Psicologia e Comportamento

“Bato de frente e dou a minha sincera opinião com a leveza de um elefante”

Sempre fui chamada de durona. Talvez a maioria me veja assim por conta da minha teimosia e pulso firme para determinados assuntos. Bato de frente e dou a minha sincera opinião com a leveza de um elefante. Não sou lá muito política e me esforço para ser polida.

Homens sempre são um caso particular na vida de uma mulher. Aprendi com esses a ser sim, durona-assumida-sem-medo-de-ser-feliz. Aliás, felizes foram aqueles que um dia me levaram no papo, no jeitinho, no carinho disfarçado de uso em um coração que realmente acredita no amor. Hoje, não mais. Nenhuma saudade dos tempos que me envolvi com gente que não merecia se quer a sarjeta para viver.

Não sou fácil de aturar, de agradar e de convencer. O azul é sempre uma boa escolha, mas eu prefiro realmente o vermelho, pelo simples fato de preferir mesmo. Faço o quê quero e quando quero. Nasci livre, fui educada por pais rígidos que me ensinaram a ser dona de mim, graças à Deus!

Assustador ser tudo isso, não? Também me assusto todas as vezes que recebo uma investida de um cara que acha que vai me levar no papo. Mentiras desnecessárias, não me interessam. Já levei um relacionamento nas costas e quando decidi colocar um ponto final, foi para nunca mais. E olha que eu evito com todas as minhas forças dizer nunca, justamente por tal coisa geralmente cair na testa. Digo tudo isso com a certeza que uma hora ou outra chega aquele que vai querer tirar minha armadura e vai encontrar alguém romântica. Pois é, durona sim. Romântica, também.

Ser durona não significa não ter sentimentos. Sou coração de pedra. Pedra preciosa. Apenas alguns tiveram acesso e entenderam que podem conseguir o meu melhor. Me conquistar com palavras, pode até parecer fácil, até eu pedir atitudes. Presentes caros não agradam tanto como surpresas simples. Vinhos bons podem até ganhar meu paladar, mas se durante a degustação não tira sorrisos de minha boca, acabam sendo só vinhos bons. Gosto de gentilezas, de pé na areia, silêncio à dois.

Durona sim. Romântica, também. Acredito em amor à primeira vista e em terceiros encontros. Sonho em ter família margarina, mesmo sabendo das inúmeras dificuldades para isso acontecer. Não preciso de castelo, mas uma casinha na praia seria legal. Quero alguém que ature meu lado durona com doçura e meu lado romântico com segurança. Nunca é fácil imaginar que aquele que você escolheu para estar ao seu lado, também escolheu e aceitou seus inúmeros defeitos e qualidades. Amar é responsa.

Durona sim. Romântica, também. Apesar de um extremo tão assustador, existe sempre aquela doçura sem fim.

Texto de Juliana Manzato

Portal Raízes

As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.

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