Psicologia e Comportamento

Abstraia, finja demência, mas não se desequilibre por quem não merece

Vivemos tempos estressantes, tempos difíceis. As redes virtuais deram voz aos mais variados opinadores, sendo que muitos deles expõem nada mais do que agressividade gratuita. As jornadas de trabalho estão apertadas, criar filhos tornou-se uma luta diária, manter um relacionamento também. Por isso, ou selecionamos o que chega até nós, ou nos desgastaremos emocionalmente à toa, sem resultado, sem razão de ser.

É muito difícil conseguir passar um período do dia sequer sem topar com algo ou alguém que incomode em algum aspecto. Fatalmente, iremos ter de nos confrontar com o contraditório e com pontos de vista que chocam com nossas visões de mundo, afinal, cada um tem sua forma de enxergar a vida. Não conseguiremos viver em harmonia o tempo todo, em todos os lugares onde estivermos, com todas as pessoas com quem convivermos.

Na verdade, esses confrontos com o diferente são necessários, para que possamos repensar nossas ideias, oxigenando nossas opiniões, para que não paremos no tempo e no espaço. A gente aprende muito quando debate pensamentos com quem pensa diferente, pois entramos em contato com muitas visões que não tínhamos, mas que deveríamos ter. Aprendemos, assim, que ninguém é o dono absoluto da verdade e que o novo pode ser muito bem vindo em nossa vida.

O que não podemos, no entanto, é tentar dar murro em ponta de faca, discutindo com quem não aceita ser contrariado, com quem sempre coloca o seu ponto de vista como o certo, sem nem ouvir a nossa opinião. Não podemos tentar argumentar com quem baseia sua vida em maldade gratuita, infundada, sem base alguma. O propósito dessas pessoas é simplesmente contrariar a gente, muitas vezes de forma agressiva. Não caia nessas armadilhas.

Nesses casos, abstraia, finja demência, faz cara de paisagem, faz a egípcia, liga o foda-se, mas não se desequilibre por conta de quem não merece um segundo do seu dia, por quem não merece espaço algum em seus pensamentos, em sua vida. O pouco tempo que nos resta de lazer e de higienização mental deve ser desfrutado junto com quem nos tira gargalhadas e não com quem nos tira do sério. Priorize a paz, sempre, e seja feliz.

Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

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