Psicologia e Comportamento

Precisamos aprender um novo jeito de amar

Texto incrível de Frederico Elboni

Quem me acompanha há um tempo sabe o quão gosto de falar sobre a relevância de amar com leveza e paz, e como acredito em uma forma de amar que não só transcende o fogo da paixão, mas também pousa na serenidade do olhar. Façamos o seguinte, irei propor um pensamento… Honestamente, você consegue imaginar que existem pessoas que dizem se amar, mas não se respeitam?! Que dizem gostar do sorriso calmo da sua parceira, mas quando suas vontades são contrariadas a agride como se pudesse controlar o encantador sorriso de quem o acompanha?! Que manifestam que sentir ciúmes é prova de amor, observação e cuidado, mas nunca se questionam o porquê de não confiar inteiramente em quem ela escolheu para amar?! Que de forma ardilosa traem e, como se fosse uma solução plausível, colocam a culpa no instinto e na necessidade de resolver as suas, tão suas, necessidades?! Que proclamam tantas regras e modelos para amar, mas não seguem a mais básica “diretriz”: o livre arbítrio. É, sem dúvidas, precisamos aprender um novo jeito de amar…

Antes de qualquer coisa, preciso contar a você que, felizmente ou infelizmente, ainda não sei te responder, nasci dotado de uma intensidade que constantemente me faz esquecer a importância do meio-termo. Muitas vezes me perdi nas tempestades do coração, e pior, tive que construir novos corações dentro de mim, pois aqueles já haviam sidos destruídos em meio ao temporal. Mas, mesmo assim, entregue ao inesperado sempre que meu coração sente cheiro de amor, discordo dessa forma de amar que insiste em roubar os momentos de paz um dos outros. Se o amor não for sinônimo de paz e liberdade, o que será?!

O amor é um encontro que nós escolhemos, é uma junção de pessoas que procuram ampliar as suas respectivas liberdades, e não excluir um a do outro. Fato é que todo ato de amar deve ser um exemplo. Até porque como um amor legitimo e sereno não seria um exemplo para todos nós?! O amor admirável, daqueles que a gente lacrimeja e torce para a sua continuidade, é quando a liberdade nele vivida exponencializa a liberdade dos que estão por perto. E não sei se vocês sabem, mas todos temos direito a liberdade, ela nasce conosco, ninguém precisa conquistá-la, ela é nossa por direito. E deveríamos ficar furiosos quando alguém, mesmo que de forma velada, sugere nos tirá-la.

Já conheci pessoas que julgam loucura amar com “toda essa liberdade”, mas será que loucura não seria amar sem o mínimo de liberdade?! Antes de vivenciarmos um amor abusivo e injusto, precisamos saber selecionar, não necessariamente quem invade o nosso coração, mas quem guarda a sua escova de dentes nele. Perceber indícios de que aquela pessoa, no fundo, não quer abrir os nossos olhos e nos empoderar junto ao mundo, mas, sim, nos colocar em uma gaiola. Essas gaiolas, muitas vezes usadas como justificativa para cuidar com mais afeição ou como uma forma especial e dedicada de amar, são, na verdade, pequenas prisões e uma maneira muito triste de matar dia após dia o seu amor próprio. Nunca se esqueça que quem sabe amar carrega consigo um olhar de liberdade, e sabe que amar nunca é justificativa para colocar alguém dentro de uma gaiola, até porque, a liberdade não aceita negociações.

Amar sem deixar o outro livre para escolher, sem confiar na escolha que você mesmo fez de parceiro, não é amor, é possessão. Amar é amar a pessoa e as suas peculiaridades, não somente a influência que ela tem sobre você. Amar é confiar na escolha que você fez desde que disse o primeiro te amo. Amar não é “dar” liberdade, mas, sim, respeitar a liberdade que cada um já carrega consigo. Isso é amar…

 

Portal Raízes

As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.

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