Vivemos sob a tirania do desempenho. Estamos sempre atrasados em alguma meta, devendo a alguém, a nós mesmos ou ao nosso ideal narcísico. Por trás de rostos sorridentes e frases otimistas, escondem-se corpos esgotados, mentes fragmentadas, corações solitários. Nunca tivemos tanto acesso à informação, ao consumo, à performance, e ainda assim nos sentimos cada vez mais insuficientes.
A psicanálise nos ensina que o excesso de gozo, quando não mediado pelo simbólico, aprisiona o sujeito numa roda infinita de repetição. Ao buscarmos o prazer imediato, a superação constante, a hiperconexão, acabamos mergulhados numa angústia crônica. A alma humana, que precisa de pausa, de escuta, de luto, de espera, tem sido sufocada pelo barulho dos algoritmos e pela ditadura do “faça mais, seja mais”.
É nesse contexto que o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han se destaca como uma das vozes mais contundentes do pensamento contemporâneo. Em seu livro “A Sociedade do Cansaço”, publicado originalmente em 2010, Han argumenta que saímos de uma sociedade disciplinar, baseada na repressão e na obediência, para uma sociedade do desempenho, onde somos livres apenas para nos autoexplorar.
Han afirma que o sujeito contemporâneo não é mais o prisioneiro, mas o empreiteiro de si mesmo. Ele não obedece ordens externas, mas uma voz interna que exige produtividade incessante. Não é mais o “não posso”, mas o “eu devo” que impera. E é justamente essa liberdade falsa, convertida em autoexploração, que leva o sujeito moderno à exaustão, ao burnout, à depressão.
A resposta não está em negar o mundo, mas em aprender a suspender. A psicanálise, a filosofia e a poesia nos ensinam que é preciso reconhecer os limites da potência, fazer amizade com a nossa sombra, abraçar o que não rende lucro nem aplausos.
Praticar o desapego da produtividade é um gesto de resistência política e existencial: desligar as notificacões, aceitar dias de baixa energia, permitir-se não saber, não responder, não resolver tudo. Como um campo deixado em pousio, é na pausa que o solo se regenera.
Cuidar de si, nesse tempo histérico, é cuidar do outro também. Talvez a maior revolução hoje seja sentar em silêncio e perguntar: o que realmente me move, e por que estou correndo tão rápido?
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