Olga Tokarczuk (Sulechow, Polônia, 1962), premiada em 2019 com o Prêmio Nobel de Literatura de 2018, encontrou nesta praga do século 21, de um mundo que se acreditava ser seguro, e não é, uma boa desculpa para frear e também refletir. “Foi um alívio renunciar às minhas viagens, estava cansada e fazia muito tempo que não vivia na minha própria casa”, conta por e-mail ao EL PAÍS.
O confinamento também coincidiu com a doença de seu cachorro e ela agradece por ter podido cuidar dele. “Acho que a pandemia é acima de tudo uma lição de humildade. É um conceito antigo e um tanto esquecido. O homem esqueceu a humildade ante da natureza, ante forças superiores a ele. Atiçado por uma arrogância incomum, destruiu muitas coisas a seu redor: seres vivos, o meio ambiente, a paisagem. Mudou o clima. E agora prepara sua dispersão no cosmos”, reflete.
Quem já se achegou à sua obra sabe que Tokarczuk, nascida sob o comunismo na Polônia e vivendo como adulta sob o capitalismo e a democracia, navega ao mesmo tempo pela introspecção e o amor a uma natureza que a conecta fortemente com o mundo. Sua obra é uma barreira contra a frivolidade, a destruição, a violência. “A pandemia nos mostra que continuamos a ser apenas uma espécie a mais sobre a Terra, dependente de uma intrincada teia de relações, que temos um corpo frágil e mortal e que nossas possibilidades são limitadas. Tenho a impressão de que está de volta a máxima Memento mori, tão popular na formação cultural do Barroco europeu, quando o ser humano se viu obrigado a enfrentar epidemias, guerras e forças cruéis, inconcebíveis. É o retorno a uma visão do mundo como mistério, a uma busca do significado da existência humana na Terra, a indagar sobre a natureza do homem e a presença do mal. Esta pode ser uma época interessante.”
É na proposta dessa busca perpétua que ela encaixa seu mais novo livro Un lugar llamado Antaño, a explosão mais luminosa que se pode realizar de personagens, conflitos, relacionamentos, vidas e mortes. Tokarczuk eleva a vida de loucos, provincianos, moleiros, párocos, fiéis católicos, soldados, invasores nazistas ou soviéticos, gentes carregadas de misérias, limites e estreitas ambições, a uma categoria majestosa. De bijuteria humana ―aquela que todos perfazemos― obtém joias. Seu foco vai passando de um para o outro, iluminando humanos, animais e plantas em uma fusão que é comum e alentadora em sua obra. Ela está em tudo. Confira a entrevista completa em El País.
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