. Isso não é motivos de risos.

A depressão é uma tristeza recorrente, que provoca medo, e o medo é irracional e provoca tristeza recorrente. O medo provoca dor, muita dor mesmo, pois o organismo vive em constante alerta e todo o sistema nervoso se contrai interna e externamente, e isso causa dor crônica.

O portador da síndrome do pânico vê em tudo uma possibilidade de morte fria e dolorosa. Cortar uma carne, uma verdura, uma fruta, um peixe é muito simples, será mesmo? A faca é um instrumento perfuro cortante, e se escapular e pegar na mão? Ao praticar esse ato, a mente de um panicoso enxerga o alimento se misturando a seu sangue e por mais que se esforce é tudo que vê. O fogão é alimentado por gás, que é extremamente inflamável. O panicoso vive flutuando em acidentes bizarros.

Você já pensou nos perigos que cercam um simples passeio ao shopping?, pois o panicoso não vai a lugar nenhum sem sofrer dor e desespero por situações que podem nunca acontecer, mais seu cérebro o alerta que acontece. Todas as pessoas que estão a sua volta, são potenciais assassinos, mesmo quando ele está sorrindo, sua mente está em alerta e isso o deixa apavorado com tudo e com todos.

O garçom serve a bebida na garrafa que pode ser uma arma cortante terrível, assim como pratos, taças e copos e na churrascaria ou serve self, tem espetos enormes e perfurantes, isso sem mencionar o gás. Para o panicoso uma simples ida ao jardim é um alerta de perigo, pois tem plantas que podem ser venenosas, as arvores soltam folhas que podem escorregar, os galhos podem cair e nos ferir, tem abelhas, moscas, aves e microrganismo que podem causar alergias, sufocar e até matar.

O panicoso é como um motorista que dirige um veiculo com o pisca alerta ligado o tempo todo, sua insegurança e medo são irracionais e invisíveis para as outras pessoas, mas, para ele são tão reais e tangíveis que as consequências se refletem em seu corpo desenvolvendo doenças reais e dores violentas e abruptas. A síndrome do pânico merece ser levada a sério”. *Helena Miranda

6 milhões de brasileiros têm Síndrome do Pânico

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 280 milhões de pessoas no mundo, ou seja, 4% da população total, sendo 6 milhões só no Brasil, sofre com essa síndrome. São necessários ao menos dois ataques de pânico inesperados para o diagnóstico de síndrome do pânico. A idade de início varia entre 20 e 45 anos. Esse transtorno raramente acontece antes da puberdade ou após a menopausa. A ciência afirma que há fatores que podem influenciar esse comportamento, como a genética, o tipo de temperamento da pessoa, o estresse e as mudanças cerebrais que ocorrem, como uma reação, a episódios e situações específicas.

Sintomas físicos: Palpitações e aceleramento cardíaco; Suores intensos; Calafrios ou ondas de calor; Tremores ou abalos e formigamentos; Sensação de falta de ar, sufocamento ou asfixia; Náuseas ou desconforto abdominal; Dores ou desconforto no peito ou tórax; Tonturas e vertigens.

Sintomas psicológicos: Medo de perder o controle ou de enlouquecer; Medo de morrer;
Sentimento de estar em perigo; Sensação de bloqueio mental; Desrealização e despersonalização das pessoas e coisas; Angústia; Sensação de transtorno de ansiedade generalizada; Medo do medo de ter outro ataque.

Síndrome do pânico tem cura?

A síndrome do pânico pode sim ser superada ou amenizada quando tratada adequadamente a partir da orientação médica. A psicoterapia é a ferramenta mais indicada e irá agir nas causas dos sintomas a fim de amenizar os episódios até a possível total eliminação da síndrome. O mais importante é buscar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra ao mínimo desconforto e manifestação dos sintomas, pois assim, você reduz as chances do quadro evoluir e desencadear outros distúrbios.

*Helena Miranda, advogada, pós graduada em Direito Tributário pela PUC-Goiás; Especialista em Direito Civil, Processual Civil com ênfase em Direito de Família e Sucessões. Atua em Goiânia – Goiás e é colunista no Portal Raízes.

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Helena Miranda
Helena Miranda é advogada, pós graduada em Direito Tributário pela PUC-Goiás; Especialista em Direito Civil, Processual Civil com ênfase em Direito de Família e Sucessões. Atua em Goiânia - Goiás e é colunista no Portal Raízes.