Enquanto você lê este texto, seu celular tem alguma notificação e o LED está piscando. A TV pode estar ligada com o jornal, um Email chega na sua caixa de entrada ao mesmo tempo que o carteiro toca a campainha para entregar a última novidade tecnológica que você comprou pela internet. O Feed do Facebook, com o recurso de rolagem infinita – bem como o que existe em outras redes sociais como o Instagram e o Twitter – faz com que você nem perceba quanto tempo está gastando na vida alheia ao invés de se empenhar na própria produtividade.
São tantas informações que bombardeiam seu cérebro a cada instante que fica difícil se concentrar em uma só coisa. Embora, de certa forma, o conceito de especialização seja antigo na doutrina da produtividade e da economia. Já no século XVIII, Adam Smith dá o exemplo da produção de alfinetes. O que é melhor? Um artesão cuidar de todas as partes da produção ou se focar em só um aspecto dela, como colocar a cabeça no alfinete? O mesmo vale no século XX com o fordismo e a linha de produção.
Podem parecer exemplos distantes e só aplicáveis na economia ou na administração, mas a realidade é que seu dia pode ser comparado analogamente a uma linha de produção. Ao invés de alfinetes ou carros “Modelo T”, você pode produzir outras coisas. E se não tiver foco só nesta atividade, vai acabar perdendo eficiência e qualidade na atividade prioritária. Imagine que aquele operário na linha de produção da Ford na década de 1920 fosse cutucado diversas vezes durante o dia enquanto trabalha. Será que ele teria a mesma eficiência?
É justamente isso que acontece quando você recebe notificações no celular ou quando olha no Feed do Facebook: você perde foco. E se você perde foco, acaba perdendo tempo e produtividade. Seu cérebro não funciona como um processador Quad-core. Aliás, mesmo eles perdem eficiência quando muitas janelas estão abertas no seu navegador.
Como em todo método científico que se preze, já observamos o problema/fato e agora precisamos buscar a solução. Afinal, existe alguma maneira de se focar mais? Em realidade, sim. Ao menos, é o que Daniel Goleman[1] – autor do best-seller Inteligência Emocionai estudou nos últimos anos. “A atenção funciona quase como um músculo: se não a utilizamos, fica atrofiada”, diz. “Foco é uma ferramenta essencial, é o que difere um especialista de um amador, um profissional de sucesso do funcionário mediano”, completa (GOLEMAN, 2013).
Como dito por Goleman, o foco pode ser exercitado. Aproveitando que as Olimpíadas estão chegando, um exemplo esportivo: um atleta de 100m rasos no atletismo condiciona seu foco apenas para ouvir o tiro de largada e nenhuma outro barulho no estádio. Outro exemplo de condicionamento de foco, bastante útil e importante, vem do poker (e é útil nele). Um dos autores mais conceituados no que diz respeito à teoria do esporte é David Sklansky. “Quando jogamos, temos de perceber que antes de mais nada estamos ali para ganhar dinheiro”, diz, conforme infográfico abaixo. Ou seja: foco. Objetivo. Se isso pode ser aplicado para jogadores profissionais de poker, também pode lhe servir em diversas outras atividades do dia a dia.
Infográfico: PokerStars
Mas não só. Além deste exercício de autocontrole, existem meios de fazer com que o organismo funcione de uma forma melhor no sentido de haver funções cognitivas mais apuradas. É mais ou menos como um carro que roda a álcool ao invés de um carro de Fórmula 1 com uma gasolina toda especial. Obviamente no segundo carro o desempenho será melhor. De modo análogo em nosso organismo, os nutrientes certos podem nos ajudar a ter uma vida mais saudável – não só do ponto de vista físico mas também do mental. É amplamente sabido que o Ômega 3 aumenta a capacidade de memória é é um ácido graxo essencial para o bom funcionamento do organismo. Você pode encontrá-lo em peixes e mesmo em alguns vegetais como no brócolis – de repente o gosto dele melhorou, han?
Sendo assim, como melhorar o foco como habilidade cerebral e, por decorrência, a produtividade e o sucesso profissional? De certa forma, o “menos e e melhor” é o principal passo. Menos atividades em cada momento do dia e maior atenção dedicada a cada uma delas. Se você emprega 20% de sua atenção em 5 atividades diferentes, com certeza terá menos eficiência do que 50% em duas. Felizmente, da mesma forma que a tecnologia nos transborda de informação, há também formas de filtrar essa “Big Data”. Extensões para o Chrome que substituem o Feed do Facebook por frases motivacionais, por exemplo. Ou então o Tweetdeck, aplicativo do próprio Twitter que permite a formatação da timeline em colunas que lhe interessem com listas, usuários e toda uma customização que lhe achar mais conveniente. Não hesite em utilizar a função “avião” de seu Smartphone, também. Não obstante, marcar horários para ler e responder e-mails também é uma ótima atitude com o objetivo de ser mais produtivo.
Isso tudo pode parecer fácil e óbvio, mas entramos tanto no “piloto automático” no dia-a-dia que acabamos por esquecer quão necessário é estar em estado de atenção para as coisas certas (e não 200 mil coisas diferentes ao mesmo tempo). É um exercício contínuo que pode melhorar a produtividade drasticamente. Num ambiente profissionalmente competitivo, pode acabar sendo a diferença entre uma promoção ou não.
[1] GOLEMAN, Daniel. Foco: A atenção e seu papel fundamental para o sucesso.
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