Psicologia e Comportamento

Faça falta quando estiver ausente – Uma reflexão de Mario Sergio Cortella

Você pode ser notado por aquilo que faz e que espalha, e pode ser notado por algumas pessoas que estão à sua volta. Eu sempre digo que se eu não existisse, eu queria fazer falta. Eu quero fazer falta. Esse é o meu legado. Eu quero que no dia que eu me for, que se diga assim: “poxa, o Cortella faz falta! Ele podia tá aqui com a gente nessa situação, nessa circunstância”. Como professor, como o pai, como marido, como cidadão, como profissional, como amigo… 

A gente precisa lembrar que no universo antes de “eu ser”, nada existia como eu, e quando eu deixar de ser, nada o será. Isso significa que eu sou único. Uma das formas do arranjo da vida neste universo: “sou eu”. Portanto a vida se arranjou de um modo único e agora eu sou  único. Mas eu não sou “O único”. Embora não há ninguém como eu, não houve e não haverá, não é SÓ eu que SOU único, os outros também são únicos. 

Isso significa que o meu propósito maior nesse universo é a construção do sentido. Não há um propósito dado, a menos que seja no campo da fé religiosa, a menos que seja no campo do dogma. Não há um propósito que diz “vá faça isso!”. O que existe é a necessidade de você edificar, se construir a este propósito. Por isso o meu propósito “eu quero fazer falta”. Agora, eu não poderia fazer falta sendo maldoso, malévolo, egoísta. Não quero assim, eu quero ser BEM lembrado. 

A ideia do Carpe diem (aproveite o momento) a frase do Horácio, quer dizer “não deixe de aproveitar o agora”. Agostinho de Hipona dizia “nós só vivemos o presente”. Só que há três tipos de presentes, o presente do passado (que chama  memória) mas que tá com você agora, o presente do presente que é a percepção do imediato que é o que você tá vivenciando, e o presente do futuro que é a espera, a expectativa, mas você só vive o presente por isso não o abrevie. 

Fala de Mario Sergio Cortella, transcrita por Portal Raízes

 

Portal Raízes

As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.

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