Categories: Sem categoria

“Infelizmente meu casamento acabou e só ele ama sozinho” por Fabrício Carpinejar

“Infelizmente meu casamento acabou, e só ele ama sozinho” assim escreveu uma leitora (anonimamente) de Fabrício Carpinejar. Veja abaixo a resposta do autor:

Querida leitora, como você relatou tudo o que não aguentava mais na relação, ele absorveu que o quadro era reversível. Tratava-se de um desabafo, não de um pedido para salvar a convivência.

Você não estava querendo que ele mudasse, mas explicando o motivo do término. Homem se faz de desentendido no aperto para ganhar uma nova chance. É um déficit de atenção planejado com o objetivo de conquistar sua compaixão. Não caia na cilada. Diga que não ama mais. Não tenha medo de usar exatamente essas palavras, É a pá de cal nas pretensões de uma reconciliação.

O que ele deve aceitar é que o problema agora não é ausência de agenda social ou de viagens, é que o amor acabou. Antes, essas falhas tinham sentido. Hoje são constatações moribundas.

É natural que ele apresente disposição para recuperar o tempo perdido, já que não esteve presente e não se encontra exausto de esperança.

Toda ausência é otimista, acreditando que há ainda jeito de preencher os vazios e de consertar o passado com promessas.

Só que você esteve inteiramente presente e não aguenta mais. Não suporta sequer fiscalizar se ele vai cumprir as suas palavras. Cansou de ser babá de marido. Cansou de viver o que sobrava do casamento.

Adeus é coragem. Deixe ele amar sozinho. Será bom para ele descobrir o que é solidão, o que é saudade. Não sofra mais desejando protegê-lo. Realize terapia unicamente para si mesma. Talvez ele assim prove do sabor do silenciamento que amargou nos vinte e dois anos juntos.

Abraço,

Fabrício Carpinejar

Portal Raízes

As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.

Recent Posts

O que faremos com nossas diferenças depois das eleições?

A apuração termina, os números são anunciados, uma parcela do país comemora e outra precisa…

1 dia ago

Neurobiologia do autoengano: o cérebro não interpreta a realidade apenas, ele também a constrói

Pare por um instante. Preste atenção na sua respiração agora e nessa calma fingida da…

5 dias ago

Eu ainda sou aquela criança que brincava na poça d’água como se navegasse num oceano

Eu estou sempre perdendo coisas. Quando eu preciso de caneta, não sei o que me…

2 semanas ago

Os postais propagandas de 1900 a 1914 que mostram como o machismo foi disseminado

A luta pelos direitos das mulheres se cruza, em diferentes momentos, com outras lutas por…

2 semanas ago

5 maneiras de desconstruir em si mesma o mito da mulher infalível – Com Gabor Maté

Quando o corpo diz basta: o adoecimento das mulheres e o mito do normal Por…

1 mês ago

As 10 Melhores Séries de Drama para Maratonar Agora

Quando o assunto é drama de qualidade, poucos gêneros conseguem prender a atenção como aquele…

1 mês ago