Categories: CulturaLiteratura

Para curar as fadigas do coração: “Musicopoesia”

Para as fadigas do coração, musicopoesia: pelo menos uma vez por semana 

A influência da música no ser humano vai muito além do lazer de escutar um disco ou ensinar como um processo pedagógico, podendo servir até mesmo para fins terapêuticos. É o caso da Musicoterapia. Essa ciência utiliza a música e seus elementos sonoros como terapia para a obtenção de uma potencialidade do indivíduo, resultando numa melhor qualidade de vida, seja ela feita por prevenção, reabilitação ou tratamento. A música é conhecida como meio terapêutico desde a Antiguidade. Papiros egípcios datados aproximadamente  1550 a.C. atribuíam à música influência terapêutica. Durante a Segunda Guerra Mundial houve um início efetivo da utilização científica da música, dando origem à Musicoterapia.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os cuidados paliativos são uma abordagem que melhora a qualidade de vida do indivíduo e de sua família em caso de doenças que ameacem a continuidade da vida. Eles incluem a avaliação e o controle de forma impecável não somente da dor, mas de todos os sintomas de natureza física, social, emocional e espiritual. Nós recomendamos: musicopoesia pelo menos uma vez por semana.

Ouça a música enquanto lê os poemas

A Música – Charles Baudelaire

“A música p’ra mim tem seduções de oceano!

quantas vezes procuro navegar,

cobre um dorso brumoso, a vela a todo o pano,

minha pálida estrela a demandar!

O peito saliente, os pulmões distendidos

como o rijo velame d’um navio, Intento desvendar os reinos escondidos

sob o manto da noite escuro e frio;

sinto vibrar em mim todas as comoções

d’um navio que sulca o vasto mar;

chuvas temporais, ciclones, convulsões

conseguem a minh’alma acalentar.

Mas quando reina a paz, quando a bonança impera,

que desespero horrível me exaspera!”

Divina Música – Khalil Gibran

“Filha da Alma e do Amor.

Cálice da amargura e do Amor.

Sonho do coração humano, fruto da tristeza.

Flor da alegria, fragrância e desabrochar dos sentimentos.

Linguagem dos amantes, confidenciadora de segredos.

Mãe das lágrimas do amor oculto.

Inspiradora de poetas, de compositores

e dos grandes realizadores.

Unidade de pensamento dentro dos fragmentos das palavras.

Criadora do amor que se origina da beleza.

Vinho do coração que exulta num mundo de sonhos.

Encorajadora dos guerreiros, fortalecedora das almas.

Oceano de perdão e mar de ternura.

Ó música. Em tuas profundezas depositamos nossos corações e almas.

Tu nos ensinaste a ver com os ouvidos e a ouvir com os corações”.

Música – Hermann Hesse 

“O simples fato da música existir

e de poder um ser humano ficar,

por vezes, comovido até o âmago por uns poucos compassos

e inundado por harmonias,

sempre significou para mim um profundo consolo

e uma justificação de vida”.

Música – Roseana Murray

“A noite, com sua partitura de mistérios faz música.

Fecho os olhos e ouço o som do universo como

se fosse um zumbido de anseios e luz.

Caminho sobre a linha invisível dos desejos”.

Música – Clarice Lispector

“Entre duas notas de música existe uma nota,

entre dois fatos existe um fato,

entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço,

existe um sentir que é entre o sentir

nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério

e fogo que é a respiração do mundo,

e a respiração contínua do mundo

é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio”.

Seleção de Mariza Rezende – Especial para o Portal Raízes

Portal Raízes

As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.

Recent Posts

É a ciência que nos prova como o afeto e a cultura familiar, moldam o cérebro e o comportamento da criança para sempre

A educação que vem de casa, através da aprendizagem intergeracional, é um capital invisível, mas…

2 semanas ago

Word para PDF com erro de layout: o que pode causar esse problema

Converter um arquivo Word em PDF deveria ser um processo simples, mas erros de layout…

2 semanas ago

Dona Beja: a reparação histórica feita pela arte confronta a hipocrisia moral que ainda hoje persiste

A trajetória de Ana Jacinta de São José não pertence apenas ao registro histórico, mas…

2 semanas ago

O seu corpo é o primeiro espaço que você precisa configurar: ele é uma casa – Viviane Mosé

Desde os primeiros instantes de nossa existência, o corpo se manifesta como o palco primordial…

3 semanas ago

A ciência confirma: a ansiedade que sentimos hoje pode ser um luto que nossos avós não conseguiram elaborar

A ansiedade, em sua essência, não é uma vilã. Diferente da crença popular de que…

3 semanas ago

Não é com o crime que a violência contra a mulher começa: é na cultura , na maneira como nos educamos

O debate sobre a violência contra a mulher no Brasil ganha um novo capítulo com…

1 mês ago