Os seres humanos sempre questionaram o sentido da vida: nascer, crescer, reproduzir e morrer. É só isso? Filosofias, religiões e ciências tentam oferecer respostas, mas talvez a vida não precise de um grande sentido além dela mesma. Essa visão — desafiadora e libertadora — nos convida a encontrar significado nos momentos cotidianos, nas relações interpessoais e nas experiências mais simples.
Viver, afinal, pode ser em si o sentido. E se for, o que torna essa vida digna de ser vivida? Para Contardo Calligaris, talvez a resposta esteja na intensidade com que vivemos e no quanto conseguimos tornar nossa vida interessante.
Contardo Calligaris, psicanalista e escritor ítalo-brasileiro, deixou como legado um pensamento que desafia os padrões da moral e do ideal de felicidade moderna. Em seu livro O Sentido da Vida, publicado postumamente e vencedor do Prêmio Jabuti 2024 na categoria Saúde e Bem-Estar, Calligaris aborda com coragem e sensibilidade temas como a morte, o medo, a realização pessoal e a busca de sentido.
A obra combina relatos pessoais, experiências clínicas e reflexões existenciais que escapam da pretensão de uma resposta definitiva. Em vez de prometer um “sentido universal”, Calligaris propõe que o importante é que a vida — com seus altos e baixos — seja interessante o suficiente para ser desejada. Essa abordagem tira o peso da obrigação de ser feliz ou encontrar “a missão da alma” e recoloca o valor da existência em sua própria vivência concreta.
O artigo “Sentido de vida: compreendendo este desafiador campo de estudo”, publicado na revista Psicologia USP em 2021, oferece uma análise abrangente sobre a evolução do conceito de sentido da vida. As autoras destacam que essa noção é central para o bem-estar humano e tem sido abordada por diferentes tradições: da filosofia existencial à psicologia positiva, passando pela logoterapia de Viktor Frankl.
Uma das contribuições centrais do estudo é a apresentação do Modelo Tripartite de Sentido de Vida (MTSV), que reúne três dimensões fundamentais:
Esse modelo tem contribuído para pesquisas empíricas e para o desenvolvimento de instrumentos que medem o sentido da vida como um fator de saúde psicológica. O artigo também destaca os desafios metodológicos de se estudar esse tema, dada sua profundidade existencial.
Esses achados sustentam a ideia de Calligaris: mais importante do que buscar uma verdade absoluta, é viver de modo que a experiência em si tenha valor. É a própria vida, em sua pluralidade, que pode nos oferecer sentido.
Se a vida não precisa de um grande sentido além dela mesma, como podemos torná-la valiosa, viva e desejável no cotidiano? Aqui vão 10 sugestões práticas:
1. Cultive relacionamentos significativos: Invista tempo e afeto em pessoas que fazem sua vida mais humana e menos solitária.
2. Explore novos hobbies ou retome antigos: Às vezes, o prazer e o sentido estão em algo que deixamos para trás — como pintar, dançar ou tocar um instrumento.
3. Seja grato: Agradecer, mesmo silenciosamente, pelas pequenas coisas, pode transformar a perspectiva sobre o dia.
4. Aceite desafios e saia da zona de conforto: Tentar algo novo — mesmo com medo — renova o sentido da existência.
5. Engaje-se em causas que importam para você. Seja ajudar um vizinho ou participar de uma ação social, contribuir faz a vida ganhar textura.
6. Desacelere para perceber a beleza ao redor: Uma xícara de chá, um pôr do sol, um sorriso. As pequenas coisas também são portais de sentido.
7. Cuide do corpo com carinho, não com culpa. Caminhar, dormir bem e comer com atenção podem ser rituais de interesse pela própria vida.
8. Permita-se sentir e expressar emoções. Emoções nos conectam ao que é real. Não as esconda — nem as dramatize.
9. Leia livros que provoquem e ampliem seu mundo interno. A literatura nos oferece múltiplas vidas e nos desafia a pensar diferente.
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