Categories: Literatura

“Se me fosse dada outra oportunidade eu jogaria pelo caminho a casca inútil das horas ” – Mario Quintana

Mario Quintana foi um importante escritor, jornalista e poeta gaúcho. Nasceu na cidade de Alegrete (Rio Grande do Sul) no dia 30 de julho de 1906. Trabalhou também como tradutor de importantes obras literárias. Com um tom irônico, escreveu sobre as coisas simples da vida, porém buscando sempre a perfeição técnica.

Escolhemos o poema “O Tempo” para homenageá-lo. No vídeo, o ator Antônio Abujamra declama uma releitura. E logo abaixo tem a versão original extraída do livro ‘Esconderijos do tempo” – 1980.

O Tempo (Em releitura de Antônio Abujamra )

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dada, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está à minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará”.  Mario Quintana

Texto original:

Seiscentos e sessenta e seis

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ª feira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das
horas. Mario Quintana

Em: “Esconderijos do tempo” – L&PM – 1980.

Portal Raízes

As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.

Recent Posts

Refeições em Família: O “remédio milagroso” que fortalece os vínculos afetivos e dá sentindo à vida

Vivemos em um tempo de convivência rarefeita. As casas continuam habitadas, mas os encontros diminuíram.…

6 dias ago

BBB 26: O caso Pedro Henrique e O Crime de Importunação Sexual

Nesta primeira semana do Big Brother Brasil 26, um episódio ultrapassou a lógica do conflito…

1 semana ago

Se a IA transforma corpos humanos em objetos de escárnio, isso não diz nada sobre avanço tecnológico, mas diz tudo sobre o declínio civilizatório humano

Nos últimos meses, uma série de reportagens publicadas na imprensa nacional e internacional tem acendido…

1 semana ago

A presença calma do adulto organiza o caos emocional infantil – Rafa Guerrero

Desde os primeiros dias de vida, antes mesmo da palavra e da memória narrativa, o…

2 semanas ago

No Reino Unido novo currículo escolar inclui aulas sobre respeito às mulheres

Desde que as primeiras civilizações humanas criaram normas sociais rígidas baseadas em gênero, o machismo…

2 semanas ago

Infidelidade conjugal, e agora? Reconstruir a relação ou seguir em frente sem repetir feridas?

Ao longo da história, a infidelidade conjugal foi tratada de formas muito distintas conforme o…

2 semanas ago