“Pra que tanta pressa, Marília? Que música é essa, onde dó é só padecimento?” – Por Pedro Bial

“Hoje, a gente olha pro céu e clama, ‘pra que tanta pressa? ‘; e reclama, cambaleante, sem o chão de tua voz. Marília, por que tanta pressa? Por que tão rápido? Você ainda tinha tanta história pra viver e ouvir e depois em versos nos contar, tanto canto a doar. Por que tão rápido, pra que a pressa? Que versos você escreveria pra explicar isso? Como termina essa canção, interrompida pelo estrondo de silêncio? Que música é essa em descompasso e desafino, onde ‘dó’ é só padecimento?.

Como toda história, uma canção tem começo, meio e fim. E alguém já disse que toda canção começa buscando um meio de chegar ao fim. A canção de sua vida parece foi interrompida antes de encontrar o meio. É tão antinatural, chegar ao fim, sem nem acabar de começar. Arrancaram a flor, ficou seu sonoro perfume a consolar um jardim entristecido.

Pois, agora, você que falava das coisas fugidias da vida, essas coisas de amores e dores, encontros e adeuses, você que libertava as palavras, deixando que voassem passarinhas pra nos consolar e pra que a gente as acolhesse no ninho de nossas solidões; agora, Marília, seus versos se aquietaram, imóveis, como mão de mãe, suave, sobre cabeça de menino, pousados sobre nossa memória.

Hoje a gente lhe pergunta: ‘nunca mais, Marília?’ –  E com o sorriso mais manso do que triste, você nos responde que não. Que não é nunca mais. Dedilha o violão compondo uma canção para os anjos e diz: ‘é pra sempre’!”.

Texto do jornalista Pedro Bial em homenagem à cantora Marília Mendonça, falecida aos 26 anos, em 05/11, num acidente aéreo. O texto foi declamado pelo próprio autor na abertura do Fantástico, na TV Globo, no dia 07. Enquanto ele declamava, um vídeo passava na telinha, mostrando cenas da trajetória superlativa da cantora. A morte de Marília impactou o Brasil inteiro e sim, ficamos numa sofrência inconsolável. Veja a homenagem abaixo:

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